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quarta-feira, 8 de julho de 2015
Obrigada e adeus... ou não!
Já que não lhe agradeci formalmente na própria tese - embora o tenha feito na defesa - ontem convidei o meu orientador para jantar lá em casa, juntamente com uma amiga comum.
Foi uma ocasião de convívio bastante agradável, que além de ter funcionado como um agradecimento, também parece marcar o término da nossa história conjunta.
No entanto, tenho esperança de que assim não seja. Gosto de pensar que ainda terei oportunidade de trabalhar com ele ou para ele, o que não é descabido porque, ao despedir-se, ele próprio referiu que em setembro me contactará por causa de um projeto qualquer.
Espero que não se esqueça!
sábado, 6 de junho de 2015
Defesa indefesa
Entreabrindo a porta da sala, o orientador cumprimentou-me, parecendo aliviado por eu ter aparecido a horas. Perguntei, ingenuamente, se os outros membros do júri já tinham chegado. "Claro que já chegaram, já tivemos uma reunião", esclareceu ele, divertido com a minha ignorância destas situações. Depois disse que se ia "só vestir" e que já me chamavam. Fiquei admirada, pois não pensei que haveria essa formalidade ali - pelo menos não me recordava de ter visto o júri de beca na última defesa a que assistira.
Mas não tive muito tempo para pensar nisso, claro. Daí a nada fui convidada a entrar na sala - e expressamente instruída a fazê-lo antes, e não depois, dos membros do público (marido, pais, irmã e uma amiga). Os ilustres membros do júri ali estavam, sentados, e observaram-me com interesse, enquanto eu me dirigia ao meu lugar. Pareceu-me que um deles me olhou com genuína surpresa, como quem acha que a figura não condiz com a escrita. Sentei-me, tirei a tese da pasta e coloquei-a em cima da mesa, pus umas folhas A/4 à minha frente, bem como a caneta, e pousei a mochila no chão. A Presidente, que foi minha professora há vinte anos, convidou-me a fazer a apresentação da minha tese, no máximo em vinte minutos.
Cumprimentei os membros do júri, o público e o orientador, agradecendo-lhes por diferentes razões. Quase de imediato, senti a saliva a desaparecer-me da boca como que por magia. Parecia que tinha engolido um deserto inteiro. Felizmente, havia uma garrafa de água e um copo na minha mesa, mas eu não podia, pelo menos para já, começar a servir-me. Continuei a desbobinar a gravação com a naturalidade possível, sentindo-me segura e feliz por estar finalmente a deitar cá para fora aquele discurso tantas vezes ensaiado, pela última vez. A dada altura, achei que já podia abrir a garrafa. Admirei-me ao perceber que a minha mão esquerda tremia ligeiramente, enquanto vertia a água no copo. Fluida, pausada, mas sem hesitações, a minha apresentação da tese prosseguiu em modo de piloto automático, até que, antes de concluir, perguntei se estava a ultrapassar ou não o tempo estipulado. Faltavam quatro minutos, mesmo o que era preciso para eu acabar. E acabei.
O primeiro arguente foi convidado a intervir. Fez alguns elogios, mas depressa enveredou pela crítica cada vez mais contundente, acusando-me de abusar das citações, de escrever com um grau e um tom de crítica aos outros demasiado forte, falho em civilidade académica, de ser demasiado segura das minhas opiniões, como se só eu e a minha autora preferida fôssemos detentoras da razão. Estava claramente zangado comigo por eu ter citado o seu trabalho para o criticar. Desdenhou a forma como terminei a conclusão da tese, alegando que aí se via como eu era radical ao ponto de ser insensata. Respondi-lhe com serenidade, acatando os seus juízos e agradecendo por me ajudar a crescer e a melhorar o meu trabalho. Mas refutei algumas das críticas e expliquei porquê. Penso que fui clara e convincente, pelo menos vi na expressão dos outros membros do júri alguma concordância com o que eu dizia. Dispensei os poucos minutos que me restavam para me defender, se o arguente estivesse de acordo, e andámos para a frente.
O segundo arguente foi mais simpático e menos defensivo, apesar de ser coautor do outro, na obra por mim criticada. Mas leu as suas seis extensas e rebuscadas perguntas, sugerindo que eu escolhesse quatro, instrução que eu ignorei, pois o orientador tinha-me dito que só teria de responder às que eu entendesse e para as quais, naturalmente, tivesse resposta. Comecei por explicar que o facto de ter lido relativamente depressa as suas longas perguntas tinha dificultado a minha apreensão das questões. Por isso, iria responder na medida do possível àquilo que fora capaz de captar. Ele aceitou com aparente agrado as minhas explicações. Também me abstive, quando terminei as respostas que consegui improvisar, de usufruir do tempo que me restava.
O terceiro arguente era aquele de quem eu esperava menos elogios, e foi afinal o que falou do meu trabalho com mais apreço e entusiasmo. Fiquei intensamente feliz quando o ouvi dizer que o último capítulo era o que mais lhe tinha tocado, pois é também o meu preferido, aquele que eu acho mais original e que para mim valeu mais a pena escrever. Fiquei igualmente agradada com o facto de ele ter achado que o terceiro era o menos feliz, o menos investido, porque eu sentia isso mesmo. E fiquei exultante quando ele resolveu contradizer o primeiro arguente, sustentando que a minha conclusão terminava da forma certa: assumindo o risco que era inevitável assumir. Estava eu nas nuvens, entre o alívio de saber que dali para a frente já não haveria nada a temer, e a alegria de ouvir tantos elogios ao meu trabalho, tomando notas das perguntas e das respostas que lhe poderia dar logo a seguir, quando ele me atira a última questão e eu a apanho como uma flecha que me acerta mesmo em cheio no coração: porquê um romance e não a poesia? Se eu até escrevi uma tese de mestrado sobre poesia...
Era fácil responder com lógica e serenidade. A razão era óbvia e não me custaria nada explicá-la de modo a que todos assentissem com a cabeça e pudéssemos avançar. Mas foi isso o que eu fiz? Não. A voz embargou-se-me, mal comecei a responder àquela pergunta aparentemente inócua. Em poucos segundos percebi que era inevitável: ia começar a chorar. E foi isso mesmo que aconteceu. Chorei de emoção, a partir daí, sempre que me referi ao romance que escolhi apresentar na tese, e eles ficaram especados a observar-me, decerto espantados com a minha quebra repentina. Onde estava aquela mulher tão serena e tão segura? Por que raio havia sido de repente substituída por uma rapariguinha emotiva, agarrada ao lenço que o marido lhe passou, de lágrima fácil e voz trémula? Poderia um texto fazer aquilo? Claro que sim. E ainda bem que aquele arguente, minutos antes, se havia referido à importância da reação emocional, da perceção sinestésica, da experiência imediata e sensorial da literatura. Eu era, afinal, a prova viva de que "a literatura faz coisas às pessoas"... como disse depois o orientador.
Daí para a frente, não houve mais perguntas, apenas elogios. Senti-me como uma pateta alegre, de olhos vermelhos e sorriso parvo, enquanto o quarto elemento do júri, uma professora que eu conhecia mal, e depois o orientador, me felicitaram por diversas razões. Só o primeiro arguente se manteve sempre sério, sabe-se lá com que pensamentos a ocuparem-lhe o espírito.
Quando o meu orientador se referiu ao incidente ("acho que nunca vi ninguém chorar de emoção durante as provas de doutoramento...") e insistiu no "mistério" que levou a que aquele romance me tivesse afetado de tal maneira, tentei explicar que o motivo provavelmente se prendia com o facto de terem sido muito especiais para mim os anos em que esse texto, juntamente com outros, foi alvo de atenção nas aulas de literatura que eu nunca mais pude dar e que recordo com imensa saudade. É caso para dizer que a emenda foi pior do que o soneto... quanto mais tentava explicar-me, mais a emoção tomava conta de mim. Mas consegui reunir calma suficiente para poder terminar esclarecendo que, ao contrário do que o orientador declarara ("fez a tese em condições difíceis, sem bolsa, trabalhando a tempo inteiro, nunca se queixou, sempre cumpriu os prazos"), na verdade eu tive muita sorte e não podia senão ter cumprido os prazos, visto que contei com a ajuda dos meus pais, como patrocinadores, e dos meus patrões, que me deixaram escrever a tese no horário de trabalho.
Fomos então convidados a sair para que o júri pudesse deliberar.
Ainda esperámos uns dez ou quinze minutos, conversando animadamente, rindo, comentando o sucedido, procurando perceber o que me levara a deixar saltar a tampa da caixa das emoções. Lentamente, fui descomprimindo o corpo e a mente. Quando voltámos para dentro, estava já calma outra vez. A presidente sorriu e revelou o veredicto do júri, dando-me os parabéns. Agradeci e fiquei parada, aliviada, apreciando o momento sem pressa, sem pensar. Mas a Secretária veio dizer-me que devia ir cumprimentar os elementos do júri. Levantei-me e fui, sem saber muito bem a quem me dirigir primeiro, nem como proceder ao cumprimento. Mas eles foram saindo de trás das mesas por ordem e ofereceram-me a cara, não a mão.
Terminados os cumprimentos, o meu marido perguntou se podia tirar uma fotografia. Claro, vamos lá então. Como é que ficamos? Assim? Está bom. Parámos e sorrimos, suspensos no espaço e no tempo, por uns breves instantes. Nada a ver, tudo a ver.
Lá estamos todos, para a posteridade. Pelo menos para a minha. Com ou sem fotografia.
Mas não tive muito tempo para pensar nisso, claro. Daí a nada fui convidada a entrar na sala - e expressamente instruída a fazê-lo antes, e não depois, dos membros do público (marido, pais, irmã e uma amiga). Os ilustres membros do júri ali estavam, sentados, e observaram-me com interesse, enquanto eu me dirigia ao meu lugar. Pareceu-me que um deles me olhou com genuína surpresa, como quem acha que a figura não condiz com a escrita. Sentei-me, tirei a tese da pasta e coloquei-a em cima da mesa, pus umas folhas A/4 à minha frente, bem como a caneta, e pousei a mochila no chão. A Presidente, que foi minha professora há vinte anos, convidou-me a fazer a apresentação da minha tese, no máximo em vinte minutos.
Cumprimentei os membros do júri, o público e o orientador, agradecendo-lhes por diferentes razões. Quase de imediato, senti a saliva a desaparecer-me da boca como que por magia. Parecia que tinha engolido um deserto inteiro. Felizmente, havia uma garrafa de água e um copo na minha mesa, mas eu não podia, pelo menos para já, começar a servir-me. Continuei a desbobinar a gravação com a naturalidade possível, sentindo-me segura e feliz por estar finalmente a deitar cá para fora aquele discurso tantas vezes ensaiado, pela última vez. A dada altura, achei que já podia abrir a garrafa. Admirei-me ao perceber que a minha mão esquerda tremia ligeiramente, enquanto vertia a água no copo. Fluida, pausada, mas sem hesitações, a minha apresentação da tese prosseguiu em modo de piloto automático, até que, antes de concluir, perguntei se estava a ultrapassar ou não o tempo estipulado. Faltavam quatro minutos, mesmo o que era preciso para eu acabar. E acabei.
O primeiro arguente foi convidado a intervir. Fez alguns elogios, mas depressa enveredou pela crítica cada vez mais contundente, acusando-me de abusar das citações, de escrever com um grau e um tom de crítica aos outros demasiado forte, falho em civilidade académica, de ser demasiado segura das minhas opiniões, como se só eu e a minha autora preferida fôssemos detentoras da razão. Estava claramente zangado comigo por eu ter citado o seu trabalho para o criticar. Desdenhou a forma como terminei a conclusão da tese, alegando que aí se via como eu era radical ao ponto de ser insensata. Respondi-lhe com serenidade, acatando os seus juízos e agradecendo por me ajudar a crescer e a melhorar o meu trabalho. Mas refutei algumas das críticas e expliquei porquê. Penso que fui clara e convincente, pelo menos vi na expressão dos outros membros do júri alguma concordância com o que eu dizia. Dispensei os poucos minutos que me restavam para me defender, se o arguente estivesse de acordo, e andámos para a frente.
O segundo arguente foi mais simpático e menos defensivo, apesar de ser coautor do outro, na obra por mim criticada. Mas leu as suas seis extensas e rebuscadas perguntas, sugerindo que eu escolhesse quatro, instrução que eu ignorei, pois o orientador tinha-me dito que só teria de responder às que eu entendesse e para as quais, naturalmente, tivesse resposta. Comecei por explicar que o facto de ter lido relativamente depressa as suas longas perguntas tinha dificultado a minha apreensão das questões. Por isso, iria responder na medida do possível àquilo que fora capaz de captar. Ele aceitou com aparente agrado as minhas explicações. Também me abstive, quando terminei as respostas que consegui improvisar, de usufruir do tempo que me restava.
O terceiro arguente era aquele de quem eu esperava menos elogios, e foi afinal o que falou do meu trabalho com mais apreço e entusiasmo. Fiquei intensamente feliz quando o ouvi dizer que o último capítulo era o que mais lhe tinha tocado, pois é também o meu preferido, aquele que eu acho mais original e que para mim valeu mais a pena escrever. Fiquei igualmente agradada com o facto de ele ter achado que o terceiro era o menos feliz, o menos investido, porque eu sentia isso mesmo. E fiquei exultante quando ele resolveu contradizer o primeiro arguente, sustentando que a minha conclusão terminava da forma certa: assumindo o risco que era inevitável assumir. Estava eu nas nuvens, entre o alívio de saber que dali para a frente já não haveria nada a temer, e a alegria de ouvir tantos elogios ao meu trabalho, tomando notas das perguntas e das respostas que lhe poderia dar logo a seguir, quando ele me atira a última questão e eu a apanho como uma flecha que me acerta mesmo em cheio no coração: porquê um romance e não a poesia? Se eu até escrevi uma tese de mestrado sobre poesia...
Era fácil responder com lógica e serenidade. A razão era óbvia e não me custaria nada explicá-la de modo a que todos assentissem com a cabeça e pudéssemos avançar. Mas foi isso o que eu fiz? Não. A voz embargou-se-me, mal comecei a responder àquela pergunta aparentemente inócua. Em poucos segundos percebi que era inevitável: ia começar a chorar. E foi isso mesmo que aconteceu. Chorei de emoção, a partir daí, sempre que me referi ao romance que escolhi apresentar na tese, e eles ficaram especados a observar-me, decerto espantados com a minha quebra repentina. Onde estava aquela mulher tão serena e tão segura? Por que raio havia sido de repente substituída por uma rapariguinha emotiva, agarrada ao lenço que o marido lhe passou, de lágrima fácil e voz trémula? Poderia um texto fazer aquilo? Claro que sim. E ainda bem que aquele arguente, minutos antes, se havia referido à importância da reação emocional, da perceção sinestésica, da experiência imediata e sensorial da literatura. Eu era, afinal, a prova viva de que "a literatura faz coisas às pessoas"... como disse depois o orientador.
Daí para a frente, não houve mais perguntas, apenas elogios. Senti-me como uma pateta alegre, de olhos vermelhos e sorriso parvo, enquanto o quarto elemento do júri, uma professora que eu conhecia mal, e depois o orientador, me felicitaram por diversas razões. Só o primeiro arguente se manteve sempre sério, sabe-se lá com que pensamentos a ocuparem-lhe o espírito.
Quando o meu orientador se referiu ao incidente ("acho que nunca vi ninguém chorar de emoção durante as provas de doutoramento...") e insistiu no "mistério" que levou a que aquele romance me tivesse afetado de tal maneira, tentei explicar que o motivo provavelmente se prendia com o facto de terem sido muito especiais para mim os anos em que esse texto, juntamente com outros, foi alvo de atenção nas aulas de literatura que eu nunca mais pude dar e que recordo com imensa saudade. É caso para dizer que a emenda foi pior do que o soneto... quanto mais tentava explicar-me, mais a emoção tomava conta de mim. Mas consegui reunir calma suficiente para poder terminar esclarecendo que, ao contrário do que o orientador declarara ("fez a tese em condições difíceis, sem bolsa, trabalhando a tempo inteiro, nunca se queixou, sempre cumpriu os prazos"), na verdade eu tive muita sorte e não podia senão ter cumprido os prazos, visto que contei com a ajuda dos meus pais, como patrocinadores, e dos meus patrões, que me deixaram escrever a tese no horário de trabalho.
Fomos então convidados a sair para que o júri pudesse deliberar.
Ainda esperámos uns dez ou quinze minutos, conversando animadamente, rindo, comentando o sucedido, procurando perceber o que me levara a deixar saltar a tampa da caixa das emoções. Lentamente, fui descomprimindo o corpo e a mente. Quando voltámos para dentro, estava já calma outra vez. A presidente sorriu e revelou o veredicto do júri, dando-me os parabéns. Agradeci e fiquei parada, aliviada, apreciando o momento sem pressa, sem pensar. Mas a Secretária veio dizer-me que devia ir cumprimentar os elementos do júri. Levantei-me e fui, sem saber muito bem a quem me dirigir primeiro, nem como proceder ao cumprimento. Mas eles foram saindo de trás das mesas por ordem e ofereceram-me a cara, não a mão.
Terminados os cumprimentos, o meu marido perguntou se podia tirar uma fotografia. Claro, vamos lá então. Como é que ficamos? Assim? Está bom. Parámos e sorrimos, suspensos no espaço e no tempo, por uns breves instantes. Nada a ver, tudo a ver.
Lá estamos todos, para a posteridade. Pelo menos para a minha. Com ou sem fotografia.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Bons conselhos para a defesa da tese
Hoje houve encontro com o orientador para preparar a defesa. Ou melhor, para que ele me pudesse dar alguns bons conselhos relativamente à prova. Registo aqui os que me pareceram mais importantes:
- tome nota de tudo o que os membros do júri disserem no lado esquerdo de uma folha e, à direita, vá escrevendo as respostas para depois lhes dar;
- não tem de responder a tudo nem pela mesma ordem: fazer isso é ficar na defensiva e agir de forma demasiado submissa, o que não abona em seu favor;
- lembre-se que o seu papel não é defender-se, como se o júri estivesse a atacá-la. A tese é sua, e eles é que estão a reagir a ela;
- se lhe fizerem perguntas despropositadas, por exemplo sobre a formatação da bibliografia, pode repor o foco da conversa na tese: é ela que importa e só se justifica que a façam responder a perguntas que sejam sobre a tese em si.
- tome nota de tudo o que os membros do júri disserem no lado esquerdo de uma folha e, à direita, vá escrevendo as respostas para depois lhes dar;
- não tem de responder a tudo nem pela mesma ordem: fazer isso é ficar na defensiva e agir de forma demasiado submissa, o que não abona em seu favor;
- lembre-se que o seu papel não é defender-se, como se o júri estivesse a atacá-la. A tese é sua, e eles é que estão a reagir a ela;
- se lhe fizerem perguntas despropositadas, por exemplo sobre a formatação da bibliografia, pode repor o foco da conversa na tese: é ela que importa e só se justifica que a façam responder a perguntas que sejam sobre a tese em si.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Fazer ou não fazer uma errata? Eis a questão...
Comecei esta semana a reler toda a tese, para que tudo esteja mais "fresco" no meu espírito no dia da defesa. Inevitavelmente, foram-me saltando à vista gralhas diversas - umas terríveis, outras menos graves - que deviam ter sido detectadas e corrigidas antes de ter imprimido a versão final. Ontem comentei isso mesmo com uma colega e mencionei que estava na dúvida sobre se deveria ou não fazer uma errata para entregar aos membros do júri no dia das provas. "Claro! Deves fazer uma errata!" - foi a opinião imediata dela. Mas eu fiquei na dúvida... e enviei um e-mail ao meu orientador a perguntar-lhe o que achava. A resposta não me surpreendeu: «não vale a pena errata nenhuma. Corrige depois e não fala disso se ninguém falar».
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Alívio
Ontem decidi escrever um e-mail ao meu orientador a explicar que não fui capaz de redigir um agradecimento sobre o seu contributo para o meu trabalho. Depois de muito hesitar, acabei por decidir não incluir essa página na tese e pronto. Isso não significa que não lhe esteja agradecida, significa apenas que não consegui escrever nada que me parecesse adequado. Foi mais ou menos isso que lhe expliquei, perguntando-lhe se ficava triste comigo.
Para meu alívio, ele respondeu (duas horas depois) dizendo que aprovava a minha decisão, que era da opinião de que aos orientadores não se agradece, que lhe parecia que o próprio Eco dizia isso mesmo no seu Como se faz uma tese. Eu também achava isso, mas confesso que, agora que oriento alunas de mestrado, ver o meu nome nos agradecimentos dos seus relatórios me agrada bastante e não me passaria pela cabeça pedir-lhes que o eliminassem porque "aos orientadores não se agradece". Provavelmente é por isto ser novidade para mim. Quando crescer, vou aprender a pôr de parte o egotismo e a partilhar da opinião do meu querido orientador e do Umberto Eco!
Para meu alívio, ele respondeu (duas horas depois) dizendo que aprovava a minha decisão, que era da opinião de que aos orientadores não se agradece, que lhe parecia que o próprio Eco dizia isso mesmo no seu Como se faz uma tese. Eu também achava isso, mas confesso que, agora que oriento alunas de mestrado, ver o meu nome nos agradecimentos dos seus relatórios me agrada bastante e não me passaria pela cabeça pedir-lhes que o eliminassem porque "aos orientadores não se agradece". Provavelmente é por isto ser novidade para mim. Quando crescer, vou aprender a pôr de parte o egotismo e a partilhar da opinião do meu querido orientador e do Umberto Eco!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Overzealousness
Deu-me uma insegurança aguda nos últimos dias. Tudo me suscitava dúvida e receio: a forma como organizei a bibliografia, as normas de referenciação bibliográfica, o título e o subtítulo da tese, o que devia figurar na lombada, se a data deveria estar na horizontal ou na vertical, se deveria incluir, ou não, uma folha em branco no fim, enfim... tudo.
Partilhei algumas destas dúvidas com o orientador, que a certa altura só respondeu: please...
Quando me tentei justificar e pedi desculpa por estar sempre a maçá-lo, procurou tranquilizar-me, que não me preocupasse. Compreendia a minha ansiedade, mas a verdade é que certas dúvidas eram, de facto, «excessivamente desimportantes». Adorei a expressão!
Partilhei algumas destas dúvidas com o orientador, que a certa altura só respondeu: please...
Quando me tentei justificar e pedi desculpa por estar sempre a maçá-lo, procurou tranquilizar-me, que não me preocupasse. Compreendia a minha ansiedade, mas a verdade é que certas dúvidas eram, de facto, «excessivamente desimportantes». Adorei a expressão!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Ingratidão... ou não?
Optei por suprimir a página (opcional) dos agradecimentos prevista no modelo da faculdade.
Sou, portanto, uma ingrata, pelo menos à luz de todos os que virem nessa ausência um sinal de ingratidão.
Quanto a mim, não sei. Havendo uma página para a dedicatória, que já pode ser usada para agradecer aos familiares e amigos que nos apoiaram, sinceramente parece-me que os agradecimentos não têm muita razão de ser. Julgo que se aplicam sobretudo às teses em que houve pessoas que ajudaram o investigador a recolher dados, etc. No meu caso, o trabalho foi essencialmente solitário, por isso só poderia agradecer ao orientador. E o orientador fez a sua obrigação, ou não?
É claro que eu apreciei e aprecio profundamente a forma como ele me orientou, é claro que o admiro imenso - mais, cheguei a dizer-lhe que escrevi a tese para ele. É o que sinto, realmente. Ele foi o meu leitor de eleição, foi para lhe agradar que me esforcei por escrever uma coisa de jeito. Para mim, sempre foi importante ter um destinatário em mente, quando escrevo. E ele é, obviamente, o destinatário ideal: a pessoa que poderia, quereria e saberia apreciar o meu trabalho. Se ele gostou, eu estou realizada. Não foi para o júri que escrevi, pois até hoje não faço ideia de quem serão essas pessoas.
Voltando à gratidão, o que sinto pelo meu orientador é muito mais intenso e muito mais complexo. É um fascínio que vem de há mais de vinte anos, quando foi meu professor, e que me levou a nutrir por ele uma verdadeira paixão platónica. É uma admiração enorme por tudo o que ele pensa, diz e escreve, é um profundo reconhecimento pela sorte que tive, ao seguir um caminho que se cruzou com o dele. Mas, atrevo-me a dizer, são sentimentos demasiado fortes e ao mesmo tempo demasiado "pirosos" para os deixar escarrapachados na quarta página da tese. Aqui também estão, claro, e mais públicos ainda. Mas aqui posso pôr todos os devaneios e pensamentos, mesmo os mais parvos, porque não tenho medo que alguém os leia - que ele os leia. Se ficarem na tese, corro o risco de ele me vir depois dizer que se sentiu embaraçado, ou que não era preciso. Por isso preferi dizer-lhe directamente: foi com muito prazer que escrevi esta tese para si. E ele é que me agradeceu.
Sou, portanto, uma ingrata, pelo menos à luz de todos os que virem nessa ausência um sinal de ingratidão.
Quanto a mim, não sei. Havendo uma página para a dedicatória, que já pode ser usada para agradecer aos familiares e amigos que nos apoiaram, sinceramente parece-me que os agradecimentos não têm muita razão de ser. Julgo que se aplicam sobretudo às teses em que houve pessoas que ajudaram o investigador a recolher dados, etc. No meu caso, o trabalho foi essencialmente solitário, por isso só poderia agradecer ao orientador. E o orientador fez a sua obrigação, ou não?
É claro que eu apreciei e aprecio profundamente a forma como ele me orientou, é claro que o admiro imenso - mais, cheguei a dizer-lhe que escrevi a tese para ele. É o que sinto, realmente. Ele foi o meu leitor de eleição, foi para lhe agradar que me esforcei por escrever uma coisa de jeito. Para mim, sempre foi importante ter um destinatário em mente, quando escrevo. E ele é, obviamente, o destinatário ideal: a pessoa que poderia, quereria e saberia apreciar o meu trabalho. Se ele gostou, eu estou realizada. Não foi para o júri que escrevi, pois até hoje não faço ideia de quem serão essas pessoas.
Voltando à gratidão, o que sinto pelo meu orientador é muito mais intenso e muito mais complexo. É um fascínio que vem de há mais de vinte anos, quando foi meu professor, e que me levou a nutrir por ele uma verdadeira paixão platónica. É uma admiração enorme por tudo o que ele pensa, diz e escreve, é um profundo reconhecimento pela sorte que tive, ao seguir um caminho que se cruzou com o dele. Mas, atrevo-me a dizer, são sentimentos demasiado fortes e ao mesmo tempo demasiado "pirosos" para os deixar escarrapachados na quarta página da tese. Aqui também estão, claro, e mais públicos ainda. Mas aqui posso pôr todos os devaneios e pensamentos, mesmo os mais parvos, porque não tenho medo que alguém os leia - que ele os leia. Se ficarem na tese, corro o risco de ele me vir depois dizer que se sentiu embaraçado, ou que não era preciso. Por isso preferi dizer-lhe directamente: foi com muito prazer que escrevi esta tese para si. E ele é que me agradeceu.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Pedido de mudança de título da tese
No dia 9, o orientador lembra-me que, caso o título da tese seja diferente do que ficou no registo da tese feito em 2011, tenho de fazer um requerimento a pedir autorização para a mudança. Não estava à espera, uma vez que o título foi indicado como sendo "provisório" - tanto no registo como no Relatório de Progresso do Trabalho da Tese. Entretanto, troco uns e-mails com ele sobre qual deverá ser, afinal, o título definitivo. Embora não seja o da minha preferência, o que ele sugere é o mais adequado. Seja.
No dia seguinte, o Secretariado dos Doutoramentos confirma que será necessário fazer o pedido e envia-me a minuta para o efeito, que podia ser entregue por e-mail. No dia 11, lá enviei a minuta preenchida, acompanhada do parecer favorável que o orientador fez o favor de me mandar. Agora resta-me aguardar a resposta, antes de imprimir a tese.... ou não?
Algo me diz que é arriscado ficar à espera de braços cruzados, quando o prazo de entrega da tese se aproxima a passos largos.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Nota prévia
Escrevi quatro páginas que fazem uma espécie de balanço da situação, desde que pensei pela primeira vez em escrever a tese até hoje. Procuro explicar de onde partiu a ideia inicial e o que aprendi desde então. Parece-me que está bem e que faz sentido incluir esta pré-introdução na versão final a entregar. Mas o orientador é que manda... vou enviar-lha agora mesmo.
...
E eis que o orientador responde, 4 MINUTOS DEPOIS, dizendo que está muito bem! E leu mesmo, porque fez duas observações sobre o conteúdo, sugerindo pequenas alterações :)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Tese aprovada pelo orientador!
O meu estimado orientador não só viu e aprovou a conclusão no mesmo dia em que lha enviei (escrevendo-me ontem um e-mail ao fim da tarde, que eu só vi à noite, antes de me deitar), como diz que lhe parece que a tese que escrevi é «muito importante» e «vai dar muita discussão durante muitos anos», finalizando o e-mail com «Parabéns!»
Claro que fiquei tão feliz e orgulhosa, que até dormi mal, a pensar naquilo. Quando acordei, parecia-me que tinha sido um sonho...
Só espero que a tal "discussão" que eu irei provocar não seja demasiado agressiva nem demasiado demorada no dia da DEFESA!
Claro que fiquei tão feliz e orgulhosa, que até dormi mal, a pensar naquilo. Quando acordei, parecia-me que tinha sido um sonho...
Só espero que a tal "discussão" que eu irei provocar não seja demasiado agressiva nem demasiado demorada no dia da DEFESA!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Último capítulo aprovado!
Finalmente recebi resposta do orientador sobre o capítulo que faltava! Diz que «continua muito bem e acaba muito bem». Não quer reler a tese toda, nem vê-la antes de eu a entregar. Só lhe falta, claro, ler a conclusão.
Por mim, sinto que a Introdução precisa de uma boa revisão e que muito do que ficou por ler salta à vista de quem for minimamente entendido no assunto. Não estou assim tão confiante quanto a mensagem dele me poderia fazer sentir.
Por mim, sinto que a Introdução precisa de uma boa revisão e que muito do que ficou por ler salta à vista de quem for minimamente entendido no assunto. Não estou assim tão confiante quanto a mensagem dele me poderia fazer sentir.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Só falta um mês e meio!
Pois é... a brincar, a brincar, só falta um mês e meio para ter de entregar a tese.
E o orientador não diz nada sobre o último capítulo, que lhe enviei há 15 dias!...
Não sei o que pensar deste silêncio, mas não me deixa nada tranquila. Da última vez ele demorou 10 dias a ler e a responder. Será que falta muito para receber notícias?
Entretanto, comecei a conclusão, mas descobri que ainda me falta ler muita coisa - inclusive um livro que lhe perguntei se me emprestaria, caso o tivesse. Disse que sim, caso o tivesse. Mas nunca mais disse se o tinha ou não...
Detesto este impasse!
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Re-inspiração
Inspiro novamente e... escrevo a primeira página da conclusão.
Continuo entusiasmada, nem me apetece chegar ao fim. «Quando acabares, vais sentir um vazio, não?» - perguntava ontem um amigo. Claro que vou! Nem quero pensar nisso. E respondi: «imenso, imenso......»
E o orientador que não confirma a recepção do último capítulo? Da última vez que demorou muito a responder, descobri depois que tinha enviado a mensagem para um endereço que ele já não usava. Mas desta vez usei o e-mail certo. Estará de férias? Enquanto não tiver uma resposta não consigo ficar tranquila. Resta-me re-inspirar e aguardar.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Último capítulo escrito!
Hip, hip, hurraaaaaaaaa!
Texto acabado, revisto, melhorado e enviado hoje ao orientador.
Agora só falta a conclusão. Ou as conclusões. Ou considerações finais. Titre à préciser.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Orgulho
Fui à faculdade, a pedido do orientador, participar numa reunião com os avaliadores da FCT para obter financiamento do centro de investigação. No corredor, ele elogiou a minha tese perante outras pessoas e manifestou-se orgulhoso pelo seu conteúdo. Fiquei imensamente feliz e, quase incrédula, corrigi-o: orgulhosa estou eu! Que razões tem ele para estar orgulhoso? O que é o orgulho, afinal, e o que tem que ver com esta sensação de estar a produzir um bom trabalho? De certo modo, a ideia de orgulho causa-me desconforto, porque a associo automaticamente à presunção. Mas não interessa muito. O mais importante é que ele está muito satisfeito com o progresso da minha tese e eu felicíssima com as duas coisas: com o estado da tese e com a satisfação dele. Porque, no fundo, também escrevo para lhe agradar.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
:-D
Hoje, mesmo que o dia me corra mal, mesmo que me sinta um fracasso depois de dar aula a um bando de alunos desinteressados, vou continuar feliz e satisfeita com a minha vida. O orientador escreveu-me a dizer que o capítulo que lhe enviei está muito bem, que os meus argumentos estão mais do que apresentados e que não percebe o que falta na minha tese. Hoorrraaaaaayyyyy!!!
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Suspensão
As obrigações lectivas estão a dar-me cabo do tempo. Passo-o todo a dar ou a preparar aulas, coisa que antes me agradava e agora me atormenta. So queria poder voltar à paz da época não lectiva!...
Ainda assim, consegui finalmente rever e melhorar o capítulo que tinha em mãos e enviá-lo (hoje) ao orientador. Agora, durante alguns dias, a tese entra em modo de suspensão, enquanto ele não responde a dizer se está mau, assim-assim ou bom. Claro que, se ele demorar a responder e eu tiver a oportunidade, vou continuar a trabalhar no capítulo seguinte. Mas ele não costuma demorar a ler e eu prefiro esperar para ganhar ânimo - ou para voltar atrás e refazer o que fiz, antes de andar para a frente.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
De volta, às voltas
Após uma inesquecível experiência de "soltura" Erasmus, cá estou a fazer um esforço por rever e melhorar este capítulo, para o poder enviar ao orientador. Esforço ocular, por causa desta malvada conjuntivite que me leva as pálpebras a fecharem-se, e esforço mental, porque o final estava um tanto apressado e há coisas que ficaram por dizer. Não está fácil encaixar o que falta no que já existia e aperfeiçoar as partes menos claras, eliminando repetições. Vai-se fazendo. Com calma, que o tempo não é assim tão escasso, ainda que o prazo ideal tenha sido ultrapassado.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Mais um capítulo terminado... ou não?
Curiosamente, as 30 páginas que tenho hoje são diferentes das que tinha ontem. Revistas e alteradas, estão agora impressas para uma leitura atenta, antes do envio ao orientador. Julgo que este capítulo está terminado, mas posso estar enganada... algo me diz que podia ter 60 páginas em vez de 30, mas outro "algo" diz que está bem assim.
Como estou atrapalhada com uma viagem até Oviedo, onde farei uma comunicação sobre o tema da tese na Facultad del Profesorado y Educación, o melhor é guardar essa leitura para quando voltar... agora sinto a cabeça demasiado cheia e as ideias dispersam-se facilmente.
Como estou atrapalhada com uma viagem até Oviedo, onde farei uma comunicação sobre o tema da tese na Facultad del Profesorado y Educación, o melhor é guardar essa leitura para quando voltar... agora sinto a cabeça demasiado cheia e as ideias dispersam-se facilmente.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Espremendo
Mensagem incentivadora do orientador, confirmando que as alterações que fiz ao capítulo anterior, em função dos seus comentários, estão aprovadas.
O trabalho de hoje foi rever, alterar e espremer o que estava escrito no actual capítulo, para fazer escorrer o sumo e eliminar o que não prestava.
Agora sim, poderei arrancar de novo, a partir da página 11, que é a 160 da tese.
O trabalho de hoje foi rever, alterar e espremer o que estava escrito no actual capítulo, para fazer escorrer o sumo e eliminar o que não prestava.
Agora sim, poderei arrancar de novo, a partir da página 11, que é a 160 da tese.
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