sábado, 31 de julho de 2010

Balde de água fria

Resolvi arriscar.
A professora do seminário de especialidade era especial, espectacular. A melhor orientadora que eu poderia desejar! E o meu orientador, de quem eu esperara uma atitude muito mais interessada e envolvida, não tem tempo para mim. Além de que, bem vistas as coisas, ainda nem sequer é o meu orientador oficial: a escolha só será feita depois de eu defender publicamente o projecto da tese. Ora... pareceu-me que ainda estava a tempo de remediar um provável erro estratégico. E eis que, para me fazer inclinar definitivamente para esse lado, assisto a uma defesa de doutoramento em que ele, como orientador do candidato, deixa bastante a desejar.
Depois de muita hesitação, ponderei os prós e os contras e tive a certeza: vale a pena tentar. Escrevi à professora a pedir-lhe um encontro pessoal e, como ela não respondeu com a rapidez habitual, acabei por lhe escrever novamente, a pedir que me orientasse e explicando as minhas razões de forma sentida e sincera. Respondeu que não, não podia. Está já com muitas orientações e nunca tomaria o lugar de outro professor que já aceitou essa função.
Acabou-se a esperança, agora é assumir a decisão que, afinal, já tinha tomado mesmo antes de me matricular, e andar para a frente.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Para que serve um tutor?

Para tudo e para nada, é o que parece.
De acordo com as normas regulamentares dos cursos de doutoramento da faculdade, que me foram enviadas há pouco tempo pela coordenadora do curso, o tutor é o professor que me vai ajudar a fazer o projecto da minha tese. Ora vejam:




São responsabilidades do tutor:
1. Apoiar e orientar o aluno na sua integração no Curso de Doutoramento, no respeito pela sua autonomia de escolha, designadamente aconselhando-o no que respeita às escolhas de seminários de opção.
2. Definir com os alunos sob sua tutoria o regime de acompanhamento periódico, individual e/ou de grupo, presencial e eventualmente mediado por tecnologias de informação e comunicação, que melhor convenha à orientação do trabalho dos alunos, recomendando-se que preveja uma periodicidade de interacção pelo menos quinzenal.
3. Apoiar a aprendizagem e o trabalho autónomo do aluno, nomeadamente sugerindo leituras e actividades de enriquecimento, discutindo o desenvolvimento dos seus trabalhos de seminário e do seu projecto de investigação.
4. Colaborar com os docentes responsáveis dos seminários do Curso de Doutoramento, a pedido destes, na orientação do trabalho escolar do aluno.
5. Orientar cientificamente o aluno na elaboração do trabalho final de curso e na preparação da sua discussão em prova pública.
6. Orientar o aluno na organização dos elementos para o seu arquivo individual de percurso e exigir a sua apresentação actualizada no final de cada semestre do Curso.

7. Apresentar no final de cada semestre ao Coordenador do Ciclo de Estudos de Doutoramento um relatório sobre o acompanhamento tutorial feito e o progresso do trabalho de cada aluno sob sua tutoria, a incluir no arquivo individual do percurso do estudante.
8. Validar os elementos entregues pelo estudante para as actualizações semestrais do seu arquivo individual de percurso e enviá-las ao Núcleo de Doutoramentos da Divisão Académica.
9. Participar no júri de avaliação do Trabalho Final do Curso, quando para tal for solicitado pelo Coordenador do Ciclo de Estudos de Doutoramento.



Até agora (e a data de entrega do Trabalho Final é 17 de Setembro, não falta assim tanto), não vi nem orientação nem apoio nenhum, no que respeita ao Trabalho Final, da parte da coordenadora do curso, que se auto-nomeou minha tutora, se não estou em erro. A única coisa que fez, ironicamente, foi enviar-me as normas e aconselhar-me a lê-las!
O meu futuro orientador, sem grande surpresa para mim, declara-se sobejamente ocupado e pede desculpa por lhe ser "humanamente impossível" ajudar-me neste momento.
Estou, portanto, por minha conta. O resto são apenas palavras escritas num documento que, pelos vistos, muito pouca gente lê e ao qual ainda menos gente dá a devida importância.

domingo, 25 de julho de 2010

Segunda nota

Ligo hoje o Gmail e vejo que recebi uma mensagem ontem, às 23h.59m., da minha Professora, a informar-me que resolveu dar-me 18 valores pelo trabalho.
Já sabia que ela era muito exigente e que não era fácil ter boas notas nas suas disciplinas, por isso estou muito contente - apesar de (algo envergonhadamente o confesso) ter tido a secreta esperança de chegar ao 19.
Agora falta vencer o maior desafio da parte curricular do curso: o Trabalho Final.
Mas por enquanto, estou sem cabeça para ele. E, como sou trabalhadora estudante, gozo de mais um semestre para o fazer, por isso vou aproveitar para ler sem pressas tudo o que ainda devo ler antes de começar a escrevê-lo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Defesa

Hoje assisti à defesa de uma tese de doutoramento. O que mais me impressionou foi o número de elementos do júri (8), além das suas fatiotas abútreas. O candidato era novito, mas lá se safou, mesmo após as críticas implacáveis de dois arguentes advogados-do-diabo.
O que trago de boa recordação, porém, nada tem que ver com a defesa. É o facto de a minha professora deste último seminário, de quem tanto gostei e com quem tanto aprendi, me ter apresentado a uma colega dizendo isto: «esta é que é a minha menina, de quem te falei».
Valeu a pena! Mas, como se não bastasse, durante a arguição, em que o candidato era acusado de ter limitado os horizontes da sua investigação, ela ainda me mandou um bilhetinho entusiasmado, usando uma senhora que estava atrás de mim como intermediária, para me lembrar que ela própria já me tinha alertado para esse facto. Ao que eu respondi, agradecendo, que sim, que me lembrava de coisas que ela me tinha dito ao ouvir aquelas críticas. Que inesperada e agradável aquela cumplicidade que ali aconteceu entre nós! Fico cada vez mais arrependida de não a ter escolhido como orientadora...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Estou a chorar

Estou a chorar lágrima atrás de lágrima, porque a Professora do seminário de Especialidade acaba de me escrever um e-mail de despedida, dizendo-me que teve muito gosto em me ter como aluna.
Estou a chorar de comoção, por mais estúpido e despropositado que isto pareça. Ela tocou-me, mexeu comigo, intelectualmente. É de um entusiasmo contagiante e de um profissionalismo admirável, tenho pena de não a ter escolhido como orientadora.
Estou a chorar, também, porque não gosto de despedidas. Não aceito despedidas. Por isso, respondi-lhe dizendo que também tinha tido muito gosto e que esperava poder continuar a poder trocar imporessões com ela, para que este adeus não tivesse de ser definitivo.

sábado, 10 de julho de 2010

Etapa final do Seminário de Especialidade

Agora só me falta fazer a versão 3 em 1: um ensaio final que inclua os dois anteriores.
Não sei bem como isto é possível, mas tem de ser possível. Foi o que eu própria decidi fazer, agora tenho de conseguir. E vou conseguir.
Durante uns dias, com a criançada às turras em casa, não fui capaz de pensar nisso, sequer.
Mas ontem reuni a coragem necessária, arranjei um momento de sossego e comecei a sobreposição dos dois artigos. Já falta pouco para acabar esta etapa!

sábado, 3 de julho de 2010

Lenha para me queimar

Ontem de manhã reuni-me com a professora para falarmos sobre o(s) meu(s) trabalho(s).
Gostou dos dois, mas  - ao contrário do que eu esperava - não manifestou preferência por nenhum deles. Disse-me que podia entregar, como trabalho final, qualquer um deles, impresso e encadernado.
Ora, o pior que me podem fazer é dar escolha. Eu NUNCA sei o que hei-de escolher. Quanto mais numa situaçao destas, em que o resultado da minha selecção se vai reflectir na nota que vou ter no seminário.
Ó professora, por favor, diga-me lá de qual gostou mais....!
Ela não disse. Insistiu que gostou dos dois, porque o primeiro isto e o segundo aquilo.
Foi então que eu dei um tiro no pé: e se eu conseguisse, de alguma forma, juntar os dois?!
Força! - respondeu ela.

Tê-la-ei?

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Aula única

Hoje, a professora do Seminário que fiz, que remédio, em regime de tutoria (por não se ter cumprido o mínimo necessário de 5 alunos) resolveu dar uma "aula", para que as suas duas alunas não se pudessem queixar de não terem tido pelo menos uma sessão teórica.
Fez-me lembrar aquela diversão que havia na Feira Popular, em que nos metíamos, em pé, dentro de uns espaços no interior de uma roda gigante (parecida com aquelas em que os hamsters costumam correr nas gaiolas), que se elevava no ar e girava a toda a velocidade, ameaçando levar toda a gente a deitar cá para fora o que tivesse ingerido nas últimas três horas. Um turbilhão que põe tudo a andar à roda - com a diferença de, neste caso, o "tudo" ser do domínio intelectual e não físico.
Mas tratou-se de um andar à roda produtivo, entenda-se. Apesar de ter tido dificuldade em apanhar tudo, em perceber todas as referências e todas as implicações das frases encadeadas sem pausas, numa sucessão vertiginosa, parece-me que saí de lá, mesmo assim, inspirada e com vontade de me atirar novamente aos trabalhos.
Bem haja, Professora!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PONTO MORTO

Uma pausa necessária, que sabe bem, mas que ao mesmo tempo preocupa, chega a consumir.
Por um lado, acho que me posso dar ao luxo de não fazer nada, de não pensar nisso, durante três ou quatro dias. Relaxar, praticar desporto, ir à praia. Faz tanta falta!
Por outro lado, o bichinho vai roendo a minha consciência: e o trabalho final?
Nada está feito. A entrega, supostamente, é em Setembro. Mas penso que me poderei valer do estatuto de trabalhador-estudante para a fazer um semestre depois, ou seja, no final de Janeiro.
Há tempo. Mas parar é morrer!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Estado da 2.ª versão: ENTREGUE!

Mal ou bem, o segundo trabalho está feito e já o enviei para a Professora.
No minuto seguinte, como é de regra comigo, encontrei uma gralha escandalosa e enviei-lhe nova versão com pedido de desculpas. Ela aconselhou-me a rever tudo com calma, durante mais um dia. Mas eu não consegui. Já deito aquilo pelos olhos! Ela que veja o que está mal, que é paga para isso... (se não é, deveria ser e o problema não é meu!).

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Novo adiamento

Estava eu em ligeiro stress para terminar o trabalho, porque a professora iria precisar de o ver antes do encontro de sexta-feira, e não é que ela me envia um e-mail a pedir que o encontro seja adiado para dia 2 de Julho?!
Decididamente, sou uma sortuda. Quanto mais tempo para melhorar o que está feito... melhor!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Grande avanço

O trabalho número 2 já tem 22 páginas.
Entretanto, recebi resposta da professora a dizer-me que aceita a primeira versão, da qual gostou bastante, embora precise de alguns ajustes e de mais uma ou duas leituras.

 Começo a acreditar em mim!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não faz sentido falar de luto. No entanto, sinto-me em luto pelo meu autor, que morreu hoje.

Olho para a página com o texto a meio e a escrita parece querer-se interrompida, suspensa, num silêncio que marque a gravidade do momento.

Numa imobilidade que cale o pensamento.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pintando uma argumentação

Há algo de semelhante entre pintar uma aguarela e escrever um destes artigos, para mim.
Há um misto de ansiedade e entusiasmo, durante a tarefa, que se reflecte na forma como trabalho, ora absorta e profundamente empenhada, ora distante e quase desistente, interrompendo abruptamente o ritmo e refugiando-me noutras actividades menos exigentes, como fazer as camas e arrumar a casa.
A forma como encaro o objecto que vai sendo criado pelas minhas mãos também é parecida: olho para o que estou a fazer e parece-me bom e mau ao mesmo tempo: um traço certeiro gera um sentimento de esperança, parece que a coisa vai resultar; uma pincelada mais descuidada assusta-me, torna-me insegura, mas algo em mim tem confiança na possibilidade de o corrigir em breve. E assim vou trabalhando e sentindo um confuso turbilhão de emoções, de amor-ódio por esse objecto que brota de mim.
E quando parece que estou prestes a ser vencida pelo desespero, pela certeza de que o resultado vai ser falhado, de que a perfeição ficará longe do meu alcance, acontece uma espécie de pequeno milagre. Dou-lhe mais três ou quatro toques e o trabalho parece sorrir-me e dizer: "acabaste-me! Não estou bonito?" E eis que é verdade: bem ou mal, está acabado, chegou ao fim. Não é preciso sofrer mais, posso recostar-me na cadeira, ou levantar-me, e olhá-lo à distância tranquila do observador, já não do criador atormentado pelo acto de criar. E este final feliz é sempre uma surpresa, apanha-me sempre desprevenida. Porque nunca sei (algum pintor sabe?) que pincelada será a última.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

2.º objectivo

Agora quero seguir a sugestão da professora: vou fazer outro artigo, desta vez desenvolvendo em exclusivo a questão que no primeiro era apenas introdutória.
Mãos à obra!
Sinto-me bem, há que aproveitar ;)

domingo, 13 de junho de 2010

Nota máxima... para os amigos!

Um amigo que leu o meu trabalho acha que está bom, inclusive parece que o consegui convencer de uma ideia que à partida considerava impensável. É um bom auspício.
Outro amigo, que também leu e gostou, vaticina que terei entre 17 e 18.

Nada como ter estas amizades que nos dão força e confiança, quando duvidamos de nós. Sinto-me privilegiada e imensamente agradecida.
Vale sempre a pena arriscar e dar a ler o nosso trabalho aos amigos, mesmo que eles sejam leigos nas matérias (se não forem, tanto melhor, mas isso é que é mesmo sorte!). Porque os amigos têm, em princípio, a frontalidade necessária para nos fazer ver pequenas ou grandes imperfeições, repetições, faltas de coerência, etc. Podem ajudar-nos, e muito, a melhorar os trabalhos antes da entrega final. Bem hajam!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pensando melhor...

Apesar de conhecer a lição, não aprendo.
Então não é que envio primeiro o trabalho à professora e depois é que me dou ao trabalho de o ler, para ver se tem gralhas?
Inevitável: descubro umas quantas e envio novo e-mail à profe, pedindo-lhe que substitua a versão anterior por esta, corrigida. DAAH!

Ela agradeceu e prometeu dar-me uma resposta esta semana.

Estado da 1.ª versão: ENTREGUE!

Bem ou mal, está entregue.
Não aguentei esperar e enviei-o à professora, para dizer de sua justiça. Sou assim, impulsiva e impaciente - características que não se coadunam lá muito com a investigação científica. Mas também... eu nunca acreditei que o estudo da literatura poderia ser científico ;)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Às voltas

O monitor é implacável.
A vista cansa-se.
O tempo é implacável.
O que não está a fugir-me por entre os dedos, enquanto estou a teclar, está suspenso, trocista, enquanto estou à espera de poder vir para aqui teclar.

O trabalho parece estar pronto, quando eu desejo que esteja. Mas quando olho para ele com olhos de ver, mostra-me rabinhos de fora, ideias por arrumar, desenvolver, modificar. Nunca estará pronto!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ufa!

Parece-me que posso dar por terminada a primeira versão do trabalho.
Agora é deixá-la em pousio, esperar pela reacção de um primeiro leitor isento que fez o favor de aceitar a tarefa, e atacar o outro.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ui...

Com muito cuidado, como se no interior da minha cabeça houvesse um castelo de cartas ou uma pirâmide feita com copos de cristal e o desespero fosse uma corrente de ar ou uma mão descuidada, procuro concentrar-me no texto que teimosamente tento escrever, continuando o trabalho que comecei antes de falar com a professora.
Só depois de o dar por concluído é que vou lançar-me ao segundo desafio: começar um novo artigo, seguindo a sua sugestão.

Calma.
 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Loucura

Passou-me uma ideia estapafúrdia pela cabeça. Pior: não passou, instalou-se.
 E agora não sai.
Em vez de fazer apenas o trabalho que a professora sugeriu que fizesse, e que me obriga a desperdiçar 10 páginas já escritas e que ela não chegou a ler; porque não fazer dois trabalhos: um como ela quer e o outro como eu tinha pensado?
Porque dá muito trabalho e leva mais tempo?
Mas desde quando é que eu opto pela solução mais fácil?!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Inacção

Medo de enfrentar o bicho.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mal-estar físico

É a primeira de muitas vezes, suponho.
De repente, senti-me completamente esmagada pela quantidade e diversidade de informação que preciso de reter, lembrar, relacionar, manipular. Quis encontrar uma frase que alguém escreveu algures e não fui capaz. Olhei para a multiplicidade concreta das fichas de leitura espalhadas por uma ordem insatisfatória na mesa e fiquei sem conseguir reagir. Como encontrar o que queria?
Ao mesmo tempo, o trabalho mal feito e a precisar de reescrita urgente olha-me do monitor, a reiterar a minha incapacidade para sair desta situação de impasse.
Tentei reordenar as fichas por outro critério, mas era ainda mais ineficaz do que o primeiro. De repente, senti um aperto no peito, a cabeça a andar à roda, um desespero imenso. A frase "não consigo" foi tudo o que me ocorreu verbalizar, repetidamente. Depois veio a consciência, mais nítida, mas não menos perturbadora: «estou a sentir-me fisicamente mal por causa disto».
E não vai ser a única vez...

Que novidade?

É inevitável este sentimento: perante a evidência de que já todos disseram tudo sobre o assunto, o que me resta a mim para introduzir nele, de forma a ser original e justificar assim o meu trabalho?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Horizontes mais abertos

Encontro com a professora na sexta-feira passada. Estava cansada e vim quase desmoralizada, por mais que soubesse que os seus conselhos eram bons e úteis. Precisei do fim-de-semana para me recompor. Agora, à luz desta nova segunda-feira, parece-me que aquela conversa foi fundamental: estou a fazer novas leituras, mais actuais, que me alargam os horizontes e me permitirão reformular, muito melhor, o que já fiz.

Custou-me admitir que o caminho era este. Mas agora vejo que só podia ser este!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Outros doutorandos

Hoje fui assistir ao encontro anual de doutorandos promovido por um centro de investigação ao qual o meu orientador está associado.
Gostei do ambiente. Só assisti a duas apresentações de projectos, o primeiro bastante bem organizado e explicado, o segundo surpreendentemente arredado dos objectivos, na minha opinião: porque em vez de apresentar o seu projecto, a doutoranda se limitou a ler em voz alta um artigo que escreveu para um seminário curricular.

Em todo o caso, foi uma boa experiência, porque é uma aproximação daquilo que me espera quando tiver de defender o meu projecto publicamente, frente a um júri.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Entusiasmo

É por isto, sem dúvida, que eu aqui estou.
Não é para ter o grau, para garantir o emprego, para ser mais ou melhor.
Já muito antes de saber que o grau seria fundamental por motivos profissionais, eu sonhava com o Doutoramento pela simples (?) satisfação de o fazer. Por este entusiasmo que me faz - literalmente - saltar da cadeira quando escrevo um bom parágrafo, quando me aparece uma ideia brilhante (porque brilha mesmo!), quando me sinto capaz de raciocínios novos, originais, interessantes.

E chego alegremente à página 16!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Acordando para a vida

Ontem ainda tive coragem para me pôr a trabalhar à noite, quando a criançada foi dormir. De repente, apercebi-me de que era dia 23, o dia em que tinha ficado de enviar à professora o que tivesse escrito, para que ela o pudesse ler antes do nosso encontro de dia 28, esta sexta.

Percorri o ficheiro e tive a certeza: não era ainda o momento de lhe enviar nada. Mas tinha ficado combinado!...

Gravei um ficheiro novo apenas com a parte introdutória, de seis páginas. Enviei-lhas, pedindo desculpa por ser pouco. Não havia problema nenhum, respondeu ela ao fim de pouco tempo. Desejou-me continuação de bom trabalho e eu atirei-me a isto, mexendo e remexendo, com algum receio e alguma hesitação, mas ainda assim com algum resultado. Dei por terminada a sessão quando cheguei à página 13.


 

Agora estou na BN, mais uma vez, a alimentar-me dos nutrientes necessários para poder continuar a produzir.

 

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Página 10

E eis que engreno numa ideia e me volto a entusiasmar!

Devagar se vai... perto

A escrita avança, mas muito devagar.O método está cada vez mais desorganizado, por causa das falhas de memória: agora, em vez de escrever apenas a frase que decorre da anterior, escrevo parágrafos soltos sobre isto e aquilo e deixo-os logo ali, perdidos uns a seguir aos outros, com linhas de intervalo, para que não haja o risco de me esquecer de os escrever mais tarde.
E já só falta uma semana para ir mostrar o que fiz à professora!...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Afinal...

Era mentira.
Afinal a escrita não fluiu como eu inicialmente fui levada a crer. Comecei a desgostar do que escrevera na última página e a reformular as ideias, até que, depois de ter escrito e reescrito, acabei com menos meia página do que tinha antes. Talvez tenha sido por uma boa causa, mas custa ver o trabalho a encolher nesta altura do campeonato!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Interrupção involuntária

O trabalho ficou parado tempo de mais, porque outras solicitações me chamaram.
Agora retomo-o e, ao contrário do que pensava, a escrita não emperrou, continua a fluir.
 Vamos a isso, que se faz tarde, apesar da benesse!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Benesse

Uma excelente notícia: a professora que vai corrigir o artigo deste semestre pediu para adiarmos o prazo de entrega uma semana, porque vai estar fora do país. Incrível! Desde quando é que são os professores a fazer estes pedidos?!

terça-feira, 11 de maio de 2010

A coisa vai avançando...

Estou na página 7.
Parece uma visão fria e calculista, desprendida e superficial estar assim a escrever a metro?

Pois eu gosto de escrever a metro. E não acho que esteja a escrever "palha" só por causa disso. Pelo contrário. É uma escrita suada, excitada, envolvida. Está-me a dar gosto e gozo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

De volta à BN

BN a abarrotar de gente a investigar. Quando entro na sala e observo todas aquelas pessoas concentradas, lendo e trabalhando em silêncio, dá-me vontade de gritar: «então, pessoal! Tudo a correr bem?!» - só para animar o ambiente. Faz-me sorrir vezes sem conta, esse pensamento.
Parvoíces que me ajudam a descontrair!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Viragem

Seja como for, as ideias fervilham agora cá dentro e obrigam-me a vertê-las em frases que se vão ligando e adensando em parágrafos a uma velocidade rápida, mas segura. E isso é excelente!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Escrever desde logo ou apenas no fim? A eterna questão...

O meu orientador esclareceu hoje que não é a favor de reservar o momento da escrita para o fim, depois de feitas todas as leituras. Diz ele que esse é o método tradicional, mas que julga ser proveitoso começar a escrever desde cedo, mesmo que seja para depois reformular tudo.

E eis que volto a considerar a minha falta de método como um método, apesar de tudo.
Percebo o risco, a dispersão e a incipiência da escrita precoce. Mas também vejo a vantagem de registar num esboço de trabalho as ideias que, se não forem logo vertidas num texto coerente (independente das fichas de leitura), correm o risco de se perderem para sempre...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Input

O tempo voa quando estamos entretidos com alguma coisa, sobretudo se nos dá prazer. E quando lemos? Também, se essa leitura for entusiasmada. Ou então se estivermos desesperados para assimilar conhecimento com determinado prazo à vista (data de entrega do trabalho: 7 de Junho) e ainda por cima a pagar estacionamento, que é o meu caso!

domingo, 2 de maio de 2010

Senta-levanta

Domingo de manhã. Os miúdos estão sossegados na sala, a ver televisão e a brincar. Depois de arrumar o quarto deles e a loiça do pequeno-almoço, ando pela casa a pensar que talvez pudesse trabalhar um bocadinho, uma vez que está tudo tão tranquilo.

Discretamente, venho para o escritório e ligo o computador, para tentar pôr preto no branco as ideias que se me foram definindo na mente, enquanto ainda estava na cama. Olho para a página branca do Word e para a página branca da minha memória. Varreu-se-me tudo. Mesmo assim, tento dar forma verbal a... o Vicente entra no escritório e pergunta-me o que estou a fazer, pede-me coisas, quer atenção.
Desisto, foi má ideia. É fim-de-semana, afinal!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Liga-desliga...

A minha cabeça parece um interruptor que se vai ligando e desligando sozinho.
Ora se me ilumina o cérebro, e vejo o caminho a seguir, ora fico na escuridão total, incapaz de dar um passo. Para o bem e para o mal, nehuma das situações dura muito tempo...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Discrição na dificuldade

Troquei umas mensagens de correio electrónico com a professora que está a orientar-me neste trabalho - e que o irá avaliar. No fim, ela desejou-me "continuação de bom trabalho" e isso levou-me, de imediato, a sentir que devia aproveitar a oportunidade para desabafar. Sem pensar, cliquei na opção de "responder" e já tinha escrito "na verdade, não tem sido lá muito bom, mas parece-me que é apenas uma fase" - quando algo em mim me obrigou a parar. Disse para comigo: «se é apenas uma fase, mais vale não desabafar.» Para quê dar uma imagem de insegurança e confessar-lhe que me sinto perdida, quando posso encontrar-me em breve e mostrar-lhe apenas o resultado desse encontro?
Aos amigos é que se desabafa. Aos professores mostra-se o nosso melhor!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Dou a mão à palmatória

... percebi hoje, mais claramente do que nunca, que é uma perda de tempo começar a escrever antes de ter acabado as leituras.
Depois de muito trabalho mental, consegui reescrever a minha primeira página - o que implicou ignorar por completo tudo o que havia escrito antes e agora me parece, senão absurdo, pelo menos obviamente incipiente.
Ainda há leituras por fazer e, por isso, parece que ainda não aprendi a totalidade da lição. Mas foi-me absolutamente necessário começar a relacionar ideias num documento à parte (que pode bem não vir a ser a versão final) e assim já ultrapassei o fantasma daquele trabalho mal iniciado, espécie de aberração com a qual eu achava que teria de viver.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ler e escrever

Não sei se devo ler de uma vez e depois passar as notas para a ficha de leitura no Word, ou ir lendo e tomando notas ao mesmo tempo.
Esta pergunta não tem que ver com método, mas apenas com a saúde dos meus olhos...!

domingo, 25 de abril de 2010

Eu li tudo, eu sei tudo?


Num pequeno livro de Carlos Ceia intitulado O Que É Ser Professor de Literatura (Colibri, 2002), leio o seguinte:

«Qualquer tentativa de separar o ensino e a prática da língua e da literatura está condenada ao insucesso. Não há um único caso, na história da educação ocidental, de sucesso escolar ou académico obtido com tal divisão.»

Sem querer pôr em causa a veracidade da afirmação, será legítimo que alguém (não como o autor, mas como eu) se refira assim tão categoricamente a toda a "história da educação ocidental" num trabalho de investigação? Será possível que, enquanto investigadora, alguma vez eu possa sentir-me inteiramente segura da abrangência do meu conhecimento para fazer uma afirmação deste tipo?



sexta-feira, 23 de abril de 2010

As duas fases

Hoje recebi um conselho importantíssimo de um verdadeiro mestre da investigação, que tive o prazer de conhecer e que teve a gentileza de me convidar para almoçar:

qualquer investigação deve ser dividida em duas fases: a da investigação propriamente dita, em que se lê e se elaboram fichas de leitura; e a da redacção da tese, que mais não é do que a combinação das ideias já anotadas nas fichas de leitura. A segunda fase, por essa razão, é mais breve do que a primeira.

Confesso que me custa seguir este método rigoroso e seguro. Chamem-me desorganizada, irresponsável, mas a verdade é que é raro "perder tempo" (está bem, sei que não é perder tempo) a compor fichas impecáveis, quando posso começar logo a redigir um texto, que não me importo de reformular vezes sem conta.
Porém, tenho perfeita noção de que a minha falta de método me pode custar caro e não me orgulho  especialmente dela. E como também sei que, pelo menos neste âmbito, nunca é tarde para mudar, parece-me que agora é uma boa altura para acatar o bom conselho que o destino me fez ouvir.
Bem haja, Professor Alves de Fraga!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Engrenando...

Hoje parece que as coisas engrenaram. Ou seja, comecei finalmente a poder dedicar algum tempinho do dia, embora não tanto como seria desejável, à leitura activa da bibliografia. Leitura activa no sentido em que leio e ao mesmo tempo já vou escrevinhando alguma coisa do trabalho.
Provavelmente é cedo e talvez eu tenha uma costela masoquista, mas a verdade é que consigo retirar um certo prazer da sensação de, algum tempo depois, verificar que, afinal, o que escrevi antes era uma manifestação de ingenuidade e falta de conhecimentos mais sólidos.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ainda não deu!

Dizer é fácil, fazer é que é pior... ainda não consegui nem começar a ler, quanto mais...!

Aulas para preparar e agora, só me faltava isto, tenho de assumir a coordenação de um Mestrado. Como é que querem que eu faça tudo?!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Toca a trabalhar!

O encontro com a professora correu bem. Mas a pedalada dela é de mais! Se eu digo que estou a pensar fazer três coisas, ela acrescenta uma quarta. Se eu penso desenvolver um tópico de cinco maneiras, ela acrescenta mais três. Se eu digo que acho isto, ela sugere que também devia achar aquilo e aqueloutro.

 Enfim, a senhora não brinca em serviço e nós também não estamos autorizadas a fazê-lo. Agora é começar a trabalhar a sério, porque só faltam sete semanas para a entrega definitiva deste trabalho! And the countdown begins...
 

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Prontos!

Pronto - de repente, ficou pronto e tem um aspecto sério e mais ou menos rigoroso o meu plano do próximo trabalho/artigo. Pelo menos para mim.

Para minha surpresa, quando cheguei (atrasada) à aula em que sou "turista", o professor convidou-me a partilhar o plano com as colegas e pareceu bem impressionado. Mas avisou-me: é uma tese de risco, porque há muita gente que não partilha das minhas ideias. OK...
Mas ele (futuro orientador) está de acordo comigo. Thank God!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

P.*#&"z!

Já tiveram a irritante experiência de ter lido alguma coisa a que não deram grande importância e que mais tarde querem reler, mas não sabem onde está?

Ando nisto desde as sete e meia da manhã... a tentar descobrir onde é que eu li uma frase que nem sei bem de que forma está redigida, por isso nem o "find" do Word me pode ajudar...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Texto, para onde me levas?

Decido ler uma tese de doutoramento que me parecia directamente relacionada com o trabalho que pretendo fazer.
Mas a meio desisto, porque afinal o texto não me está a levar para um lugar seguro, interessante, relevante. A viagem não é promissora e o tempo demasiado precioso para o perder com deambulações inúteis.
O assunto é dilucidado com recurso a uma vastíssima bibliografia. Mas fazer o mesmo ali se fez está fora de questão e fazer outra coisa implica que, afinal, a leitura dessa tese não me interessa assim tanto.
O problema é que, claro, posso estar enganada.

sábado, 10 de abril de 2010

Momento de descontracção

Queridas colegas, adorei tê-las cá em casa. Foi óptimo poder conversar animadamente sobre o nosso trabalho, rir da verborreia que temos de ler, exorcizar o medo de não conseguir dar conta do recado.


 Acho que vai ser muito benéfico - fundamental - repetir momentos destes, de vez em quando, para mantermos a nossa sanidade mental!
Fico muito contente por tê-las conhecido e espero que nenhuma das duas desista.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mau...

Se ontem estava perdida, hoje ainda estou mais. Procuro avançar no texto, encontrar um rumo de escrita, mas é preciso ler mais, muito mais. E não sei bem o quê!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Altos e baixos

De certeza que vai haver muitos dias assim, alternados com dias melhores: dias em que me sinto esmagada pela quantidade de livros para ler e perfeitamente incapaz de alguma vez escrever alguma coisa nova, depois de os ler. Péssimo estado de espírito. Hoje, nem a BN me ajudou, com aqueles idiotas a conversarem atrás de mim... e nem consegui mandá-los calar, como devia.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sem ideias

O que leio não me ajuda a saber o que escrever. Sinto-me perdida, até enquanto estou a ler. Para que me serve isto? Pergunto-me. Não deveria estar a ler outra coisa? Mas o quê? E entretanto, os meus olhos vão descendo pelas linhas da página impressa, mas a cabeça não está a assimilar nada. Volto ao início do parágrafo vezes sem conta. E a pergunta ecoa incessantemente: para quê?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

BN expulsa leitores às 13 horas

Consegui ir para a BN mais cedo do que imaginava. Com um filho no infantário e o outro em casa da avó, toca a ler!

Mas eis que... não foi por muito tempo. As funcionárias da BN não conseguiam (nem tentavam, decerto) esconder o seu ar de satisfação. Fiquei esclarecida assim que cheguei, pelas 10h.30m.: «à uma hora queremos toda a gente fora!»

Fiz uma leitura apressada, mas ainda assim agradável. Saí contrafeita, dez minutos antes da hora da expulsão, para a evitar. E o resto do livro vai ter de ficar para a próxima semana, «porque o senhor ministro deu autorização». Boas férias da Páscoa, funcionários da BN!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Férias inoportunas

Seriam excelentes, se eu pudesse ir para a BN ler. Neste momento, é o que preciso de fazer, visto que não tenho os livros em casa. Mas as férias deixam-me agarrada aos filhos, o que é bom, mas improdutivo! Só espero ter tempo de preparar a apresentação do meu plano de trabalho que é suposto fazer no dia 16!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Achada

É preciso começar pelas leituras, claro. Mas quais?
Ah, sim...

Obrigada, Google!

terça-feira, 23 de março de 2010

Perdida

Confesso que me sinto perdida, neste momento.
Não sei por onde começar a planificar o meu próximo trabalho.

Isto passa!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Alento

Qualquer mensagem de alento é óptima, mas uma mensagem do meu futuro orientador a dizer que o meu trabalho lhe pareceu um excelente começo de tese é melhor ainda!

terça-feira, 16 de março de 2010

Aulas anglo-saxónicas

Foi bom ter ido à aula, mas saio algo desiludida com a metodologia do professor.
Tendo em conta que se trata de um curso de doutoramento, ou seja, que os alunos já sabem muito (supostamente), optou pelo método anglo-saxónico, que é uma espécie de "mesa-redonda" em que se discutem as ideias dos textos lidos previamente, e os alunos falam tanto como o professor. 
Conheço o estilo, porque frequentei um curso de mestrado em Inglaterra, mas não era nada disso que eu pretendia agora.
Queria aprender, com um professor a explicar coisas. Simples, tradicional.

Serei ingénua? Ou estarei a pedir demasiado?!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Olhos à obra!

Entusiasmadamente a ler e a tirar notas dos preciosos livros que a professora me emprestou, para os poder devolver no dia 16 de Abril.

domingo, 14 de março de 2010

Ouro sobre azul

Consegui mudar o meu horário de forma a poder assistir às aulas do meu orientador. E esta? A faculdade permite-me ir assistir ao seminário de outro curso de doutoramento, desde que o professor não se importe.
Excelente: vou lá, beneficio dos ensinamentos do profe e não preciso de fazer nenhuns trabalhos para ele, porque sou mera turista. Entretanto, tenho a tutoria com a profe do meu departamento.
Ouro sobre azul!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Abordagem profissional

Não sei o que se espera de um professor responsável por uma tutoria (em substituição de um seminário que seria leccionado por vários docentes, se houvesse mais do que 5 alunos inscritos), que está de licença sabática e teve recentes problemas de saúde. Mas sei o que eu esperava: muito menos do que aquilo que recebi.
A professora recebeu-me hoje, a mim e à minha colega, com uma extensa bibliografia que teve o cuidado de preparar para nós, tendo em conta a investigação que lhe dissemos que queríamos fazer. Basicamente, fez por nós um dos trabalhos iniciais mais difíceis e ainda teve a preocupação de comentar todos os títulos, referindo-se ao conteúdo e às razões por que nos deveriam interessar. Para além disso, levou alguns livros para me emprestar (só trouxe 3, porque achei que 6 era um abuso!) e ainda nos informou que tem outros, se precisarmos.
Dizer que ela foi muito profissional talvez roce o absurdo, porque ela É uma profissional. Mas, como sabemos, há inúmeros profissionais que o são apenas de nome, mas não de atitude nem de competência. Por isso, fiquei agradavelmente surpreendida. E nada arrependida de me ver, afinal, ali, naquele curso, naquela especialidade, com aquela professora. Exigente, franca, simpática. Vou gostar de trabalhar para ela, embora pressinta que poderá ser uma lição dura de aprender. Porque eu tenho mesmo muito que aprender!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Aulas a que não irei

O meu orientador vai dar aulas num outro curso de doutoramento e fez um programa como deve ser.
Organizou-o de acordo com os tópicos que serão abordados em cada sessão e fornece referências bibliográficas específicas para cada aula, com as ligações para as páginas da Internet onde os textos estão disponíveis, quando esse é o caso.
Que pena eu não poder ir assistir às aulas dele...! Mas ao menos fico com uma ideia do que se passa e posso ler a bibliografia.

terça-feira, 9 de março de 2010

Enxertos e próteses II

Quero enviar o meu primeiro trabalho ao orientador, mas como sei que não está perfeito e recebi ajuda para poder melhorá-lo, quero fazer-lhe antes algumas alterações. A dúvida permanecerá, quando acabar: ficou na mesma, pior ou, como se pretendia, melhorou?
Pelo menos agora não é para receber uma nota! E depois de o reler e repensar, acho que 18 foi uma classificação muito generosa...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Sobreposição de especialidades

Falei com a professora do seminário de especialidade. Contei-lhe que há uma lacuna na minha formação anterior que gostaria de preencher com aulas, como nos velhos tempos. E como ela só tem duas alunas e o suposto seminário vai funcionar apenas em regime de tutoria (whatever that means...), perguntei-lhe o que achava de me inscrever num seminário semelhante, que será leccionado pelo meu orientador. Ela deu-me todo o apoio e, parece-me, ficou satisfeita por se ver livre de uma tutoria (pela qual não será paga, ao que parece).
Mas o gabinete de "apoio técnico" não me deixa inscrever-me noutra especialidade, doutro curso de doutoramento. Faz sentido. Se quiser mudar, tenho de esperar um ano e depois arrisco-me a ter de fazer outros seminários ainda. Não vale a pena.
Expliquei que gostaria de assistir a AULAS. «Mas pode ir assistir às aulas do seu orientador», esclareceu a funcionária. Ai sim? Excelente! O pior é que, por azar, são no mesmo dia e à mesma hora em que dou aulas... shit!

segunda-feira, 1 de março de 2010

O maior desafio

O doutoramento é a grande sombra dos meus dias, o bicho-papão, o desafio omnipresente. Acordo a pensar nele, adormeço a pensar nele. Cada objectivo mais imediato impõe-se como aquilo que de mais importante eu preciso de fazer na vida, a prioridade, a suma responsabilidade.

Mas é tudo ilusão. É o bicho-papão a querer enganar-me, a tentar sugar-me a energia e a atenção para seu exclusivo benefício. Porque o mais importante são os meus filhos.
Educá-los é um desafio maior, muito mais importante e com consequências mais duradouras e relevantes. É preciso não esquecer isso, sobretudo quando o papão me mantém sentada ao computador, ou alheada do que se passa com eles, como se fosse um outro filho, mimado e prepotente.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Próximo passo

Encontro com a professora do seminário de especialidade. Quarta-feira. As aulas serão dadas em regime de tutoria, uma vez que há menos de cinco alunos inscritos. Mas, garante a coordenadora, a sua qualidade não será por isso posta em causa.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Primeira nota

Fui à página web da faculdade, entrei na "secretaria virtual" e lá estava: 18 valores. Ufa!
Agora vou alterar o artigo, de acordo com as preciosas sugestões do professor avaliador, e enviá-lo para o meu futuro orientador, que tem pouco tempo para o ler, mas, quanto a mim, deve fazê-lo. Afinal, é provável que venha a fazer parte da tese.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Awkward moment

Lá fui, falar com o professor que avaliou o meu trabalho.

Conversa muito agradável, achei muito acertados os seus comentários e percebi perfeitamente as suas críticas. Fiquei sem saber a que nota corresponderia o tal "muito bom", mas acho que só é suposto saber no dia 26, a data-limite para serem divulgadas as avaliações.

O complicado foi a seguir. Falei com ele sobre a minha intenção de trocar o seminário de especialidade pelo que será leccionado pelo meu orientador noutro departamento e a coordenadora não gostou que ele fosse falar com ela depois, para interceder por mim. Eu não a deveria ter ultrapassado, mas a conversa surgiu espontaneamente e, quando ele se ofereceu para falar com ela sobre o assunto, eu aceitei alegremente. Nunca pensei que ela fosse ficar melindrada com isso. Trocámos umas mensagens um pouco azedas, mas depois telefonei-lhe e a coisa compôs-se, acho eu.
Percebi que ela não vê com bons olhos a minha vontade de fugir para o outro departamento, parece-me que encara isso como um sinal de insatisfação ou desconfiança em relação ao trabalho dos professores dali. E confesso que, depois de ter conversado com ela, acabei por ficar baralhada. Já não sei o que hei-de fazer.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ouvi dizer...

Que as aulas dadas no curso de Doutoramento não "contam" para os horários/remunerações dos professores. É praticamente uma confirmação das minhas suspeitas...

Alívio

O professor escreveu-me, finalmente, a dizer que o trabalho está "muito bom", mas tem comentários a fazer. Esta semana irei à faculdade para uma conversa para a qual, fiquei a saber enquanto trocávamos disponibilidades horárias, meia hora não chega. Estou intrigada!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O facilmente difícil

A faculdade disponibiliza, no portal Internet, um modelo de formatação do trabalho final a entregar no fim do próximo semestre, e também nos informa sobre os requisitos de conteúdo, o limite de páginas e o número de cópias a entregar (3 em papel e uma digital). Está tudo tão facilitado, que até parece uma tarefa simples!

Mas na verdade, vai ser complicado, pelo menos para mim, que ainda nem sei muito bem o que pretendo. É preciso ter uma ideia muito clara a esse respeito e saber exactamente o que já foi feito na mesma área, porque o trabalho consiste precisamente em explicar isso: o que me proponho fazer e qual o estado actual da investigação nesse campo.

Quem me ajuda? (Pergunta retórica, claro).
Acho que só precisava de conversar com alguém que me desse umas luzes, que me fizesse pensar. Não quero que me dêem ideias feitas, apenas a inspiração para que elas me surjam!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

E a avaliação?

Se viu o meu trabalho no fim-de-semana passado, o Professor continua sem dar notícias.

Bolas!

Tutor encontrado

Afinal, devo ter percebido mal. A Coordenadora assumiu-se como minha tutora e foi por isso que não indicou ninguém. Talvez lhe deva um pedido de desculpas por presumir que ela tinha falhado em apontar um tutor para mim!

Tutor precisa-se

Em Setembro, disseram-me que me seria indicado um tutor no início do curso e que esse professor me acompanharia na primeira fase do curso, isto é, ao longo do primeiro ano de estudos.

Estamos em Fevereiro e, tanto quanto me lembro, nenhum tutor me foi indicado. Até aqui, não precisei dele, mas agora começa fazer falta alguém que me possa dar uma ajuda na elaboração do Trabalho Final. Note-se que o orientador da tese só será formalmente apontado depois de o Trabalho Final ser entregue - trabalho este que constitui o primeiro capítulo da tese...

Makes sense, doesn't it?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Resposta

Recebi resposta breve do professor, confessando que ainda não leu o trabalho. Promete lê-lo no fim-de-semana e aconselha-me a não ficar ansiosa.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Saber ou não, eis a questão

Fartei-me de esperar.
Enviei mensagem electrónica ao professor a perguntar se já tinha notícias para mim.

Algo me diz que os tempos de ignorância são mais felizes, mas ao mesmo tempo começo a ficar farta de não saber o que tenho de saber.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Jantar de turma reduzida

Só vai quem quer, por isso fomos só três.
E estivemos tão animadamente à conversa, que ficámos sentadas na mesa do restaurante desde as oito e meia até à meia-noite. Eu, pelo menos, não dei pelo tempo que passou.
Gostei de conhecer melhor as minhas duas colegas e espero que outros jantares entre nós se repitam!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Adeus, avô

Hoje, quando ia dar o almoço ao meu avô, no hospital, fui surpreendida pela notícia da sua morte.

Sei que ele tinha muito orgulho em mim, por estar a fazer o doutoramento. Obrigada, avô! O seu apoio, mesmo silencioso, sempre significou muito para mim. E vai continuar a significar!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Então?

Será que demora assim tanto ler um trabalho de 25 páginas?
Quanto tempo mais vou ter de esperar para saber se está mau ou bom?!

Era suposto sabermos as notas até ao dia 30, mas entretanto o calendário lectivo foi alterado (adiamentos a todos os níveis...). Quanto aos moldes em que deve ser feito e apresentado o trabalho final do 2.º semestre, a coordenadora escreve estas palavras tipicamente vagas: «veremos depois das avaliações deste semestre»... enfim, o costume.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tempo de espera

Parece estranho não fazer nada para o doutoramento. Talvez devesse estar a ler alguma coisa...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A turma

Parece simpática e heterogénea qb.
Sugeri organizar-se um jantar para comemorar a finalização da primeira etapa (entrega dos trabalhos do 1.º Semestre), mas houve poucas reacções de adesão (duas) e uma esmagadora indiferença (cerca de 20 colegas).
Piu.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ufa!

Entreguei o primeiro trabalho, o artigo que andei a escrever essencialmente durante a pausa do Natal, até à semana passada.
Ainda tinha mais dois dias antes do prazo limite, mas já não podia enfrentar a coisa. Já me era impossível avaliar se o que estava escrito devia ser melhorado, se o que arriscava alterar melhorava ou piorava a forma e o conteúdo anterior. Não valia a pena insistir. Está entegue, seja o que o professor quiser. Estou nas suas mãos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ponto de saturação

Inútil, a certa altura, ler mais, na esperança de ainda poder melhorar o que fiz.
O trabalho está feito e saber se o professor acha que está bem feito é impossível.

Ponderei enviar-lhe um e-mail a pedir que desse uma vista de olhos no texto e me dissesse se está bom ou se precisa de ser melhorado antes da entrega definitiva.
Mas agora sou professora e sei que isso é tão razoável como querer saber o número que vai sair na lotaria antes de comprar o bilhete. (Quando era só aluna também sabia que não era razoável, mas gostava de ser pouco razoável).

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Até que enfim!

Chegou hoje, com mais de um mês de atraso, a resposta da faculdade sobre o meu pedido de creditação dos seminários do Mestrado. Ao contrário do que a Coordenadora tanto repetiu ("vai ter a totalidade dos créditos, por isso não vai precisar de fazer nenhum seminário"), não tive direito à totalidade dos créditos, o que significa que devo fazer dois, dos quatro seminários.
Na altura em que fiz o pedido, paguei 40 euros e disseram-me que cada crédito custava 10. Ou seja, ainda teria de pagar os restantes 360 euros, se me fossem concedidos os 40 créditos. Entretanto, parece que saiu uma lei que torna as creditações gratuitas. Resta saber se a faculdade me vai devolver os 40 euros que me sacou...


Reavanço

Reavancei, voltei às 26 páginas e imprimi-o.
Tem bom aspecto, a coisa. Mas é só gráfico!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Retrocesso

Estava pronto, eu estava satisfeita, e eis que leio mais umas coisas.
Isto deve ser frequente: leituras que vêm pôr em causa o que já se escreveu. Pensamento positivo: ainda bem que isto acontece agora, enquanto há tempo. Volto ao artigo, apago muita coisa que já não faz sentido. Tento introduzir coisas que fazem mais sentido, mas acaba tudo numa confusão e fico com menos duas páginas. Assinalo a amarelo as partes que ficaram coxas.
Amanhã tenho de voltar a este imbróglio...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mexo... não mexo?

Cheguei a um ponto próximo da saturação.
Já não sou capaz de perceber se aquilo que estou a acrescentar e a modificar, sempre que leio o que escrevi, melhora ou piora o texto.
Próximo da saturação, mas não o ponto da saturação.
Porque, mesmo sem saber se é boa ideia, ainda não sou capaz de ler sem mexer. Só sou capaz de suspeitar que talvez não seja boa ideia.
Isto percebe-se?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Mexo!

Mexi, remexi e voltei a mexer. E, ou muito me engano, ou o resultado é melhor.
Arriscar, nesta fase, é importante, acho eu. Fiquei com mais duas páginas, mas não me parece que sejam de palha. É claro que uma opinião alheia viria a calhar, mas isso...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Final não final

Acabar, acabei. Melhor: esgotei a minha possibilidade de escrever um texto coerente. Mas talvez não me devesse ficar por aqui. Agora, resta-me, portanto, a parte mais difícil: voltar atrás e encher cuidadosamente o esqueleto com mais carne, onde ela faz falta.

Das 23 às 3

É quando se trabalha melhor.
Por muito que custe ficar acordada a estas horas, sabendo que o dia seguinte começa cedo, vale a pena.
Estamos em 21 páginas. É obra!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Troca de "emílios"

Ter uma colega com quem desabafar umas coisas é sempre bom. É alguém que nos compreende, que sabe o que estamos a fazer e o que nos custa:
a) ter sempre alguém a perguntar o que raio estamos a fazer;
b) não ter ninguém que queira realmente saber o que estamos a fazer.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pausa forçada

Passei o dia todo no hospital, a ver se resolvo este estúpido problema do inchaço dos olhos e da vermelhidão comichosa da cara. Levei duas injecções de anti-histamínicos, mas não adiantou grande coisa.
Agora, dose cavalar de corticóides e mais umas coisas.
O pior é o sono que estas drogas dão!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Enxertos e próteses

Parece um milagre. Cada vez que abro o ficheiro com o texto, vejo uma ligação diferente entre as ideias. Tiro parágrafos daqui e ponho-os antes ali... e não é que o conjunto passa a fazer mais sentido?

Muitas vezes sinto que estou a trabalhar sem método, que com essa impulsividade ponho em risco o rigor e a seriedade do trabalho. Mas olho para o resultado do meu anti-método e não me consigo convencer de que não tem funcionado...
...e já estou na página 17!

Agora explica-me, pele da minha cara: porque continuas atopicamente comichosa?

domingo, 27 de dezembro de 2009

Leitor precisa-se

O problema... são vários, claro. Mas um dos problemas nesta fase é não saber se aquilo que escrevi até agora se aproveita, é válido, ou é uma porcaria.
Basicamente, precisava de alguém de confiança, que percebesse do assunto e tivesse a noção do grau de exigência de um trabalho deste tipo para ler o que escrevi e opinar. Preciso de saber se deveria reformular tudo ou simplesmente continuar.
Todos os guias de trabalhos académicos nos aconselham a dá-los a ler a alguém antes de os submeter à avaliação. Não nos dizem é onde encontramos esses leitores beneméritos!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Avanço

O artigo já vai na página 11. Como é possível ter chegado até aqui?
Não tem sido uma questão de imaginação, acho mesmo que estou demasiado presa àquilo que tenho lido. Tenho de me libertar e escrever por mim, sob pena de me colar aos outros, coisa que detestaria fazer, até porque sei que tenho capacidade para inventar. Parece-me que é, sobretudo, uma questão de receio. Receio de que as minhas ideias não sejam suficientemente válidas para se imporem sozinhas, sem o recurso à voz dos mais sábios.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Orgulho infame

Os dois últimos parágrafos do que escrevi hoje são para o lixo e custa-me admiti-lo. São para apagar porque neles, além de fazer uma crítica negativa a alguém com muito mais saber e autoridade do que eu, não adianto nada no meu trabalho com isso. Mas como acho que tenho razão na crítica que faço, custa-me apagá-la.

De castigo, vou deitar-me e obrigar-me a repetir, até adormecer: se acho que o que os outros fizeram está mal feito, em vez de os criticar, esforço-me por fazer melhor.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Há dias assim

Na vida de um doutorando, de certeza que há dias como este, em que li teses de outras pessoas e fiquei a pensar que nunca serei capaz de chegar a concluir a minha.
Não desespero ainda, porque sei que toda a gente passa por isso (e decerto muitas vezes, ao longo dos anos que o doutoramento nos consome), é normal. Estanho seria nunca duvidar da minha capacidade para concluir tão laboriosa e difícil tarefa.
Mas fiquei triste, porque na vez anterior o dia passado na BN me tinha sabido muito bem. Estava confiante, optimista, cheia de vontade de continuar. Hoje saí de lá aliviada por vir para casa brincar com os filhos, esquecer tudo o que me tinha ocupado a cabeça durante aquelas opressivas horas.
Amanhã será um dia diferente!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Escrita em dia

O artigo vai tomando forma. Já não é apenas uma página insegura, receosa de se ver reduzida a uma simples linha, após uma reconsideração cuidadosa e implacável, mas quatro páginas bem recheadas de notas de rodapé, que ora sustentam por meio da autoridade de vozes alheias todas as afirmações minimamente discutíveis, ora referenciam devidamente as fontes de afirmações já feitas por outros.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Não aguentar os cavalos

A minha desobediência de mim própria é desconcertante.
Escrevo que vou ter calma, que vou esperar e ler mais e, no minuto seguinte, começo a escrever.
Sai-me uma página, uma página inaugural espremida em quase duas horas de muita hesitação, em que cada palavra parecia um actor inseguro, como se este,  depois de entrar no palco, se desse conta de que não estava pronto e voltasse para trás da cortina, para ser substituído por outro. Com uma pergunta constantemente na cabeça («o que é que o professor avaliador vai achar disto?»), fui apagando e escrevendo, apagando e reescrevendo, até que lá consegui encher um página da qual, muito provavelmente, dentro de alguns dias, nada se aproveitará.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Aguentar os cavalos

Por mais que me apeteça começar a escrever o meu próprio texto, o meu primeiro ensaio de tese, o meu voo inaugural para fora da citação, os dedos param a milímetros do teclado e reflicto: ainda é cedo.

Há mais leituras para fazer. Começar já seria uma leviandade e, muito provavelmente teria de ser corrigida mais à frente. Não vale a pena, digo-me. Aguenta as ideias, lê mais e vê se elas continuam a ter pernas para andar, daqui a mais umas leituras.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Crianças vs artigo

As crianças estão em casa e o artigo em construção não consegue compatibilizar-se com elas.


Não posso deixar de invejar os colegas mais velhos, cujos filhos já não passam o tempo a pedir brinquedos e atenção.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Como dar melhor do que o melhor?

Último recado da coordenadora sobre os nossos artigos: deverão ser do género dos que fizemos durante o curso de Mestrado, mas, uma vez que agora estamos no Doutoramento, com mais conhecimentos, mais aprofundados.

Sinceramente, não sei fazer melhor do que fiz no Mestrado. Releio o que escrevi na altura e encolho-me perante a erudição que transparece daquilo, perante a quantidade de títulos da bibliografia, que agora pouco ou nada me dizem, passados dez anos.
Único consolo: pensar que os outros também se sentirão assim, não só perante os seus trabalhos, que lhes parecerão escritos por um sábio que não reconhecem em si próprios, mas perante os textos académicos alheios, cuja pomposa verborreia parece sempre evidenciar uma saturação de conhecimentos, mesmo quando assim não é.

O segredo, portanto, está na verborreia.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Finalmente: um dia na BN

Ah! Que maravilha!
Nunca pensei sentir-me tão bem na grande e silenciosa BN.
A verdade é que me tinha esquecido de como se está bem naquele ambiente tranquilo, em que tudo e todos cumprem o mesmo objectivo: a leitura.
Chamem-lhe sarcófago, digam o que disserem, a BN é o melhor ambiente de trabalho que eu poderia desejar. Até os funcionários parecem estar mais simpáticos, se bem que nem a antipatia deles me incomodaria um pedacinho. É que na BN o meu telefone não toca e, melhor ainda, não há camas para fazer, loiça para lavar, roupa para dobrar ou refeições para cozinhar! É a liberdade total e todo o tempo que eu quiser para, simplesmente, LER. Sem distracções, sem desculpas, sem rodeios.
Como resultado, despachei o Sílvio Lima de uma assentada - literalmente! - e ainda ataquei os Cadernos (obrigada, Papel Químico, mas parece que já não vou precisar dos teus!).
Mal posso esperar pela próxima sessão de retiro espitirual.
Sobretudo - e acima do ambiente - estar na BN permitiu-me recuperar aquela sensação de prazer enorme que se tem quando aquilo que estamos a ler se relaciona com o já lido, e começamos a tecer na cabeça uma rede tão envolvente de relações e ideias, que nos abstraímos por completo do tempo, do espaço, quase de quem somos. E construir um texto académico é isto: criar uma rede de raciocícios que liga, de uma forma nova e original, os raciocínios alheios. Citamos, não para nos colarmos aos outros e assim escondermos a falta de ideias próprias, mas para mostrar como os outros dialogam entre si, sem suspeitarem disso, na medida em que existe entre as suas ideias uma ligação que NÓS DESCOBRIMOS.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Acabou-se a procrastinação

Andei para aqui a dizer mal do curso, agora é bem feito: afinal não vou ter direito aos 40 créditos pelo Mestrado, mas apenas a 20 (o que já é uma sorte!). Isto significa que, dos 4 seminários deste ano, tenho de fazer dois. Portanto, agora não há desculpas para protelar a escrita do artigo para avaliação, a entregar em Janeiro.
O meu problema não é tanto a escrita, mas tudo o que tenho de ler antes de poder começar a teclar furiosamente, para preencher 15 páginas de brancura. Se por um lado me faltam ideias para começar já a criar o meu texto, por outro (é giro:) assim que começo a ler, dá-me logo vontade de começar a escrever, inspirada pelo que leio!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Não é por nada...

... mas a mim parece-me que é para não terem de pôr mais professores a dar aulas (ou os mesmos professores a dar mais aulas) no curso de doutoramento que o mês de Janeiro ficou reservado para as avaliações.
Quer isto dizer que, num semestre que supostamente tem 15 semanas, só há aulas durante 9 (amanhã é o último dia). As próximas aulas são para os alunos apresentarem os seus trabalhos.
Pois! Obrigadinha... Só espero que alguns alunos tenham de facto os trabalhos prontos no dia 8!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A ficha de leitura

A ficha de leitura é um instrumento fundamental de trabalho, mas é pessoal na medida em que cada um a faz de acordo com as suas necessidades, os seus objectivos e até os seus gostos.
Eu, por exemplo, nunca fui de comprar aqueles cartõezinhos com linhas (parecidos com as fichas bibliográficas, mas maiores) que os meus professores pareciam considerar material sine qua non para fazer fichas de leitura dos textos que liam.
Se o grande propósito da ficha de leitura é registar o que nos interessa do que lemos, de forma a evitar termos de ler tudo novamente para o encontrar, então qualquer papel serve, desde que seja prático e eficaz.
Portanto, hoje voltei ao meu antigo método do mestrado: papel A/4 com linhas e numerado à mão. Vou aproveitar o caderno dos seminários (que acabam na próxima semana) e... mãos à obra!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Artigo 1

Depois de a minha pele à roda dos olhos ter manifestado o primeiro ataque de ansiedade claramente causado pelo doutoramento, decidi: não posso continuar a permitir que o pânico aumente por não saber o que vai ser da minha vida nos próximos dois meses, no que respeita aos seminários (por outras palavras, se a maldita creditação me vai permitir livrar-me deles ou não). Se tenho de esperar mais uma semana para saber notícias sobre o processo, não posso esperar de braços cruzados e arriscar-me a perder ainda mais tempo, caso a avaliação seja obrigatória.
Pensei num tema para um artigo, que foi rapidamente aprovado pelo orientador, e preparei uma bibliografia. Agora vou lendo os textos que já tenho, enquanto espero que a Amazon me envie os outros. Aquele primeiro continua intransponível, mas o segundo, que chegou ontem, é mais compreensível para mim. E com o trabalho encarrilado, os sinais exteriores de ansiedade começaram logo a melhorar! O corpo é realmente uma máquina fascinante...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Reencontro

As aulas dos seminários de hoje foram dadas pelos meus professores preferidos da licenciatura, cujas aulas tive o prazer de frequentar há... 19 ANOS????

Estou chocada.


Em todo o caso, e choques à parte, foi muito bom revê-los e sobretudo... reouvi-los.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Leitura difícil

A verdade é que não vejo grande interesse no texto. Se eu soubesse, ou sentisse, que o conteúdo que mal consigo descortinar naquelas linhas é importante para mim, talvez me aplicasse mais na leitura.
E agora vejo, na prática, o que explico em teoria aos meus alunos: se o leitor não sabe o que se espera dele, se não tem uma tarefa de leitura objectiva, pode sentir-se fortemente desmotivado perante o texto. Ah, pois pode!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Boi a olhar para palácio

É como me sinto, quando tento ler o texto «The essay as form» de Theodor Adorno. Uma frustração! Percebo as palavras, mas escapa-me o sentido de frases sucessivas, como se todo aquele discurso estivesse muito acima da minha capacidade intelectual. E deve estar mesmo. Por isso pergunto-me, pela primeira vez de muitas: será que vou conseguir fazer isto?

sábado, 28 de novembro de 2009

Uma ilustre visita

Veio ler este blogue uma ilustre visita, que eu já tinha tido a felicidade de conhecer noutros lugares virtuais, e que agora fiquei a saber ser professor de Metodologias de Investigação.
Fez-me lembrar o meu primeiro mestre nesta área, o Professor Artur Anselmo (que o L. Alves de Fraga talvez conheça) e fiquei agradecida pelos seus bons conselhos.
Mas o que escrevi nos comentários é verdade: apesar de poder parecer leviana e despropositada a minha intenção de encontrar um título para a tese neste primeiro ano do curso, a verdade é que o meu trabalho não está propriamente no início. Trata-se, antes de reciclar e aumentar um estudo que fiz em tempos e que me deu, há anos, a vontade de concretizar este sonho.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Iupiiii!

Acabaram-se os relatórios!!
Recebi resposta da coordenadora a dizer que, independentemente de o meu pedido de creditação ser deferido, não preciso de entregar mais relatórios, pois os que fiz já demonstram que tenho capacidade de síntese. E esta, hein?!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Título

O título do trabalho final de investigação deve ser sugestivo e rigoroso ao mesmo tempo, além de original, claro.
Ocorreu-me um, mas como ainda não escrevi uma linha para a tese, talvez seja cedo para pensar que é definitivo. Em todo o caso, aponto-o. Pode vir a ser perfeito!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sono

Perante a imensidão do trabalho que tenho pela frente, senti-me perdida e... fui dormir.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A má biblioteca que temos

Numa aula dedicada ao tema das bibliotecas (por causa do conto de Borges e de um outro, que lemos e comparámos - interessante), falou-se de bons e de maus exemplos. A nossa Nacional foi referida como mau exemplo por uma série de razões: o leitor, em lugar de ser bem acolhido, é tratado como um intruso, o tempo de espera pelos livros é imenso, as fotocópias custam os olhos da cara, etc.
Depois dessa aula, em que na verdade não aprendi nada que não soubesse sobre a BN, ainda tenho menos vontade de ir para lá. Mas preciso de me mentalizar, porque não tenho outro remédio senão passar dias inteiros enfiada na sala dos microfilmes, a ler as tais teses que já existem sobre o tema que me interessa. Haja paciência!

sábado, 21 de novembro de 2009

O problema da tese

Por mais que precise de não me preocupar, preocupo-me.

Se bem me lembro, quando estava a frequentar a parte curricular do mestrado nunca me preocupei com o facto de não ter uma ideia do que iria fazer na tese. Pelo contrário, achei natural e vantajoso aguardar que os seminários me inspirassem. E inspiraram. Nunca duvidei da minha capacidade para, no momento certo (e não tarde de mais) ter a ideia, ver a luz.
Agora, invejo quem fui.
Não sou capaz de assistir aos seminários com essa tranquilidade, com essa confiança, aguardando pacientemente pelo momento do clique. Lá bem no fundo, dentro da minha cabecinha, há sempre uma voz a dizer: «toda a gente já tem uma ideia, já está a avançar com a tese. Menos tu, minha choné. Então?! O que é que vai ser? Não há tempo para esperar!»
Às vezes sou capaz de responder: «cala-te! Claro que há tempo. Tem paciência, está bem? Acalma-te, senão já sabes que ficas com os olhos todos esquisitos e comichão nas pálpebras. É isso que queres?» Mas outras vezes começo a ceder ao pânico, a dar ouvidos à voz. E a única coisa que me apetece fazer é dormir.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Falta

Pronto, "baldei-me" a uma aula.
Nunca gostei de faltar às aulas, nem mesmo no liceu. Quando cedia à vontade dos meus colegas, só para não me sentir excluída da turma, sentia-me excluída de mim própria, por estar a agir contra a minha vontade. É que eu penso que as aulas valem sempre a pena, mesmo que quando é para concluir que não valeram a pena - não sei se me explico.
Neste caso, faltar à aula foi desperdiçar a oportunidade de fazer um dos 4 relatórios obrigatórios para avaliação. E porque desperdicei eu essa oportunidade? Porque não havia o primeiro seminário (profe doente) e o segundo era com uma professora que eu já tinha ouvido na aula anterior e sabia que não tinha nada de especial para dizer. Nem o tema me interessava, nem me apetecia sair de casa com chuva para a ouvir das 20 às 22. Quanto ao relatório, pensei: que se lixe! É provável que consiga a creditação e nem tenha de fazer este seminário.
No entanto, ficou-me um sentimentozinho de culpa, como se tivesse faltado ao respeito à pobre senhora, que foi lá dar o seu melhor. Mas isso é estúpido! Nem eu tenho de me sentir culpada, nem ela foi lá dar o seu melhor, provavelmente...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Leituras

Acumulam-se na minha primeira bibliografia títulos de livros ou teses que ainda não li.
Em vez disso, leio o Priorado do Cifrão, que não interessa nada, mas que me diverte.
Porque é que as leituras de obrigação, só por serem de obrigação, nunca apetecem?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Primeira pesquisa bibliográfica

Antes de mais, é fundamental ver que teses já foram publicadas sobre o mesmo assunto. Preparei-me mentalmente para encontrar títulos muito parecidos com aquele que eu sonhei para a minha, respirei fundo e abri o catálogo da Porbase.
Fiquei impressionada com a eficácia da coisa: num instante se cria uma lista que se pode enviar por e-mail (para nós próprios), o que permite assim, facilmente, importar os dados para um ficheiro no Word e ficar com um primeiro esboço da bibliografia.
Quanto às teses, era inevitável... existem 6  :(

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tábua de salvação

Se não tivesse a possibilidade de recorrer ao meu orientador de Mestrado, que prontamente aceitou voltar a trabalhar comigo, por esta altura já estaria em vias de desesperar.
A professora do departamento que se ofereceu para me orientar não tem pinta de quem gostaria que eu escolhesse o tema que escolhi, é quase de certeza das que preferem que se trabalhem autores mortos e enterrados. Mas o meu antigo professor não é assim, felizmente. E ontem, depois de ter ido falar com ele (pela primeira vez, desde que aceitou orientar-me), senti-me como um náufrago que, finalmente, consegue agarrar-se a um pedaço de algo flutuante!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Caim

Acabei de o ler. Tem duas ou três passagens que me vão interessar para a tese, se a chegar a escrever (nunca se sabe). Sinceramente, estava à espera de algo mais surpreendente, mais abalador. Se a Igreja se revolta tanto contra aquilo que condena como sendo uma "manobra" para vender livros, eu acho que é a própria Igreja, ao dar tanta importância ao que Saramago diz sobre o que escreve, que o ajuda a vender.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Jogando pelo seguro

Pronto, está bem, eu continuo a fazer os relatórios. Afinal, nem sei se vou conseguir a creditação (e, caso a consiga, quando é que isso vai acontecer), nem sei se terei de pagar ou não para me livrar de frequentar os seminários.
Se não sair o tal despacho que torna gratuitas as creditações, vou mesmo ter de ser avaliada por estes seminários, por isso é melhor ir agindo como se nada fosse, ou seja, ir prevenindo e entregando os relatórios atempadamente.
Se no fim de contas não servirem para nada, paciência. Servem para me moer a paciência. Uma espécie de provação... faz sempre bem. It builds character!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Encruzilhada

Cara professora coordenadora,

pelo que me disse, é muito provável que eu consiga obter a creditação necessária para não precisar de frequentar os seminários em que estou inscrita. Assim sendo, não precisarei de continuar a preparar relatórios para avaliação, certo?
Neste momento, confesso, não sei o que hei-de fazer: se me atiro à aborrecida tarefa de redigir os dois relatórios das aulas de ontem, se faço outras coisas bem mais urgentes que tenho para fazer.
Por favor, não me dê mais uma resposta vaga, do tipo "soube que está para sair uma lei que vai tornar a creditação gratuita, mas não tenho a certeza". Diga-me, de uma vez por todas, que NÃO É PRECISO ESCREVER MAIS NENHUM RELATÓRIO INÚTIL!
Obrigada.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Verba volant...

Hoje a experiência foi mais intensa. As professoras conquistaram-me pela forma arrebatada com que discorreram energica e ininterruptamente sobre os seus temas. Senti, no entanto, uma certa angústia antecipada, a certeza de que nunca lhes chegarei aos calcanhares em erudição e capacidade de reter tudo quanto foi lido, visto, pensado, analisado.
As suas palavras voaram pelas duas horas em que cada uma nos inundou de ideias, leituras, sugestões, implicações, saber, referências. Difícil registar tudo o que disseram, pela velocidade vertiginosa com que o faziam e porque me parecia importante ouvir, digerir, perceber, além de escrever.
Tenho a cabeça a andar à roda. Quero dormir, para apaziguar a minha consciência!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Manicómio académico

Decididamente, o Fernando tem razão: estou a frequentar um manicómio.

Acreditam que hoje recebo um e-mail da coordenadora a avisar-me que as creditações serão gratuitas em breve, quando sair um despacho que, supostamente, abrangerá o meu pedido?!
Já não sei em quem acreditar. Num dia, o gabinete de pós-graduações diz-me uma coisa, no dia seguinte a coordenadora do doutoramento diz-me outra. Ou vice-versa. Parece que estão a gozar connosco!
Não me surpreenderia que amanhã a coordenadora me enviasse outro e-mail a desmentir o de hoje, ou que o tal despacho determinasse que as creditações, afinal, aumentariam de 10 para 25 euros por crédito!
O que vale é que assim não há monotonia. Cada dia reserva-me uma surpresa, nesta saga do meu doutoramento...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

CREDITAÇÕES À BOLONHESA

Como fui ingénua!
Surely you didn't think something was for nothing...

Então  a faculdade iria fazer-nos algum FAVOR?
Claro que não. A formação anterior (ou seja o curso de mestrado) só será creditada (ou seja, só representará a dispensa da parte curricular do doutoramento) mediante o pagamento da módica quantia de 10 EUROS por CADA CRÉDITO. Ora, como cada seminário vale 10 créditos, se eu quiser ficar dispensada dos 4 seminários do doutoramento, por ter feito seminários de um mestrado "pré-bolonha", terei de pagar 400 euros.
Por outras palavras, pagamos 4800 euros pelo curso de doutoramento, mais 400 euros para NÃO termos de frequentar as aulas. Isto compreende-se?
Escapa-me aqui qualquer coisa, ou esta história toda dos créditos de Bolonha serve para encher os cofres das universidades?
O meu marido acha que, quando me falaram em créditos, eu devia ter dito que não estava no casino a pedir fichas para jogar...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Notícias de última hora!

A coordenadora do Doutoramento acaba de me enviar um e-mail a comunicar que, até dia 30, posso requerer a "creditação da minha formação anterior", por ter feito um mestrado anterior às mudanças trazidas pelo Tratado de Bolonha. A expressão, tipicamente bolonhesa, traduzida em miúdos significa que posso ser dispensada de frequentar a parte curricular do doutoramento. Agora é que nos dizem isto??
Bem, o ditado aplica-se: mais vale tarde... afinal, ainda só fiz dois relatórios para avaliação! Além de que posso nem sequer conseguir a tal dispensa. LAGARTO, LAGARTO!!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

PowerPoint? LOL...

Primeira impressão da segunda profe que ontem entrou na sala: dá-se desnecessariamente ao ridículo por pensar que é mais esperta do que os outros. Explico: entrou a troçar amigavelmente do profe da aula anterior, que ainda estava a escrever no quadro o seu endereço electrónico, pelo facto de o dito endereço se iniciar com as letras "lol". Perante a incompreensão dele, explicou: «"lol" quer dizer "palerma, tolo", pá! O teu filho não te explicou isso?»
O outro ficou admirado, mas não se deixou incomodar. Despediu-se e saiu. Eu tive vontade de corrigir a senhora doutora, esclarecendo que LOL é um acrónimo que significa "Laugh(ing) out loud" e apenas quer dizer que a pessoa que o usa em mensagens escritas se está a rir, mais nada. Mas que se lixe! Eu também sou assim às vezes, com a mania que sei mais do que os outros. People are just mirrors of yourself, remember?

Além disso, ela era bem intencionada. Teve a honestidade de assumir que estava ali, não para nos esclarecer sobre assuntos que realmente fossem importantes para nós, mas para que a aturássemos, simplesmente porque tinha de ser. Foi um alívio para todos.
Quanto à sua aula, podia ter sido pior. A senhora é simpática e exprime-se bem, sendo evidente que tem pela disciplina o gosto desmedido que justifica a sua dedicação a uma causa "perdida" e que nos levou a sentir uma ponta de curiosidade e interesse pelo assunto, mesmo considerando que, para a maior parte de nós, aquilo não nos dizia nada.
Pena é que os so-called "diapositivos" que mostrou estivessem todos (mais de 10) pejados de gralhas sintácticas e frases obscuras e teimosamente mal construídas, denunciando a falta de jeito da docente para expor ideias em escrita clara e concisa - capacidade a que demonstrou não ser de todo insensível, pois chegou a elogiá-la em certos autores cuja bibliografia nos recomendou.
Felizmente, a professora deu-se ao trabalho de traduzir as suas próprias palavras projectadas na parede, de outro modo o bendito PowerPoint não teria podido cumprir a sua missão pedagógica...

E para que esta crítica não seja apenas negativa, aqui ficam os pontos a favor:
a) esta professora demonstrou capacidade de organização e preparou bem a aula (com excepção da revisão do PowerPoint!)
b) usou um método pedagógico adequado (falou em pé, num tom apropriado, projectou os tópicos...)
c) teve a preocupação de indicar bibliografia específica
d) dispôs-se a enviar-nos os ficheiros com a síntese da matéria por e-mail
e) preparou uma actividade prática para a próxima sessão, que promete ser bem mais animada

Concluindo: está perdoada! LOL...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Conselhos úteis

Irónico, o professor do primeiro seminário de hoje despediu-se com este conselho sobre o tema da tese, depois de ter criticado o "provincianismo cosmopolita" típico da mentalidade portuguesa: «vocês guardem-se da inovação, porque, neste país, quem diz novidades está mal!...»


A professora do seminário que tivemos logo a seguir concluiu assim: «escolham uma coisa de que gostem mesmo, que é para sofrerem menos, porque vai haver sempre uma altura em que vos apetece atirar com tudo contra a parede. E escolham um autor morto, enterrado... e sem baús!»

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Insegurança

Acabo de imprimir o primeiro relatório para avaliação, que entregarei à professora coordenadora na segunda-feira.
Olho para o que fiz e não tenho a certeza de merecer uma boa nota, simplesmente porque o poder de decisão não está nas minhas mãos.
Sinto-me insegura e vulnerável, como os meus alunos se devem sentir quando me entregam um trabalho ou fazem um teste. Agora compreendo-os muito melhor!
Nada como voltarmos à pele antiga, para não nos esquecermos de quem fomos. E do que os outros sentem, no lugar que outrora foi nosso!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Um pouco por dia, todos os dias

Ao contrário do que o título sugere, hoje não fiz nada para o doutoramento.

Tinha pensado em seguir o lema "fazer alguma coisa para o doutoramento, nem que seja muito pouco, todos os dias", mas é óbvio que não vou conseguir. Em quatro anos, isso seria uma loucura. Pior, levar-me-ia certamente à loucura.

Mas a verdade é que ainda posso fazer qualquer coisa hoje: estou a ler o Caim de Saramago e acho que ainda consigo adiantar duas ou três páginas antes de me deixar vencer pelo cansaço deste dia particularmente longo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Reclamação


Recebo resposta do subdirector da faculdade a dizer-me que a minha reclamação tem toda a legitimidade e que vai zelar para que a situação seja corrigida. Na segunda-feira, supostamente, já teremos 20 lugares, canetas novas para o quadro e apagador. Uau!



Terceira aula

Um professor monocórdico discorre, sentado, sobre a filosofia patente na poesia de Fernando Pessoa. O conteúdo é interessante, mas difícil de absorver, sobretudo quando não se conhecem alguns conceitos filosóficos e nomes de filósofos contemporâneos.
Ocasionalmente, ele levanta-se para escrever no quadro um termo grego ou alemão, indiferente à falta de tinta da caneta e usando, quando necessário, um lenço de papel para apagar o quadro.
Os alunos atrasados, como já vem sendo hábito, têm de ir buscar uma cadeira à sala de estar e tomar notas no colo.
Faço uma nota mental: «escrever e-mail ao gabinete de pós-graduações a reclamar melhores condições de trabalho nas salas».

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Empresta aí...


Duas colegas vieram pedir-me os apontamentos da aula passada. Não sou capaz de dizer que não, mas detesto ser usada, se for esse o caso. Há sempre (mesmo nos doutoramentos!) alunos "parasitas", que se aproveitam do trabalho dos outros... e neste curso, em que é obrigatório fazer relatórios das aulas para avaliação, não me apetece nada oferecer os meus apontamentos a desconhecidos.

Pelo sim, pelo não, saí mais cedo da aula de hoje e pedi a uma delas que depois me facultasse os seus apontamentos...


A bibliografia



A bibliografia é o início e o fim de todas as coisas, na investigação.

Nos casos mais extremos, é também o meio - ou seja, é mesmo tudo.

Não no meu, que gosto de inventar (até de mais). No meu caso, a bibliografia é um mal necessário.





domingo, 18 de outubro de 2009

A bola está do meu lado


Talvez por gostar de jogar ténis, uso frequentemente esta imagem para perspectivar as minhas obrigações profissionais: se a bola está do meu lado, não há que perder tempo, tenho de a lançar para o lado oposto.

Neste momento, há um bola do meu lado da qual não me é fácil desembaraçar-me: o orientador gostou da minha ideia inicial, mas eu tenho de a desenvolver e preparar algo mais consistente para lhe mostrar. O problema é que não sei bem como... por onde começo?!

sábado, 17 de outubro de 2009

Second thoughts


É engraçado como aqui, no blogue, os meus registos sobre a experiência das aulas se têm tornado essencialmente negativos. É natural, pois serve este lugar para eu poder desabafar e queixar-me de tudo o que não corre bem, do que não corresponde às minhas expectativas, daquilo em que eu própria falho, também.

Os relatórios, porém, não podem espelhar a mesma perspectiva crítica - por uma questão de prudência. Assim, dei comigo à procura dos aspectos positivos da primeira aula (para que o respectivo relatório seja "academicamente correcto") e fui capaz de encontrar alguns.
Resta saber se foi uma questão de boa vontade, de justiça ou de imaginação...




sexta-feira, 16 de outubro de 2009

1.ª Missão cumprida


Ontem consegui começar e acabar o relatório da primeira aula. Parece uma espécie de acta, sem aquelas fórmulas chatas tipo "aos doze dias do mês tal do ano tal", tudo por extenso. Por acaso, não me sinto nada segura a escrever relatórios, eu, que adoro escrever todos os tipos de texto (menos actas). Nunca sei muito bem como é suposto organizá-los e redigi-los, e a informação que consulto parece-me demasiado específica, cingida a uma espécie particular de relatório e não necessariamente aplicável a outra.

No entanto, algo me diz que a correcção, ou avaliação, destes relatórios não vai ser muito exigente. Aliás, ficarei surpreendida se a coordenadora do curso se der MESMO ao trabalho de ler crítica e atentamente 8 relatórios multiplicados por 20 alunos, todos com o mesmo conteúdo! (Boooooooring!) Mas posso estar enganada. É bom que me vá sempre prevenindo e que comece a refrear esta atitude irritante de quem sabe mais do que os outros. O que é que se passa comigo para estar a exibir esta falta de modéstia? Até parece que, só por ser professora, me sinto melhor do que os outros...
PLAF! Chapada na minha própria cara!




quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Relatório do 1.º módulo


Uma vez que será obrigatório entregar pelo menos quatro relatórios (de quatro módulos) de cada seminário para avaliação, e conforme sugestão da coordenadora, vou começar já a preparar o primeiro relatório, embora ainda só tenha tido uma aula (cada módulo tem duas).

O meu lema é fazer de imediato o que for possível para adiantar trabalho. Por outras palavras, não deixar para amanhã o que puder fazer já.

A coordenadora deixou claro que devíamos incluir contribuições nossas nos ditos relatórios, pelo que me apetece alternar o relato das matérias dadas com críticas e sugestões para melhorar o conteúdo e/ou a metodologia adoptada. Mas é melhor manter um low profile e guardar as opiniões (sobretudo as negativas) para quando tiver o diploma na mão...

Parece-me que os relatórios críticos disponibilizados na página Web da DGIDC (Ministério da Educação) são um bom exemplo daquilo que se pretende, por isso vou tomá-los como modelo.




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Segunda aula


Sem saber quem iria ser o docente, porque não tomei notas na sessão em que a coordenadora leu os programas dos seminários, fui para a faculdade com curiosidade. De que iria falar a pessoa responsável por dar a primeira aula do primeiro módulo do primeiro seminário?
Cheguei à sala e fiquei surpreendida: alguns colegas já estavam sentados, mas... não havia uma única mesa! Quando a professora chegou (de onde é que eu a conhecia?), teve de pedir a um segurança que lhe abrisse outra sala. Lá fomos todos corredor fora, para um sala com mesas e cadeiras, mas muito abafada e, tal como a primeira, sem apagador para o quadro.
A professora (de certeza que já fui aluna dela... mas quando? E em que disciplina?) começou por lamentar o facto de ter direito a apenas duas aulas para leccionar toda a matéria que nos poderia dar, se tivesse um semestre inteiro só para si. Mas depois parecia não ter pressa de introduzir os assuntos... quis que cada um se apresentasse, e até aí tudo bem. Mas quando propôs que cada um falasse sobre a sua ideia para a tese, eu insurgi-me cordialmente contra: «já fizemos isso na segunda-feira...» Afinal, havia ali pessoas que tinham feito mais de 100 quilómetros para assistirem a uma aula. As apresentações não podiam suceder-se, de cada vez que tivessemos um professor novo! (Não foi isto tudo que eu disse, é claro. Felizmente, não foi preciso).
A docente propôs-se então "levantar questões metodológicas" e deixar para a aula seguinte aspectos relacionados com a investigação de espólios. Mas o que fez foi simplesmente esclarecer, de forma nada metódica, mas antes ao sabor da lembrança e da conversa, aspectos relacionados com a referenciação bibliográfica nas teses - os quais, naturalmente, alunos que fizeram teses de mestrado já dominam. Coisas banais, do tipo «o título da obra põe-se em itálico» e «as notas de rodapé servem para fazer explicações marginais ou apresentar a tradução de um texto citado em língua estrangeira». Muito pouco se aproveitou, embora houvesse um ou outro esclarecimento que os meus colegas pareceram registar com relativo entusiasmo.
Quando faziam perguntas interessantes, do tipo «mas quais são as mais recentes normas de referenciação, as internacionais, a que devemos agora aderir, tendo em conta os pressupostos de Bolonha?», ou «como é que devemos fazer a referência de uma página Web consultada na bibliografia?», a resposta era imprecisa: «há várias normas... há várias maneiras...».
Sinceramente, fiquei desiludida. Não quero estar aqui a dizer mal do curso, mas custa-me aceitar que as "questões metodológicas" se fiquem por isto. Penso que um docente que se proponha leccionar seminários de Doutoramento deve partir do princípio de que não vale a pena ensinar aos alunos o que eles já devem saber. Se há tanta coisa que de facto merece ser ali esclarecida (aspectos mais actuais, como a referenciação de fontes on-line), porque é que a professora não levava esses esclarecimentos? E porque não planificou a aula, de forma a rentabilizar o precioso tempo, que afinal desperdiçou?
Só posso fazer-lhe um elogio: teve uma postura honesta e humilde. Mas não chega!





















SIM!!!

Que bom!!! Ainda nem passaram duas horas desde que lhe escrevi e o Professor já me respondeu a dizer que não só estava disponível para me orientar, como gostava da minha ideia inicial.

Estou feliz :))

O orientador


Um dos meus professores da licenciatura, que leccionou Literatura Portuguesa II (ou seria III? Já nem sei...), foi também meu orientador de mestrado.

Considero-o um excelente orientador, porque demonstrou todas as qualidades que eu esperava e mais algumas.  Forneceu-me preciosas indicações bibliográficas, acompanhou atentamente o meu trabalho e fez uma revisão impecável do que escrevi, pejada de sugestões que em muito contribuíram para melhorar a minha tese.
Na defesa, esclareceu-me sobre o que devia dizer e nem sequer levou a mal que eu, por nervosismo e estupidez, me tivesse esquecido de agradecer publicamente a sua orientação.

Acabo de lhe enviar um e-mail a perguntar se há alguma hipótese de me orientar no doutoramento. Só espero que a sua resposta seja sim!
É verdade que já houve uma professora do departamento que se disponibilizou para me orientar (sem me conhecer e sem saber qual será o tema da minha tese!).
Mas começo a perceber que vou ser aconselhada a virar-me para a Literatura, que é MUITO MAIS IMPORTANTE do que o ensino do português puro e simples («um bom professor de português ensina a língua através da literatura»), por isso começo a achar que o professor Ceia tem o perfil que eu (conheço e) quero: alguém de literatura com interesse nas questões do ensino e vocação para a didáctica. Isto acrescido do facto de já em tempos ter falado com ele sobre uma ideia para uma possível tese de doutoramento em literatura e de ele se ter mostrado disponível para me orientar. Talvez possa retomá-la e unir o útil ao agradável.
Decidi: só se ele não puder ou não quiser ser meu orientador é que me viro para o plano B.






Bibliografia


A única bibliografia da qual me foi dado conhecimento até agora foi a do seminário de especialidade (em Ensino do Português). São 5 títulos que só com muita imaginação seria capaz de relacionar uns com os outros. Só consegui comprar três:

The Learning Strategies Handbook

Processamento de frases em português europeu: aspectos cognitivos e linguísticos implicados na compreensão da língua escrita

Cânones literários e educação: os casos angolano e moçambicano

O primeiro é muito acessível e prático. Parece-me um livro tipicamente americano: tudo muito bem explicadinho, muito repetido (para não dizer repetitivo), para que toda a gente consiga perceber. Basicamente, expõe-se até à exaustão a forma como se podem e devem utilizar as aulas de língua para ensinar aos alunos estratégias de aprendizagem, que optimizarão a sua assimilação dos conteúdos.
O segundo é uma tese de doutoramento e adorei a forma como começa (primeira frase). No entanto, a partir daí, começou-se a tornar muito difícil para a minha cabecinha. Só espero não vir a precisar muito dele, porque acabei por emprestá-lo à minha colega de linguística!
O terceiro não sei, porque ainda não peguei nele. Vou pegar agora!





Avaliação


A avaliação também não estava definitivamente pensada, percebemos nessa sessão. Mas a coordenadora tinha um plano quase maléfico para nós!

Depois de nos ter lido o programa das sessões dos dois módulos do primeiro semestre, do qual ressaltava a evidência de que os diferentes professores iriam falar, cada um, dos respectivos trabalhos de doutoramento, sem que houvesse um fio condutor, uma temática comum, atrevi-me a perguntar: «Mas como será feita a avaliação dos seminários, quando eles são compostos por módulos tão distintos?»
Ah, exactamente.... a avaliação é muito difícil. Pois.
Então a coordenadora tinha pensado nisto: faríamos, todos, um relatório de cada módulo, a entregar-lhe cada vez que começasse o módulo seguinte.
Claro que os alunos que sabiam que teriam de faltar se insurgiram contra um sistema de avaliação que obrigava à presença em todas as aulas. Então a coordenadora cedeu, estabelecendo um número mínimo de relatórios: 4 para cada seminário. Eu pedi: «Ninguém faz mais do que 4, está bem?!» Risos.
A coordenadora explicou: em texto corrido, sem ser tópicos, e com as vossas contribuições, não apenas com a transcrição dos assuntos abordados pelo professor. É bom que se habituem a escrever muito, com rigor e também com rapidez. Isto é muito importante.
Mas havia mais!
A 8 de Janeiro, teremos de entregar dois artigos de 15 páginas, um para cada seminário. Sobre quê, se os temas dos seminários são tão diversos? Um qualquer que vos interesse! E esses artigos serão apresentados e discutidos nas aulas de Janeiro, com vista à avaliação nos seminários. É que a frequência na parte curricular do curso dá direito a um diploma em Estudos Avançados. A avaliação fica assim, portanto, mais do que justificada.

Mas o melhor ainda está para vir: no final do segundo semestre, teremos de apresentar e defender publicamente o capítulo inicial da nossa tese, ou o respectivo plano, perante um júri de 4 elementos: 3 internos e 1 externo à faculdade. É a avaliação do chamado "Trabalho Final de Curso". Meu deus, o que me espera!!
Finalmente, 4 semestres depois de se iniciar a fase da tese, temos de apresentar um relatório do trabalho adiantado, sobre o qual será emitido um parecer escrito, com eventuais sugestões.

Com toda a negociação que se gerou a propósito da avaliação, acabámos por nos rir. E o riso misturou-se com uma certa incredulidade e algum desespero quando a coordenadora teve este deslize: «no fundo, a avaliação não serve para nada». Como???
E o tempo passou, até que chegou a hora de dispersar. Esperemos que a próxima sessão seja uma verdadeira aula, digna desse nome.







Primeira "aula"


O primeiro seminário começa na segunda-feira, dia 12, conforme o previsto. Certo?

Mais ou menos. Em vez de um seminário propriamente dito, temos uma sessão de esclarecimentos sobre o curso, com a coordenadora. À porta da sala, a "turma" entreolha-se, curiosa. Alguns começam a falar do problema das opções, que ainda não escolheram. Uma senhora pede desculpa por se intrometer na conversa, mas parece que tem alguma coisa a dizer sobre o assunto. Hesito entre ouvir apenas e meter conversa com eles. Acho que é bom dar-me a conhecer logo no primeiro dia, ser simpática e prestável. Porque não?
Meto-me na conversa, segundo pedido de desculpas. «Já escolheram as vossas opções?» Eles dizem que não. «Mas podem ser feitas no segundo semestre, certo?» Eles dizem que não, que foram informados de que teriam de frequentar a opção no primeiro. Explico que, na matrícula, me foi permitido deixá-la para o segundo. Aliás, expliquei, é o que faz sentido, porque no primeiro semestre todos os cursos têm seminários iniciais muito semelhantes (varia apenas o tema de fundo). Os seminários interessantes para nós escolhermos são todos das especialidades, que começam apenas no segundo semestre. Bem visto, parece. Mas eles não estão convencidos de que se podem inscrever só em Janeiro.

Entramos ordeiramente na sala. Sento-me de lado, as mesas estão em U. Mas depois arrependo-me, porque não vejo a professora, nem o quadro. Mudo de lugar, enquanto é tempo.
Há colegas que chegam atrasados e vão entrando aos poucos. A certa altura, acabam os lugares sentados: não há cadeiras nem mesas que cheguem para os 20 alunos que acabam por ali estar. Os últimos têm de voltar a sair para ir buscar uma cadeira à sala de estudo.
A faculdade não sabia que éramos 20? Sabia. Então porque nos atribuíu uma sala com 16 lugares? E pagamos nós 4800 euros...

A professora lê partes do regulamento e dá-nos informações que, como ela própria confessa, já nós sabemos ou podemos consultar na Internet. Olhamos uns para os outros com ar cúmplice. Parece-nos óbvio que ela está empenhada em entreter-nos apenas, durante aquelas primeiras duas horas de "curso". O pior é haver pessoas que vieram de propósito da Golegã e até de Leiria para ouvirem esclarecimentos banais ou incompletos.
Muda a estratégia: cada um apresenta-se e diz qual a especialidade que escolheu e a tese que quer fazer. Fico surpreendida ao constatar que a esmagadora maioria vai simplesmente aproveitar as respectivas teses de mestrado e esticá-las, para valerem um doutoramento. Quanto a mim, se a tese tem de ser um trabalho original, acho que isto não devia ser permitido. Mas adiante... são espertos e o sistema deixa, pelos vistos.
Chega a minha vez de falar e entusiasmo-me - para minha própria surpresa - com a ideia de voltar à literatura. Talvez tenha sido o facto de estar entre pessoas com esse interesse (não ouvi ninguém dizer que ia escolher Ensino do Português). Dou por mim a confessar que tinha o sonho de fazer uma tese sobre o Ensaio sobre a Cegueira de Saramago, mas que agora, coitada de mim, as minhas funções docentes me tinham afastado da literatura e obrigado a concentrar-me na língua. Então a coordenadora observa: mas a literatura é fundamental para o ensino da língua! E dá-me a entender que não é nada descabido fazer uma tese em literatura, mesmo na minha situação.


Quanto ao seminário de opção, confirma-se a confusão: a professora não sabe o horário nem quem será o docente do seminário de Investigação em Estudos Portugueses, que é a opção fornecida pelo departamento. Quanto às outras, aconselha-nos a andar pela faculdade a ver os títulos anunciados nos placards dos diversos departamentos, a ver se há algum que nos suscite interesse. E parece que sim, que podemos deixar a opção para o segundo semestre...

Torna-se óbvio que o departamento está a fabricar as regras do jogo à medida que ele avança. Somos cobaias, não restam dúvidas. E, se restassem, seriam dissipadas de imediato quando se falou da avaliação.