quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Preciso de paz e de tempo
É o trabalho que não me deixa dedicar-me à tese, ou é a forma como eu trabalho que não me permite fazê-lo?
As duas coisas, provavelmente.
Tenho lido, muito devagar, mas essencialmente tenho perdido os meus dias com assuntos prementes e passageiros, com distracções, com tarefas e mais tarefas que me aparecem continuamente à frente, como segundos a saltitar para fora de um relógio.
Preciso de paz e de um tempo que escorra silencioso e brando, como o leito de um rio desapressado.
Quero exilar-me numa casa no campo!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
A little bit of chaos, please!
There is an unquestioned human appetite for intensity, and though we can exist without them, intense emotions make us feel that we are living.
Satisfaction of the human need to be bouleversé, carried “out of one’s mind”, seems to be provided
for in most societies and can be traced, in theory at least, back to very early
times.
Ellen Dissanayake, What Is Art For?
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Back to quiet reading :)
Humans are "something more" than animals because they do not take their world for granted on its own blind terms, but interpret it, fashion their experience of it in multitudinous and multifarious ways. Without human awareness, the world is a chip off a star, mechanically wheeling in a silent blankness.
Ellen Dissanayake, What is art for?
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Fim das férias
Ao contrário do que muita gente sente, o fim das férias é para mim o desejado regresso às "minhas coisas", aos meus afazeres. As férias sabem bem, mas são uma espécie de ilusão, uma quase procrastinação que, quando se prolonga demasiado, começa a causar angústia pelo que se vai acumulando para fazer quando o período de descanso chega ao fim.
Se fossem para sempre, as férias seriam uma prisão de tédio insuportável. E como são temporárias, quanto mais durarem pior. O trabalho que se vai acumulando do outro lado das férias é como o labor das aranhas e o assentar do pó numa casa fechada: quanto mais tempo passar, mais trabalho teremos a limpar.
Cheguei hoje e sinto-me um pouco perdida, como a melga que se vê perante um campo de nudistas: sei o que tenho de fazer, mas nem sei por onde começar!
Se fossem para sempre, as férias seriam uma prisão de tédio insuportável. E como são temporárias, quanto mais durarem pior. O trabalho que se vai acumulando do outro lado das férias é como o labor das aranhas e o assentar do pó numa casa fechada: quanto mais tempo passar, mais trabalho teremos a limpar.
Cheguei hoje e sinto-me um pouco perdida, como a melga que se vê perante um campo de nudistas: sei o que tenho de fazer, mas nem sei por onde começar!
segunda-feira, 23 de julho de 2012
The reflective dimension of reading literature
The greatest gift of aesthetic response is the desire to take new responsibility, to somehow live more artfully and meaningfully in the real world.
Wilhelm & Novak
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Ruído
Gostava que as minhas colegas fossem de férias. Elas bem precisam, coitadas. E assim eu ficava sossegada com o gabinete só para mim! Tenho tanta dificuldade em concentrar-me quando há vozes por perto....
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Quantos professores têm em conta que...
[...] teachers contribute much more to student learning by spending their time planning supportive instruction delivered before and during reading and writing than they do by responding to student work after it is done.
Jeffrey Wilhelm and Bruce Novak, Teaching Literacy for Love and Wisdom
terça-feira, 10 de julho de 2012
Não ler livros é pior do que censurá-los...
«Joseph Brodsky said in his 1987 Nobel Prize acceptance speech, "Though we can condemn ... the persecution of writers, acts of censorship, the burning of books, we are powerless when it comes to [the worst crime against literature]: that of not reading the books. For that ... a person pays with his whole life; ... a nation ... pays with its history."»
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Reading on...
A leitura é vagarosa, mas talvez por isso mais profícua. Os livros podem ser tratados como páginas na Internet com hiperligações: cada referência a outro texto, a um autor, a um local, a um povo, etc. pode ser explorada ou pelo menos "espreitada", como os trilhos que aqui e ali se estendem para dentro do bosque, a partir do caminho principal.
Faço isso e acabo com o livro cheio de notas à margem, de referências a coisas que descobri, até com textos literários apensos, que fui ler porque eram referidos pelos autores do livro. Assim, aprende-se muito mais. Ou um nadinha mais, considerando tudo o que falta!
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Investigação & Companhia
Nunca imaginei que isto fosse possível, mas a minha filha é tão sossegada, que vem comigo para o trabalho e me deixa fazer leituras para a tese enquanto cá estamos as duas e as horas passam silenciosas e tolerantes, enquanto para lá da janela o sol desce sobre o horizonte.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Never ending book
Bolas, que este livro nunca mais acaba!!
Ou sou eu que leio extremamente devagar...?
Ou sou eu que leio extremamente devagar...?
terça-feira, 26 de junho de 2012
Recursos e mais recursos
A Internet é uma vertigem. O livro que estou a ler faz de vez em quando referência a portais úteis na Internet, pelo que vou alternando a leitura do papel com a leitura do ecrã.
Mas o ecrã é terrível, porque cada texto tem montes de sugestões de livros para ver, blogues e sites para espreitar, ligações para outras páginas, etc.
Neste momento, a minha pálpebra direita salta nervosamente e sinto-me ligeiramente perdida, confusa e assoberbada com tanta informação, e ao mesmo tempo entusiasmada, contente, satisfeita com tanta coisa que encontrei. São demasiadas emoções para mim!
Mas o ecrã é terrível, porque cada texto tem montes de sugestões de livros para ver, blogues e sites para espreitar, ligações para outras páginas, etc.
Neste momento, a minha pálpebra direita salta nervosamente e sinto-me ligeiramente perdida, confusa e assoberbada com tanta informação, e ao mesmo tempo entusiasmada, contente, satisfeita com tanta coisa que encontrei. São demasiadas emoções para mim!
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Pensamentos em três actos
1. Cá tenho estado, lendo e escrevendo (artigos, não a tese), embora sem dar notícias. Faço pouco, porque há muitas tarefas e distracções pelo meio, mas faço mais do que dou a entender por aqui... sobretudo, a cabeça não pára. E basta ver uma entrevista a alguém interessante na televisão (Eduardo Galeano, Suad Amiry, Karen Armstrong, António Coimbra de Matos...) para guardar uma boa ideia numa das gavetinhas do meu desarrumado cérebro.
2. Há dias, numa reunião, um senhor doutor que se parece considerar muito importante acusou-nos a todos (docentes da instituição onde trabalho) de publicar pouquíssimo ou nada, sobretudo em revistas internacionais. Pergunto-me o que terá ele publicado e, mais importante, como é que ele sabe se nós publicamos ou não.
3. Quando os meus orientadores respondem que não, nunca ouviram falar do livro ou da revista que eu menciono, parece-me sempre que, se eles não conhecem, é porque não é importante. Mas quando eles me perguntam a mim se conheço o autor tal ou a obra tal, sinto-me sempre ignorante, porque esse título é obviamente importantíssimo e eu devia conhecê-lo!
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Segunda volta
Afinal consegui! Reescrevi o artigo cuja avaliação tinha sido péssima e voltei a enviá-lo para a coordenação editorial. Imagino a cara antipática do avaliador quando o receber de novo. Fará um ar altivo e desconfiado, como quem diz «vamos lá ver o que é que sai daqui agora...».
Independentemente de achar que esta versão é publicável, imagino que ficará satisfeito ao verificar que o texto está irreconhecível, porque eu me esforcei por seguir os seus doutos conselhos. Eliminei as citações, evitei os clichés, fiz as sugestões concretas e práticas que ele queria ver e dirigi-me ao público-alvo de forma mais adequada.
Se mesmo assim ele não gostar, eu dou-me por satisfeita e agradeço-lhe pela excelente oportunidade de aprendizagem e aperfeiçoamento que me proporcionou.
Independentemente de achar que esta versão é publicável, imagino que ficará satisfeito ao verificar que o texto está irreconhecível, porque eu me esforcei por seguir os seus doutos conselhos. Eliminei as citações, evitei os clichés, fiz as sugestões concretas e práticas que ele queria ver e dirigi-me ao público-alvo de forma mais adequada.
Se mesmo assim ele não gostar, eu dou-me por satisfeita e agradeço-lhe pela excelente oportunidade de aprendizagem e aperfeiçoamento que me proporcionou.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Reconhecendo finalmente o óbvio
Começo finalmente a reconhecer a relevância de uma verdade incómoda: a leitura atenta da bibliografia não é compatível com o uso do chat no Gmail...
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Leituras em curso
É isso: leituras em curso. Muitas. Feitas com entusiasmo e com algum medo.
Porque os livros podem ser um bocadinho assustadores, quando olhamos para eles pela primeira vez e parece que nunca seremos capazes de apreender tudo o que iremos encontrar lá dentro.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Pés na terra
Hoje foi ao contrário: recebi resposta da coordenação editorial de uma revista sobre o artigo que submeti a apreciação e o resultado, não tendo sido definitivamente negativo, é duro de roer: o avaliador assinala com uma cruz a opção de que o texto é «fraco, revelando grandes insuficiências» e explica essa escolha com argumentos vários: há muitas citações, estereótipos, nenhuma novidade, erros sintácticos e falta o que seria realmente interessante, na linha do assunto, e que se prende com a apresentação de propostas concretas e de uma argumentação mais consistente e menos presa a "clichés simplistas". Apesar de tudo, e em última análise, o artigo «tem potencial mas necessita de alterações significativas», assinala o avaliador.
As coordenadoras da revista escrevem-me o seguinte: «Queremos encorajá-la a fazer essa revisão e a apresentar uma nova versão no prazo de um mês».
O texto é, basicamente, um trabalho que fiz para avaliação num dos seminários do doutoramento. Por isso mesmo, percebo que o avaliador tenha considerado o texto desadequado para o público a que se destina - que é inteiramente outro do que foram os destinatários do trabalho.
Para já, tenho grandes dúvidas sobre a minha capacidade para fazer melhor. É evidente que preciso de fazer muito mais leituras e ter chegado muito mais longe na tese, para poder traduzi-la depois num artigo de qualidade...
domingo, 13 de maio de 2012
Pensar
Mais do que fazer alguma coisa todos os dias, o fundamental é pensar sobre o tema da tese todos os dias.
terça-feira, 8 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Thumbs up!
Dia bem positivo!
Recebo logo de manhã um e-mail a perguntar se estou interessada em apresentar uma comunicação num encontro a realizar. Era o que eu ambicionava há já algum tempo e já tenho a intervenção preparada com Powerpoint pronto e tudo! Só falta saber se aprovam o meu tema, mas estou aberta a outras sugestões, caso queiram que o altere.
À tarde tive um encontro muito agradável com o meu orientador.
Para ele, esta é a parte mais “gira” de fazer uma tese: a parte em que se aprende. Aconselha-me a não desprezar isso, a não desperdiçar esta fase, a dar-lhe a atenção que ela merece. Basicamente, não devo pensar que já devia ter avançado mais, porque não faria sentido ter escrito já um capítulo da tese. É preciso ler muito e ler leva tempo. Portanto, estar onde estou é normal e parece-lhe que tenho feito um bom trabalho.Gostou das referências bibliográficas que encontrei e de que me ocupo de momento e acha óptimo estar a publicar artigos, porque isso vai valorizar a tese.
Precisava mesmo deste voto de confiança por parte dele! Sinto-me bem.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Partilha
Ontem um colega perguntou-me qual era o tema do meu doutoramento. Disse-o de forma lacónica e genérica e ele, claro, quis saber mais. Como eu resisti, perguntou: «não consegues ser mais específica? Ou não queres revelar o teu tema?»
Era pura vergonha da minha parte. Receio de que ele e outra colega que estava ao nosso lado achassem o tema mau, desadequado, condenável. Quando ela se distraiu, acabei por lhe confessar a ele, que me pareceu ter uma mente mais aberta. Não só achou interessante, como passou de imediato a dar-me sugestões de aspectos que achava importante considerar. Fiquei contente, agradecida.
É bom poder partilhar com os outros aquilo que, tantas vezes, parece fazer sentido apenas dentro do nosso atormentado espírito.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Robert Probst, my newest friend
Descobri um livro interessante, a comprar e a reler com atenção. Made my day!
Diz o autor: «buying is easier than creating». Uma aparente verdade de La Palice, mas que no contexto introduz um tema abordado de forma muito clara, despretensiosa, objectiva. Uma lufada de ar fresco, considerando os textos densos de ideias mal explicadas, palavrosos e intelectualóides que tenho lido sobre o mesmo assunto.
Diz o autor: «buying is easier than creating». Uma aparente verdade de La Palice, mas que no contexto introduz um tema abordado de forma muito clara, despretensiosa, objectiva. Uma lufada de ar fresco, considerando os textos densos de ideias mal explicadas, palavrosos e intelectualóides que tenho lido sobre o mesmo assunto.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Todos os dias fazer alguma coisa. Já tinha escrito isto aqui, já o tinha pensado.
Mas não tenho cumprido, por isso é preciso voltar a dizer: é fundamental trabalhar um pouco na tese todos os dias, por mais insignificante que seja (ou pareça) esse "trabalho" (às vezes pode ser apenas encontrar mais uma referência bibliográfica, ter uma ideia, formular uma questão, tomar uma breve nota). O mais importante é que não se perca de vista o assunto, que a tese, por mais abstracta e vaga que seja ainda, não seja esquecida por completo durante dias a fio.
Mas não tenho cumprido, por isso é preciso voltar a dizer: é fundamental trabalhar um pouco na tese todos os dias, por mais insignificante que seja (ou pareça) esse "trabalho" (às vezes pode ser apenas encontrar mais uma referência bibliográfica, ter uma ideia, formular uma questão, tomar uma breve nota). O mais importante é que não se perca de vista o assunto, que a tese, por mais abstracta e vaga que seja ainda, não seja esquecida por completo durante dias a fio.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Poeminha de Homenagem à Preguiça Universal
Que nada é impossível
não é verdade;
todo o mundo faz nada
com facilidade
Millôr Fernandes, in "Pif-Paf"
(in Citador)
Descanso
Fui para a praia com os miúdos e fez-me bem. Passei o dia a brincar com eles, sem preocupações, sem horas, sem restrições. E foi tão bom!
Às vezes também é preciso coragem para baixar os braços.
Às vezes também é preciso coragem para baixar os braços.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Não-sim-talvez
Não estou a trabalhar para o doutoramento, mas estou a trabalhar para o doutoramento.
Percebe-se?
Não faz mal.
Hoje, de qualquer maneira, não é dia. Ou melhor, não é dia, mas pode ser dia. É dia de vir para o emprego e trabalhar para o doutoramento, se for possível, porque estou sozinha no gabinete. Percebe-se?
Não faz mal.
Em todo o caso, de certo modo, estou a trabalhar para o doutoramento, ainda que indirectamente. Estou a reflectir sobre uma questão-chave para a tese, mas resolvi escrever um artigo, para arrumar as ideias. Não serve para incluir na tese, mas serve para arrumar as ideias. Percebe-se?
Ainda bem!
Percebe-se?
Não faz mal.
Hoje, de qualquer maneira, não é dia. Ou melhor, não é dia, mas pode ser dia. É dia de vir para o emprego e trabalhar para o doutoramento, se for possível, porque estou sozinha no gabinete. Percebe-se?
Não faz mal.
Em todo o caso, de certo modo, estou a trabalhar para o doutoramento, ainda que indirectamente. Estou a reflectir sobre uma questão-chave para a tese, mas resolvi escrever um artigo, para arrumar as ideias. Não serve para incluir na tese, mas serve para arrumar as ideias. Percebe-se?
Ainda bem!
segunda-feira, 26 de março de 2012
Limbo
Férias da Páscoa: o desafio de ter as crianças por perto e não me enervar. Enquanto houver tempo, há tempo.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Papão
A bibliografia é decididamente o meu bicho-papão. Cresce desmesuradamente, ameaçadora e caótica, e faz-me sentir insignificante e impotente.
quarta-feira, 14 de março de 2012
( *%» )
Decidi trancar-me no gabinete onde trabalho, para que uma colega particularmente faladora não me viesse incomodar e eu pudesse fazer hoje alguma coisa para o doutoramento.
Quando ouvi os passos dela a subirem a escada e a baterem à porta, não fui capaz de ficar quieta. Levantei-me e fui abrir. Porquê?
Porque sou estúpida.
Disse-lhe que me tinha trancado por distracção e ouvi-a durante meia hora sem a ouvir. Senti-me estúpida, estúpida, estúpida.
Hoje odeio-me. Mesmo. Merda. Para não dizer pior.
Quando ouvi os passos dela a subirem a escada e a baterem à porta, não fui capaz de ficar quieta. Levantei-me e fui abrir. Porquê?
Porque sou estúpida.
Disse-lhe que me tinha trancado por distracção e ouvi-a durante meia hora sem a ouvir. Senti-me estúpida, estúpida, estúpida.
Hoje odeio-me. Mesmo. Merda. Para não dizer pior.
terça-feira, 13 de março de 2012
Grão a grão...
Uma amiga igualmente desesperada por falta de tempo no dia-a-dia para o doutoramento sugere que escrevamos a tese ao ritmo de uma frase por dia.
Talvez resulte...
Talvez resulte...
quarta-feira, 7 de março de 2012
semanário quando muito
Isto de diário tem muito pouco...
Hoje faço tudo menos concentrar-me no que é importante. Fujo da tese que ainda não é tese, por medo de ter de reconhecer que de tese não tem nada.
Não me consigo organizar, disperso-me, o método foi dar uma volta.
Sinto-me como o mosquito no campo de nudistas: sei o que fazer, mas não sei por onde começar.
Hoje faço tudo menos concentrar-me no que é importante. Fujo da tese que ainda não é tese, por medo de ter de reconhecer que de tese não tem nada.
Não me consigo organizar, disperso-me, o método foi dar uma volta.
Sinto-me como o mosquito no campo de nudistas: sei o que fazer, mas não sei por onde começar.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Lost in savings
Estou confusa e perdida entre ficheiros. Ora trabalho no emprego e uso a pen-drive para guardar os ficheiros, ora trabalho em casa e guardo os ficheiros no computador. Nesta alternância, já não sei qual é a última versão de cada ficheiro...
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Fantasmas
O dos orientadores substituídos.
O da minha incapacidade.
O da minha preguiça.
O do excesso de trabalho.
O da falta de tempo.
Ora vejamos:
o primeiro vai atormentar-me até ao fim dos meus dias, mesmo depois de ter a tese feita e defendida. Logo, não vale a pena preocupar-me demasiado com ele.
O segundo e o terceiro contradizem-se e anulam-se reciprocamente (se não sou capaz, não há esforço que valha a pena; se sou preguiçosa, é indiferente que seja capaz ou não), portanto, valem por um só.
O do "excesso de trabalho" é, também, incompatível com a preguiça. Se a assumo, não há trabalho que me preocupe. Se me ocupo do trabalho, venço a preguiça. Fica só este.
Falta de tempo é o que temos todos para viver. Até ao lavar dos cestos é vindima, pelo que só poderei dizer que não tive tempo suficiente se, em Janeiro de 2014, não tiver conseguido acabar a tese. Até lá, fico com o tempo que existe e com o trabalho todo que aparecer. Serve perfeitamente.
O da minha incapacidade.
O da minha preguiça.
O do excesso de trabalho.
O da falta de tempo.
Ora vejamos:
o primeiro vai atormentar-me até ao fim dos meus dias, mesmo depois de ter a tese feita e defendida. Logo, não vale a pena preocupar-me demasiado com ele.
O segundo e o terceiro contradizem-se e anulam-se reciprocamente (se não sou capaz, não há esforço que valha a pena; se sou preguiçosa, é indiferente que seja capaz ou não), portanto, valem por um só.
O do "excesso de trabalho" é, também, incompatível com a preguiça. Se a assumo, não há trabalho que me preocupe. Se me ocupo do trabalho, venço a preguiça. Fica só este.
Falta de tempo é o que temos todos para viver. Até ao lavar dos cestos é vindima, pelo que só poderei dizer que não tive tempo suficiente se, em Janeiro de 2014, não tiver conseguido acabar a tese. Até lá, fico com o tempo que existe e com o trabalho todo que aparecer. Serve perfeitamente.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Upa!
O meu coração bate com mais força assim que as coisas começam a correr bem. O meu entusiasmo salta cá dentro, faz-me levantar da cadeira e andar pela casa aos pulinhos. Sinto-me como se fosse uma lebre no primeiro dia de Primavera. Só quero fazer isto e mais nada, quais férias de Carnaval, qual Algarve. O ideal era que fossem todos e que me deixassem aqui, no meu bosque, no meu pequeno mundo.
Isto só pode significar que tenho, pelo menos, o gosto e a dedicação necessários para andar com isto para a frente.
Isto só pode significar que tenho, pelo menos, o gosto e a dedicação necessários para andar com isto para a frente.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Ora...ora
Acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; ...
Deve acontecer a toda a gente.
Deve acontecer a toda a gente.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
A grande verdade
«Queres que eu te diga o que eu acho?», perguntaste-me. «O que eu acho é que se tiveres só um dia por semana para isso não vais fazer doutoramento nenhum.»
Nem mais.
Nem mais.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Leituras com pó
Estou a ler artigos de 1999. Hesito, porque têm mais de 10 anos. Mas fazem-me reflectir e aprender. Não posso fingir que não são relevantes, porque são, apesar de datados.
Um dos dilemas do doutorando: ler ou não ler, eis a questão...
Um dos dilemas do doutorando: ler ou não ler, eis a questão...
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Para que se saiba:
estou completamente perdida neste círculo vicioso, em que ando há tempos às voltas sem sair do lugar. Não posso ser ajudada por ninguém, tenho de sair daqui sozinha. E não sei como.
O desespero é total.
Pode parecer parcial, mas é total.
O desespero é total.
Pode parecer parcial, mas é total.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Balanço do dia
Já são 19h.30m., tenho os filhos em casa, são quase horas de jantar, mas continuo agarrada à tese como se tivesse de acabar este capítulo antes da meia-noite. É bom, o balanço de hoje seria positivo, mas isto causa-me ao mesmo tempo uma grande frustração, porque o tempo não chega, nunca chega, para estar calmamente a trabalhar.
Claro que não posso queixar-me: fui jogar ténis de manhã, desperdicei mais de uma hora no almoço e perdi tempo várias vezes ao longo do dia. Mas agora apetecia-me continuar, agora é que me apetecia continuar. Rrrrrrr.
E por causa desta e de outras frustrações é que bati com a mão no roupeiro com toda a fúria e fiquei com um hematoma horroroso. Decididamente, sou um bicho muito complicado e às vezes detesto-me por isso. Como hoje.
Claro que não posso queixar-me: fui jogar ténis de manhã, desperdicei mais de uma hora no almoço e perdi tempo várias vezes ao longo do dia. Mas agora apetecia-me continuar, agora é que me apetecia continuar. Rrrrrrr.
E por causa desta e de outras frustrações é que bati com a mão no roupeiro com toda a fúria e fiquei com um hematoma horroroso. Decididamente, sou um bicho muito complicado e às vezes detesto-me por isso. Como hoje.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Dias assim
Dias assim valem o preço que custam!
Mergulhei nisto logo de manhã, não sem antes ir fazer uma caminhada, para acordar. Um pouco tropegamente, sem saber muito bem por onde começar, como sempre à sexta-feira, mas lá fui abrindo caminho neste mar desconhecido e traiçoeiro.
Parei para um agradável almoço e voltei assim que pude para colar o rabo à cadeira e para alternar os olhos entre o monitor e os livros. Fui buscar os miúdos à escola, mas deixei tudo ligado e aberto, talvez me apetecesse continuar mais tarde, quando eles fossem dormir.
Deitei-os e voltei, com uma vontade arrefecida, mas ainda existente. Reengrenei e, coisa espantosa, embrenhei-me de tal modo que verifiquei, com espanto, que a meia-noite chegou sem eu dar por isso!
Claro, fiz outras coisas pelo meio, nem sei trabalhar de outra maneira. Mas a esta hora, como tenho pouca esperança de que o tempo me renda, dou-me ao luxo de manter o FB ligado. Daí o meu espanto: mesmo assim, rendeu. Óptimo sinal!
Mergulhei nisto logo de manhã, não sem antes ir fazer uma caminhada, para acordar. Um pouco tropegamente, sem saber muito bem por onde começar, como sempre à sexta-feira, mas lá fui abrindo caminho neste mar desconhecido e traiçoeiro.
Parei para um agradável almoço e voltei assim que pude para colar o rabo à cadeira e para alternar os olhos entre o monitor e os livros. Fui buscar os miúdos à escola, mas deixei tudo ligado e aberto, talvez me apetecesse continuar mais tarde, quando eles fossem dormir.
Deitei-os e voltei, com uma vontade arrefecida, mas ainda existente. Reengrenei e, coisa espantosa, embrenhei-me de tal modo que verifiquei, com espanto, que a meia-noite chegou sem eu dar por isso!
Claro, fiz outras coisas pelo meio, nem sei trabalhar de outra maneira. Mas a esta hora, como tenho pouca esperança de que o tempo me renda, dou-me ao luxo de manter o FB ligado. Daí o meu espanto: mesmo assim, rendeu. Óptimo sinal!
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Boa notícia
Alguém falou com ele e ouviu-o dizer que acha que eu vou fazer uma boa tese e que já encontrei o caminho. São mimos destes que me dão alento!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Sexta-feira e... ?
Levo a semana a ansiar pela sexta-feira, que é o meu único dia de paz para me dedicar em exclusivo - ou quase - à tese. Mas quando ela chega sinto-me perdida e ansiosa, não sei bem como gerir o tempo, o que ler primeiro, por onde atacar o bicho.
Vou-me aproximando devagar, como quem não quer a coisa, só me falta assobiar para o lado.
Abro ficheiros, inteiro-me de como está a situação, desde a semana anterior. Está tudo na mesma, que pena... não tive nenhum acesso de sonambulismo inspirado.
Leio umas coisas quase ao acaso, lá me vou embrenhando no mato. A certa altura, sem dar por isso, estou a caminhar num trilho que se vai abrindo cada vez mais.
Piso o chão com força, não vá ele sumir-se.
Começo a entusiasmar-me e...
... são horas de ir buscar os miúdos à escola!
Vou-me aproximando devagar, como quem não quer a coisa, só me falta assobiar para o lado.
Abro ficheiros, inteiro-me de como está a situação, desde a semana anterior. Está tudo na mesma, que pena... não tive nenhum acesso de sonambulismo inspirado.
Leio umas coisas quase ao acaso, lá me vou embrenhando no mato. A certa altura, sem dar por isso, estou a caminhar num trilho que se vai abrindo cada vez mais.
Piso o chão com força, não vá ele sumir-se.
Começo a entusiasmar-me e...
... são horas de ir buscar os miúdos à escola!
domingo, 15 de janeiro de 2012
Avanti!
Nova troca de e-mails ainda na sequência da apreciação do meu novo ponto de partida, confirma-se que estou a ir bem. A última palavra do orientador foi Avanti!
Toca encontrar tempo e espaço para trabalhar nisto de forma sistemática e metódica. Não há desculpas que sirvam para protelar o que tem de ser feito... e bem feito!
Toca encontrar tempo e espaço para trabalhar nisto de forma sistemática e metódica. Não há desculpas que sirvam para protelar o que tem de ser feito... e bem feito!
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Tentar a serenidade
as palavras que vão surgir sabem de nós o que nós não sabemos delas.
René Char (poeta)
René Char (poeta)
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Mensagem recebida
Mensagem de e-mail do orientador, logo após mais uma "investida" minha, a propósito da publicação que li hoje. Está melhor (com este texto, diz ele, oriento-me num sentido mais adequado ao que pretendo), mas dá ainda outras achegas que me parecem interessantes embora dificilmente exequíveis. Ele deve acreditar que sou capaz, mas ainda estou tão longe...!
Ora bolas :(
Começo logo o dia com uma descoberta desarmante: recebo em casa uma revista que contém, entre outros artigos, o texto de uma conferência integrada num encontro a que eu assisti - mas que logo por azar era a última comunicação, à qual faltei. Descubro, agora, que o conteúdo é muito semelhante ao do meu novo projecto, ou seja, aquilo que eu pensava que era um bocadinho de pólvora que eu tinha descoberto não é, afinal, novidade nenhuma...
Comentei isto com o orientador. Ele respondeu sugerindo que qualquer pretensão de ser original no que respeita ao âmbito em que se insere a tese seria uma veleidade minha. Original é a proposta que vou fazer nesse âmbito, mais nada. Faz sentido. Depois reflecti: sempre que eu demonstrar que tenho a pretensão de estar a ser original, provavelmente estou antes a demonstrar que não investiguei o suficiente. Reformulando: quem julga que diz alguma coisa pela primeira vez mostra, na maior parte dos casos, que simplesmente não sabe, porque não leu, que outros já pensaram isso mesmo.
Comentei isto com o orientador. Ele respondeu sugerindo que qualquer pretensão de ser original no que respeita ao âmbito em que se insere a tese seria uma veleidade minha. Original é a proposta que vou fazer nesse âmbito, mais nada. Faz sentido. Depois reflecti: sempre que eu demonstrar que tenho a pretensão de estar a ser original, provavelmente estou antes a demonstrar que não investiguei o suficiente. Reformulando: quem julga que diz alguma coisa pela primeira vez mostra, na maior parte dos casos, que simplesmente não sabe, porque não leu, que outros já pensaram isso mesmo.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Má época
Acabo de voltar atrás a ver o que andei a escrever por esta altura do ano em 2010. Verifiquei que sentia a mesma dúvida, o mesmo desespero. E mais: que fui ver o que havia escrito em 2009 e o sentimento era exactamente esse. Conclui-se, portanto, que esta é uma péssima altura do ano para trabalhar no doutoramento!
Com tempo, com sossego e sem ideias
Às vezes pergunto-me se realmente vou ser capaz de fazer isto.
Sinto-me fazia de ideias, e nem sequer posso dizer que é da falta de condições para trabalhar. Se não fosse o frio nas mãos, o ambiente aqui no meu emprego seria perfeito: estou completamente sozinha em absoluto sossego e tenho o dia todo. Mas o que é que faço com ele? Ler? O quê?
Sinto-me fazia de ideias, e nem sequer posso dizer que é da falta de condições para trabalhar. Se não fosse o frio nas mãos, o ambiente aqui no meu emprego seria perfeito: estou completamente sozinha em absoluto sossego e tenho o dia todo. Mas o que é que faço com ele? Ler? O quê?
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Take 2
Nada a fazer: serei impulsiva até à morte.
Acabo de repente o texto que tenho andado a escrever, como espécie de introdução provisória à tese, em que procuro estabelecer a tal ideia de força ou de fundo, e envio-a ao meu orientador, para que diga de sua justiça.
Logo a seguir, reli o texto e achei que precisava de emendas, de mudanças. Alterei umas coisas e enviei-lhe a inevitável correcção: «por favor, considere antes este ficheiro, em vez do anterior.» Típico de quem faz primeiro e pensa depois...
E agora, como a época é má, ele deve demorar a responder. Mais uma vez, tenho de ter calma e paciência.
Acabo de repente o texto que tenho andado a escrever, como espécie de introdução provisória à tese, em que procuro estabelecer a tal ideia de força ou de fundo, e envio-a ao meu orientador, para que diga de sua justiça.
Logo a seguir, reli o texto e achei que precisava de emendas, de mudanças. Alterei umas coisas e enviei-lhe a inevitável correcção: «por favor, considere antes este ficheiro, em vez do anterior.» Típico de quem faz primeiro e pensa depois...
E agora, como a época é má, ele deve demorar a responder. Mais uma vez, tenho de ter calma e paciência.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Nicles
Pois é... não tenho conseguido fazer nadinha.
Para referência futura, devo registar que o mês de Dezembro não rende: são as classificações dos trabalhos dos alunos, os meus anos, os anos do meu sobrinho, o Natal, o fim do ano... uma loucura, é impossível arranjar tempo para me concentrar.
Que chatice!
Para referência futura, devo registar que o mês de Dezembro não rende: são as classificações dos trabalhos dos alunos, os meus anos, os anos do meu sobrinho, o Natal, o fim do ano... uma loucura, é impossível arranjar tempo para me concentrar.
Que chatice!
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Isto vai
Isto vai. Devagar. Vai indo. Se não vai, há-de ir.
Releio o meu novo projecto e parece-me que já lhe vejo as pernas com que há-de andar.
É preciso não entrar em inseguranças parvas que só servem para dar de mim uma imagem de menina mimada e caprichosa, que não sabe o que quer, senão que quer ser apaparicada, levada ao colo, com festas na cabeça. Este é um trabalho para gente grande, que se faz em sereno isolamento.
Sem medo, sem ataques, sem impulsividade. Com a segurança e a tranquilidade de quem, se não sabe, faz por aprender.
Releio o meu novo projecto e parece-me que já lhe vejo as pernas com que há-de andar.
É preciso não entrar em inseguranças parvas que só servem para dar de mim uma imagem de menina mimada e caprichosa, que não sabe o que quer, senão que quer ser apaparicada, levada ao colo, com festas na cabeça. Este é um trabalho para gente grande, que se faz em sereno isolamento.
Sem medo, sem ataques, sem impulsividade. Com a segurança e a tranquilidade de quem, se não sabe, faz por aprender.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Ufa!
Alívio! O meu orientador escreveu-me finalmente a dizer que as páginas que lhe enviei não são nada para deitar fora, que as deixe a hibernar, pois poderão servir (ou não), consoante o novo rumo que eu der à tese.
Optimismo e esperança, portanto! Excelente notícia para passar o feriado mais descansada...
Optimismo e esperança, portanto! Excelente notícia para passar o feriado mais descansada...
sábado, 26 de novembro de 2011
Agradecimento
Agradeço ao Luís Alves de Fraga pelos bons conselhos que não se cansa de me dar.
Tem toda a razão, de facto eu corro o risco que aponta no seu comentário ao texto "Engolidela em seco". Ainda estou a tempo de entrar nos eixos! Vamos a isso...
Tem toda a razão, de facto eu corro o risco que aponta no seu comentário ao texto "Engolidela em seco". Ainda estou a tempo de entrar nos eixos! Vamos a isso...
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
:(
Sinto-me desmoralizada. Não sei o que fazer. Apetece-me desistir. Só não desisto porque isso poria em risco a minha condição de empregada.
Não sei como sair deste buraco!
Não sei como sair deste buraco!
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Mau sinal
Este meu novo orientador é a pessoa mais disponível que há. Ou era, até agora. Nunca demora mais do que dois ou três dias a responder e, quando diz "vou ler no fim-de-semana e depois digo alguma coisa" é porque vai dizer mesmo.
Assim sendo, e dado que foi na sexta-feira passada que lhe enviei 12 páginas para ler, só posso concluir que o que escrevi está tão mau, que ele não sabe como dizer-me. Este silêncio só pode ser mau sinal...
Assim sendo, e dado que foi na sexta-feira passada que lhe enviei 12 páginas para ler, só posso concluir que o que escrevi está tão mau, que ele não sabe como dizer-me. Este silêncio só pode ser mau sinal...
domingo, 20 de novembro de 2011
Engolidela em seco
Com receio, desconforto e ansiedade, enviei na sexta-feira passada algumas páginas ao meu novo orientador, perguntando-lhe se seriam aproveitáveis ou se deveria eliminá-las para sempre.
Eu sei que devia era estar a ler, a ler, a ler, e pouco ou nada preocupada em escrever. Mas não sou capaz de levar tempos infindáveis a assimilar apenas, sem digerir e... enfim, deitar alguma coisa cá para fora que seja o produto, ou o resultado, dessa assimilação. Sinto necessidade de arrumar ideias, de ir reflectindo e passando as conclusões para um texto já minimamente organizado, que me facilite mais tarde o trabalho. E confesso: tenho pressa de ver a tese a começar, a desenhar-se no branco do ecrã e não devia... impulsiva, ingénua, imatura. Sempre.
Por isso, talvez seja bom levar com um balde de água fria. O melhor será mesmo que ele me responda a dizer que estou a perder tempo precioso de leitura com escritas inconsequentes.
Há pessoas que só aprendem à força, ou seja, quando levam na cabeça. Eu sou uma delas...
Eu sei que devia era estar a ler, a ler, a ler, e pouco ou nada preocupada em escrever. Mas não sou capaz de levar tempos infindáveis a assimilar apenas, sem digerir e... enfim, deitar alguma coisa cá para fora que seja o produto, ou o resultado, dessa assimilação. Sinto necessidade de arrumar ideias, de ir reflectindo e passando as conclusões para um texto já minimamente organizado, que me facilite mais tarde o trabalho. E confesso: tenho pressa de ver a tese a começar, a desenhar-se no branco do ecrã e não devia... impulsiva, ingénua, imatura. Sempre.
Por isso, talvez seja bom levar com um balde de água fria. O melhor será mesmo que ele me responda a dizer que estou a perder tempo precioso de leitura com escritas inconsequentes.
Há pessoas que só aprendem à força, ou seja, quando levam na cabeça. Eu sou uma delas...
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Sem tempo nem ânimo
É basicamente isto: sem tempo nem ânimo. Ou, corrigindo: com pouco tempo e pouco ânimo.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
às voltas com as palavras
Gnóstico, gnósico, gnosiológico - às vezes as palavras confundem-se e baralham-me, com as suas subtis cambiantes de significado.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Sufoco
Agora tenho de estar mais tempo no local de trabalho e preencher diariamente um "Registo de Ponto". Menos tempo, portanto, para a investigação para o doutoramento, que ainda assim, claro, tem de ser feita no mesmo prazo.
Portanto... o cinto que nos aperta a existência não é só financeiro!
Portanto... o cinto que nos aperta a existência não é só financeiro!
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
contemporaneidade
O contemporâneo fala-nos de nós hoje, mesmo quando foi escrito há décadas, séculos. É sempre uma agradável surpresa - seja ela mais inócua ou mais arrepiante - encontrar contemporaneidade certeira em textos que atravessaram o tempo.
«What I propose in the following is a reconsideration of the human condition from the vantage point of our newest experiences and our most recent fears. This, obviously, is a matter of thought, and thoughtlessness—the heedless recklessness or hopeless confusion or complacent repetition of "truths" which have become trivial and empty—seems to me among the outstanding characteristics of our time. What I propose, therefore, is very simple: it is nothing more than to think what we are doing.»
Hannah Arendt, The Human Condition (1958)
«What I propose in the following is a reconsideration of the human condition from the vantage point of our newest experiences and our most recent fears. This, obviously, is a matter of thought, and thoughtlessness—the heedless recklessness or hopeless confusion or complacent repetition of "truths" which have become trivial and empty—seems to me among the outstanding characteristics of our time. What I propose, therefore, is very simple: it is nothing more than to think what we are doing.»
Hannah Arendt, The Human Condition (1958)
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
pousio
O pousio é fundamental para que possamos olhar para o que fizemos com uma atitude crítica, distanciada, objectiva, se possível, até, fazendo de conta que o autor foi outra pessoa.
Ontem escrevi, escrevi, numa tentativa quase desesperada de arrumar ideias e reformular aquilo que pensei que tinha sido o meu projecto e que afinal não era, ainda, projecto nenhum.
Agora preciso de esquecer o que escrevi, por umas horas, uns dias. E depois reabrir o ficheiro e ler o texto com outros olhos. Ou melhor, com os mesmos olhos, mas como se o texto fosse outro.
Ontem escrevi, escrevi, numa tentativa quase desesperada de arrumar ideias e reformular aquilo que pensei que tinha sido o meu projecto e que afinal não era, ainda, projecto nenhum.
Agora preciso de esquecer o que escrevi, por umas horas, uns dias. E depois reabrir o ficheiro e ler o texto com outros olhos. Ou melhor, com os mesmos olhos, mas como se o texto fosse outro.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Começar de novo, com confiança
Há qualquer coisa - ou muita coisa - neste homem que me transmite tranquilidade, segurança, confiança. Mesmo quando duvido da minha capacidade para conseguir levar a tese até ao fim (aliás, fazê-la formar-se, logo para começar), só o facto de o ter como orientador sossega-me, apazigua-me. Ele há-de me inspirar!
Voltei, graças a ele, à estaca zero. E agora, ao ler o meu projecto, tenho vontade de rir, pelas banalidades que escrevi. Com duas conversas e dois livros, ele abriu-me os olhos, fez-me perceber que aquilo era superficial, pobre, pouco. Por isso, por mais que me custe pensar que tenho de começar de novo, ao fim deste tempo todo, fico feliz, sinto-me bem. E ainda há tempo, claro.
Voltei, graças a ele, à estaca zero. E agora, ao ler o meu projecto, tenho vontade de rir, pelas banalidades que escrevi. Com duas conversas e dois livros, ele abriu-me os olhos, fez-me perceber que aquilo era superficial, pobre, pouco. Por isso, por mais que me custe pensar que tenho de começar de novo, ao fim deste tempo todo, fico feliz, sinto-me bem. E ainda há tempo, claro.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
TAKE 3, 1.º encontro
Agora espero que seja de vez. Encontrei-me com o meu novo orientador para falarmos sobre o projecto. Não gosta dele, diz que não é um verdadeiro projecto, porque não existe nele uma tese propriamente dita.
Vai ser preciso ler mais e diferente, pensar mais a fundo, encontrar uma ideia verdadeiramente original, que sustente a proposta que quero apresentar. De outro modo, há apenas uma vontade, uma "fixação", mas a "tese" será apenas burocrática e... um suicídio, no que respeita à prova de defesa.
Para ter uma tese é preciso que haja "caco", uma boa ideia que seja defensável. Ele explicou isto melhor, claro, mas para registar aqui serve dizer apenas isto: o que fiz até agora é manifestamente insuficiente como ponto de partida.
Ora já valeu a pena a mudança de orientador, certo?
Vai ser preciso ler mais e diferente, pensar mais a fundo, encontrar uma ideia verdadeiramente original, que sustente a proposta que quero apresentar. De outro modo, há apenas uma vontade, uma "fixação", mas a "tese" será apenas burocrática e... um suicídio, no que respeita à prova de defesa.
Para ter uma tese é preciso que haja "caco", uma boa ideia que seja defensável. Ele explicou isto melhor, claro, mas para registar aqui serve dizer apenas isto: o que fiz até agora é manifestamente insuficiente como ponto de partida.
Ora já valeu a pena a mudança de orientador, certo?
sábado, 22 de outubro de 2011
RESCALDO
De volta à faculdade, encontrei o co-orientador, a quem puxei eu mesma as orelhas, porque com esse não tenho obrigação nenhuma de ser meiga. Ainda estava, afinal, à espera de resposta a uma mensagem que lhe enviei pelo Facebook (aos mails não respondia) em Agosto e que tenho a certeza de que ele viu. Primeiro ainda tentou dissuadir-me: «veja lá... já é a segunda vez que muda de orientador...» mas depois ouviu-me calado, porque admitiu que eu tinha razão: muito sucintamente, a orientação dele era igual a zero.
Tive de pedir ao director do departamento que assumisse, então, aquilo que tinha dito. Estava realmente disposto a orientar-me? Então que me orientasse, por favor. Os meus orientadores não tinham tempo para mim e se ele concordava que quem não está satisfeito deve poder escolher outro, então que fosse o meu outro. Que sim, que queria ler o meu projecto para ter a certeza, mas em princípio sim.
Havia, na minha vontade de mudar de orientador, uma certa razão. Mas não se faz o que eu fiz, pelo menos a ela, que sempre demonstrou boa vontade e profissionalismo, sem considerar a falta de tempo. Não se faz, a menos que se queira fomentar inimizades. Nesse aspecto, eu dei um tiro no pé, ou, como disse depois um amigo, enterrei os pés até ao pescoço.
Tive de pedir ao director do departamento que assumisse, então, aquilo que tinha dito. Estava realmente disposto a orientar-me? Então que me orientasse, por favor. Os meus orientadores não tinham tempo para mim e se ele concordava que quem não está satisfeito deve poder escolher outro, então que fosse o meu outro. Que sim, que queria ler o meu projecto para ter a certeza, mas em princípio sim.
Havia, na minha vontade de mudar de orientador, uma certa razão. Mas não se faz o que eu fiz, pelo menos a ela, que sempre demonstrou boa vontade e profissionalismo, sem considerar a falta de tempo. Não se faz, a menos que se queira fomentar inimizades. Nesse aspecto, eu dei um tiro no pé, ou, como disse depois um amigo, enterrei os pés até ao pescoço.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
BOMBA
Foi como se tivesse levado uma bomba para a faculdade, para a fazer explodir na cara da minha orientadora.
Lamentei-me junto do director do departamento, que conheço há 20 anos e por quem tenho uma grande estima, de que ela não tem tido tempo para me orientar e de que o co-orientador me ignora, como se eu não existisse. Sem ser completamente a sério, perguntei-lhe a certa altura se me orientaria, porque estava descontente e desorientada. E ele disse que sim.
Eis que se me faz clique dentro da cabeça. E se... ?
Ele nem me dá tempo para raciocinar: «ela vai ali!»
Saí a correr, para a apanhar. Esperei que ela acabasse de conversar com alguém e finalmente pude abordá-la.
«Nem tenho tido tempo para lhe dizer nada, mas não preciso de lhe dar explicações, não é verdade?» - começou ela, deixando-me boquiaberta. Ai não?, pensei. Por acaso acho que até devia...
Então, não pude evitar, saiu-me: disse-lhe que, se via que não tinha tempo para me orientar, eu podia mudar. Que o director do departamento estava disposto a assumir a tarefa, se ela não a quisesse.
Ela respondeu que eu estivesse à vontade para tomar essa decisão, que ficava ao meu critério. «Mas quer orientar-me?» - Perguntei. E ela respondeu que sim.
Então pedi-lhe que marcássemos uma reunião e que ela lesse o que tenho andado a escrever.
Só daqui a um mês, foi a condição dela... antes disso, (como sempre), não tinha tempo.
Depois de nos separarmos ela ficou a matutar naquilo. Chegou à conclusão de que tinha sido uma conversa muito desagradável e telefonou-me ao fim da tarde, para me dizer que estava muito incomodada e que sentia que não tinha condições, a partir dali, para me orientar.
Basicamente, fui uma besta. E chorei.
Lamentei-me junto do director do departamento, que conheço há 20 anos e por quem tenho uma grande estima, de que ela não tem tido tempo para me orientar e de que o co-orientador me ignora, como se eu não existisse. Sem ser completamente a sério, perguntei-lhe a certa altura se me orientaria, porque estava descontente e desorientada. E ele disse que sim.
Eis que se me faz clique dentro da cabeça. E se... ?
Ele nem me dá tempo para raciocinar: «ela vai ali!»
Saí a correr, para a apanhar. Esperei que ela acabasse de conversar com alguém e finalmente pude abordá-la.
«Nem tenho tido tempo para lhe dizer nada, mas não preciso de lhe dar explicações, não é verdade?» - começou ela, deixando-me boquiaberta. Ai não?, pensei. Por acaso acho que até devia...
Então, não pude evitar, saiu-me: disse-lhe que, se via que não tinha tempo para me orientar, eu podia mudar. Que o director do departamento estava disposto a assumir a tarefa, se ela não a quisesse.
Ela respondeu que eu estivesse à vontade para tomar essa decisão, que ficava ao meu critério. «Mas quer orientar-me?» - Perguntei. E ela respondeu que sim.
Então pedi-lhe que marcássemos uma reunião e que ela lesse o que tenho andado a escrever.
Só daqui a um mês, foi a condição dela... antes disso, (como sempre), não tinha tempo.
Depois de nos separarmos ela ficou a matutar naquilo. Chegou à conclusão de que tinha sido uma conversa muito desagradável e telefonou-me ao fim da tarde, para me dizer que estava muito incomodada e que sentia que não tinha condições, a partir dali, para me orientar.
Basicamente, fui uma besta. E chorei.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
IMPORTANTE
Beber vinho ao almoço não é recomendável quando se pretende trabalhar para a tese durante a tarde.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Levitação
Gosto da sensação de total imersão na leitura e na escrita, que faz de mim um ser etéreo, sem corpo nem noção do tempo, como se de repente tivesse passado a existir numa outra dimensão, onde só há espírito e o espírito pode concentrar-se exclusivamente na ideia que lhe interessa perseguir.
Do físico só tem de haver um computador e dedos ligados ao espírito, claro, para que fiquem registadas as brilhantes conclusões a que nesse estado se chega!
Do físico só tem de haver um computador e dedos ligados ao espírito, claro, para que fiquem registadas as brilhantes conclusões a que nesse estado se chega!
:-S
Faz hoje duas semanas e a orientadora ainda não me deu qualquer resposta.
Comecei a escrever-lhe um e-mail em que perguntava qualquer coisa como «já teve oportunidade de ler o meu e-mail anterior?». Mas desisti. Para quê?
1. Ela vai ficar aflita e pedir desculpa, justificando-se com os seus inúmeros afazeres. 2. Eu já sabia que ela não iria ter muito tempo para mim (foi por isso que começou por declinar a proposta de me orientar!). 3. O que é que eu quero, ou preciso, neste momento, que justifique o envio de um terceiro e-mail? Não posso continuar o trabalho sem ter a resposta ao que lhe perguntei? Posso.
Tudo o que eu queria, já percebi, era apenas alguma atenção. E não é para isso que serve um orientador.
Comecei a escrever-lhe um e-mail em que perguntava qualquer coisa como «já teve oportunidade de ler o meu e-mail anterior?». Mas desisti. Para quê?
1. Ela vai ficar aflita e pedir desculpa, justificando-se com os seus inúmeros afazeres. 2. Eu já sabia que ela não iria ter muito tempo para mim (foi por isso que começou por declinar a proposta de me orientar!). 3. O que é que eu quero, ou preciso, neste momento, que justifique o envio de um terceiro e-mail? Não posso continuar o trabalho sem ter a resposta ao que lhe perguntei? Posso.
Tudo o que eu queria, já percebi, era apenas alguma atenção. E não é para isso que serve um orientador.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Bolas :(
É um nadinha frustrante chegar ao fim do dia, quando se tinha a intenção de dedicar pelo menos o período da tarde ao trabalho para o doutoramento, e verificar que, afinal, o tempo não deu para lhe dedicar nem um minuto.
C'est la vie...
C'est la vie...
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Devagar se vai... a algum lado.
Posso fazer muitos planos, ter grandes expectativas, e acabar por conseguir fazer muito pouco num dia que poderia (deveria!) ter rendido muito.
Mas se fiz alguma coisa dou-me por feliz. Se escrevi um parágrafo, mais ainda. E se ele me parece bem, tanto melhor!
Mas se fiz alguma coisa dou-me por feliz. Se escrevi um parágrafo, mais ainda. E se ele me parece bem, tanto melhor!
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Esperar sem desesperar
E-mail enviado.
À minha orientadora, só para lhe dar conta da situação em que estou. Eram apenas algumas linhas e não enviei nenhum anexo, mas ela respondeu uns dias depois a dizer que iria lê-las com atenção no fim-de-semana e depois me diria qualquer coisa.
Faz hoje uma semana.
Tranquila...
Há muito que fazer e não me perco sem bússola.
Acho.
À minha orientadora, só para lhe dar conta da situação em que estou. Eram apenas algumas linhas e não enviei nenhum anexo, mas ela respondeu uns dias depois a dizer que iria lê-las com atenção no fim-de-semana e depois me diria qualquer coisa.
Faz hoje uma semana.
Tranquila...
Há muito que fazer e não me perco sem bússola.
Acho.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Ler e transcrever
Leio e transcrevo, leio e transcrevo. Parágrafos, páginas quase inteiras. Isto há-de servir para alguma coisa, espero. Leio e vou transcrevendo. Acumulo e colecciono citações. Pouco mais posso fazer, por enquanto. Calma.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Tempo e oportunidade
Mais do que ser precioso - e preciosamente escasso - o tempo é irrepetível, e cada oportunidade que nos oferece de sermos, acontecermos e fazermos nele é absolutamente ÚNICA.
Quer isto dizer que sinto o seguinte: se eu não tivesse aproveitado os momentos de hoje, que me serviram para ter determinadas ideias e chegar a determinadas conclusões, talvez elas me fossem vedadas para sempre.
Ou talvez não.
Mas nunca se sabe...
Quer isto dizer que sinto o seguinte: se eu não tivesse aproveitado os momentos de hoje, que me serviram para ter determinadas ideias e chegar a determinadas conclusões, talvez elas me fossem vedadas para sempre.
Ou talvez não.
Mas nunca se sabe...
Decisions, decisions...
Entre ir à praia e ficar a ler e a trabalhar na tese, escolho .......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
ok, fico em casa :(
ok, fico em casa :(
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Palavras a mais
Um autor palavroso parece estar permanentemente a querer erguer um muro entre os leitores e o significado do que diz. Desconfio sempre de alguma insegurança, que levará precisamente à protecção por trás de uma barreira de palavras.
Mas também se aprende com estas leituras mais difíceis e maçadoras. A não pecar pelo mesmo defeito, claro. E não só. Porque a erudição que sobressai, tirando os exageros da verborreia, é inspiradora.
Nada como ver o lado positivo das coisas!
Mas também se aprende com estas leituras mais difíceis e maçadoras. A não pecar pelo mesmo defeito, claro. E não só. Porque a erudição que sobressai, tirando os exageros da verborreia, é inspiradora.
Nada como ver o lado positivo das coisas!
domingo, 25 de setembro de 2011
Unindo o útil ao agradável
Fico feliz quando uma leitura que escolhi para as horas de lazer se me revela útil e inspiradora para o trabalho de investigação. É ouro sobre azul, como se costuma dizer. E esta foi. Aqui fica um excerto:
«os homens o que querem – o que queremos – é ser humanos, não instrumentos nem bichos. E queremos também ser tratados como seres humanos, porque a humanidade é algo que em boa medida depende do que fazemos uns com os outros. Explico-me melhor: o pêssego nasce pêssego, o leopardo chega ao mundo já como leopardo, mas o homem de maneira nenhuma nasce já homem e nunca chegará a sê-lo se os outros nisso o não ajudarem. Porquê? Porque o homem não é somente uma realidade biológica, natural (como os pêssegos ou os leopardos), mas também uma realidade cultural.»
Fernando Savater, Ética para um Jovem
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Gostar
Gostar do que se faz é absolutamente fundamental - para mim, claro.
Não concebo a ideia de fazer investigação, escrever uma tese, sem ter gosto genuíno pelo que se faz.
Só assim se consegue vencer todos os obstáculos, superar a insegurança, ignorar os medos e, claro, fazer leituras que de outro modo seriam absolutamente insuportáveis!
Não concebo a ideia de fazer investigação, escrever uma tese, sem ter gosto genuíno pelo que se faz.
Só assim se consegue vencer todos os obstáculos, superar a insegurança, ignorar os medos e, claro, fazer leituras que de outro modo seriam absolutamente insuportáveis!
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Sem orientação, mas não sem rumo
No arranque do ano lectivo é particularmente difícil reengrenar na investigação. Todos os dias há 20 motivos prementes para deixar a tese em banho-maria. Mas hoje, finalmente, consegui desligar-me (quase a 100%) do resto e dedicar-me, de novo, à leitura e à escrita.
Fiquei satisfeita com o que consegui fazer nestas horas. Contente com o rumo que estou a seguir e entusiasmada com as perspectivas deste meu trabalho solitário. Às vezes pergunto-me se a minha orientadora se lembrará de mim. Mas não me preocupo. Pelo menos para já.
Fiquei satisfeita com o que consegui fazer nestas horas. Contente com o rumo que estou a seguir e entusiasmada com as perspectivas deste meu trabalho solitário. Às vezes pergunto-me se a minha orientadora se lembrará de mim. Mas não me preocupo. Pelo menos para já.
sábado, 10 de setembro de 2011
Impulse II
Estou com sorte, descobri outro livro inspirador. Acreditam que me apetece mais ler do que fazer qualquer outra coisa? Maldito fim-de-semana...!
sábado, 3 de setembro de 2011
Impulse
E se um livro que antes se lhe afigurava maçador de repente lhe parecesse interessantíssimo?
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
«Para que é que foi comprar esse? Eu tenho e emprestava-lho!»
Já gastei bastante dinheiro em livros que não precisava de ter comprado. Em tempo de crise, isto é ainda mais revoltante do que em tempos de abundância.
É um erro que vou voltar a cometer, é quase certo. Mas tenciono ter mais cuidado quando encomendo seja o que for. Há livros caríssimos que mandei vir pela Amazon e que praticamente não me serviram para nada e, em princípio, nem vão servir. Claro que não devo dizer "este livro não lerei", nunca se sabe. Mas tenho de ser mais criteriosa na compra e explorar ao máximo as possibilidades que as bibliotecas públicas e os amigos me oferecem.
domingo, 28 de agosto de 2011
Férias
E não fiz praticamente mais nada, além de ler umas míseras 30 páginas de um livro imprescindível, que levei de férias para não ter problemas de consciência. Mas foi bom ter sido capaz de me abstrair de tudo e simplesmente descansar, como é suposto. Afinal, porque é que eu tenho tanta resistência às férias, tanta mania de estar sempre a produzir alguma coisa?!
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Vai-se fazendo qualquer coisa...
Encontro breves nichos no dia-a-dia, autênticas bolsas de ar silencioso onde me deixo envolver por leituras que me pegam na mão e me fazem segurar de novo o fio desta longa meada.
Seguro-o e sigo a linha de pensamentos alheios, que se misturam com os meus e me fazem ver novas possibilidades de reflexão e escrita, com um entusiasmo que começa por ser nulo, depois se torna tímido, logo mais forte, e finalmente, quando o tempo chega ao fim, quase arrebatador.
Deve ser para me dar vontade de continuar a inventar tempo para estudar, mesmo durante as férias!
Seguro-o e sigo a linha de pensamentos alheios, que se misturam com os meus e me fazem ver novas possibilidades de reflexão e escrita, com um entusiasmo que começa por ser nulo, depois se torna tímido, logo mais forte, e finalmente, quando o tempo chega ao fim, quase arrebatador.
Deve ser para me dar vontade de continuar a inventar tempo para estudar, mesmo durante as férias!
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Colegas que valem ouro
As minhas duas colegas preferidas (M&M) vieram cá ontem almoçar.
Trocámos bibliografia - uma delas requisitou um livro na biblioteca municipal para me trazer! -, conversámos pela tarde fora, rimos e demos força umas às outras. Não deixar que as outras desanimem é o nosso lema. Ou fazemos isto todas, ou não faz nenhuma - é o que gostamos de pensar.
As vidas são complicadas e todos os dias há problemas e prioridades que nos impedem de trabalhar como gostaríamos, há motivos vários para desesperar, ou pelo menos para duvidarmos de que vamos conseguir. Mas qualquer uma de nós sabe, acho eu, que basta um e-mail ou um telefonema para receber apoio imediato. Todas sentimos - pronto, é o que eu sinto que nós sentimos - que parte da compensação pelo esforço não tem nada que ver com a obtenção do grau, mas com a amizade que o percurso para chegar a ele nos permitiu descobrir. Porque, quando nos juntamos, não temos de falar só das leituras e das teses, dos orientadores e do júri que nos poderá calhar. Podemos falar de receitas e de receios, de filhos e de cadilhos, de férias e de lérias. De tudo o que quisermos e for preciso. É ou não é?
Ora, quem é que se pode gabar deste tipo de relação com colegas num curso de doutoramento?!
É quase milagre, eu diria...
Obrigada, amigas :)
Trocámos bibliografia - uma delas requisitou um livro na biblioteca municipal para me trazer! -, conversámos pela tarde fora, rimos e demos força umas às outras. Não deixar que as outras desanimem é o nosso lema. Ou fazemos isto todas, ou não faz nenhuma - é o que gostamos de pensar.
As vidas são complicadas e todos os dias há problemas e prioridades que nos impedem de trabalhar como gostaríamos, há motivos vários para desesperar, ou pelo menos para duvidarmos de que vamos conseguir. Mas qualquer uma de nós sabe, acho eu, que basta um e-mail ou um telefonema para receber apoio imediato. Todas sentimos - pronto, é o que eu sinto que nós sentimos - que parte da compensação pelo esforço não tem nada que ver com a obtenção do grau, mas com a amizade que o percurso para chegar a ele nos permitiu descobrir. Porque, quando nos juntamos, não temos de falar só das leituras e das teses, dos orientadores e do júri que nos poderá calhar. Podemos falar de receitas e de receios, de filhos e de cadilhos, de férias e de lérias. De tudo o que quisermos e for preciso. É ou não é?
Ora, quem é que se pode gabar deste tipo de relação com colegas num curso de doutoramento?!
É quase milagre, eu diria...
Obrigada, amigas :)
Silêncio
Ainda dizem que quem não responde não quer comunicar...
Há silêncios que têm mais significado do que mil palavras!
Há silêncios que têm mais significado do que mil palavras!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Queda na real
Sou arrogante, impertinente e inconveniente. Tenho a mania de vir para aqui queixar-me de tudo e de todos e agora estou a ser castigada. Só pode.
O meu putativo co-orientador deve ter vindo aqui parar e leu as minhas queixas dele. Ficou zangado comigo e por isso não me responde nem faz tenção de me ajudar. Bem feito.
O meu putativo co-orientador deve ter vindo aqui parar e leu as minhas queixas dele. Ficou zangado comigo e por isso não me responde nem faz tenção de me ajudar. Bem feito.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Mudança de táctica
Dispensei o meu co-orientador, eu sei, por ter concluído que ele não estava interessado em ajudar-me.
Mas resolvi, agora de repente, mudar de atitude. Afinal, a principal orientadora está agora de férias e indisponível, durante um mês, para me acompanhar. Por isso, decidi enviar-lhe uma mensagem a perguntar directamente se está disposto a ler o que vou escrevendo, para me obrigar a trabalhar e a pensar durante as férias do emprego.
Vamos ver se ele responde... se a resposta for positiva, é de aproveitar!
Mas resolvi, agora de repente, mudar de atitude. Afinal, a principal orientadora está agora de férias e indisponível, durante um mês, para me acompanhar. Por isso, decidi enviar-lhe uma mensagem a perguntar directamente se está disposto a ler o que vou escrevendo, para me obrigar a trabalhar e a pensar durante as férias do emprego.
Vamos ver se ele responde... se a resposta for positiva, é de aproveitar!
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Uma nuvem maior
De súbito, esbarrei com a consciência de que tenho neste momento da minha vida preocupações muito mais sérias e absorventes do que a tese. A tese deixou de ser a nuvem escuramente invisível sobre a minha cabeça. Foi substituída pela ameaça do desemprego!
terça-feira, 26 de julho de 2011
Pausa
Quem não faz quase nada, como eu, não merece uma pausa.
Mas fui à praia, quem quiser que me censure! Estava óptima e hei-de lá voltar em breve. E não vou deixar de fazer a tese por causa disso :)
Mas fui à praia, quem quiser que me censure! Estava óptima e hei-de lá voltar em breve. E não vou deixar de fazer a tese por causa disso :)
segunda-feira, 25 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Hiato
«Última mensagem publicada a 14/07/2011»?!
Tanto tempo sem fazer nada... :(
Vejamos o que aconteceu:
a) tive muito trabalho no emprego
b) tenho uma filha de férias em casa
c) não estou suficientemente entusiasmada para me pôr a ler de noite o que não tenho tempo para ler de dia.
É possível alterar a situação nos tempos mais próximos?
Não. Porquê?
a) continuo e continuarei com muito trabalho no emprego (enquanto este dura, é sempre a esfolar o pessoal)
b) em breve terei não um mas dois filhos de férias em casa
c) o entusiasmo não se encomenda na Amazon.
Tanto tempo sem fazer nada... :(
Vejamos o que aconteceu:
a) tive muito trabalho no emprego
b) tenho uma filha de férias em casa
c) não estou suficientemente entusiasmada para me pôr a ler de noite o que não tenho tempo para ler de dia.
É possível alterar a situação nos tempos mais próximos?
Não. Porquê?
a) continuo e continuarei com muito trabalho no emprego (enquanto este dura, é sempre a esfolar o pessoal)
b) em breve terei não um mas dois filhos de férias em casa
c) o entusiasmo não se encomenda na Amazon.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O ficheiro
Tenho um ficheiro onde vou escrevendo. O quê?
Coisas.
A tese?
Já acreditei mais que fosse a tese.
Então se não é a tese é o quê?
Frases, ideias, uma argumentação.
Definitiva?
Se o fosse, podia dizer que sim, que é a tese.
Mas a prudência, a humildade e a consciência do caminho por percorrer obrigam-me a dizer que não, que não é. É preciso sentir uma segurança que eu ainda não tenho para poder dizer que já se está a escrever a tese. Claro que me move a secreta esperança de que aquilo se converta, um dia, no próprio texto da tese, mas já não tenho a ilusão ingénua de que vá permanecer assim, tal como está. Vai ficar irreconhecível, com o tempo - e é bom que assim seja.
Em todo o caso, mesmo que assim aconteça, é bom que eu não o deite fora e que o vá modificando, à medida que me vou sentindo capaz de o fazer. Pena não ser um testemunho da evolução, porque cada vez que o altero perde a forma anterior, qual palimpsesto incansavelmente reescrito.
Mas que seja palimpsesto em vez de testemunho, desde que haja mão e cabeça para o renovar continuamente!
Coisas.
A tese?
Já acreditei mais que fosse a tese.
Então se não é a tese é o quê?
Frases, ideias, uma argumentação.
Definitiva?
Se o fosse, podia dizer que sim, que é a tese.
Mas a prudência, a humildade e a consciência do caminho por percorrer obrigam-me a dizer que não, que não é. É preciso sentir uma segurança que eu ainda não tenho para poder dizer que já se está a escrever a tese. Claro que me move a secreta esperança de que aquilo se converta, um dia, no próprio texto da tese, mas já não tenho a ilusão ingénua de que vá permanecer assim, tal como está. Vai ficar irreconhecível, com o tempo - e é bom que assim seja.
Em todo o caso, mesmo que assim aconteça, é bom que eu não o deite fora e que o vá modificando, à medida que me vou sentindo capaz de o fazer. Pena não ser um testemunho da evolução, porque cada vez que o altero perde a forma anterior, qual palimpsesto incansavelmente reescrito.
Mas que seja palimpsesto em vez de testemunho, desde que haja mão e cabeça para o renovar continuamente!
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Quase-desespero
Vai haver muitos momentos assim: de ansiedade e medo de não ser capaz, um sentimento avassalador de impotência perante a enormidade da tarefa.
Há aspectos práticos e físicos que me provocam este quase desespero que me trouxe de lágrimas até aqui, onde estou agora a escrever: a falta de sossego, a inexistência de um lugar onde haja a garantia de que fico sozinha e imperturbada durante o tempo que eu determinar. Outros são psíquicos: a consciência de que o que li não é nada, comparado com o que me falta ler, a ideia de que não percebi nem metade do que li, a sensação de não ser capaz de escrever nada que interesse, etc.
Em todos os casos, a resolução não é fácil, mas começa por ter calma e contentar-me com o pouco que conseguir fazer, porque pouco é sempre melhor do que nada. Parece simples. Respirar fundo. Mergulhar.
Há aspectos práticos e físicos que me provocam este quase desespero que me trouxe de lágrimas até aqui, onde estou agora a escrever: a falta de sossego, a inexistência de um lugar onde haja a garantia de que fico sozinha e imperturbada durante o tempo que eu determinar. Outros são psíquicos: a consciência de que o que li não é nada, comparado com o que me falta ler, a ideia de que não percebi nem metade do que li, a sensação de não ser capaz de escrever nada que interesse, etc.
Em todos os casos, a resolução não é fácil, mas começa por ter calma e contentar-me com o pouco que conseguir fazer, porque pouco é sempre melhor do que nada. Parece simples. Respirar fundo. Mergulhar.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Encontro 1
Correu bem, mas foi curto.
Do que a orientadora me disse, guardo sobretudo isto: não vale a pena tentar cumprir a meta do cronograma (escrever o primeiro capítulo até Setembro), pois é mais importante, para já, fazer e digerir leituras, pensar em termos globais no caminho a seguir, ir construindo hipóteses de trabalho e reflectindo sobre formas de explorar o tema.
Do que a orientadora me disse, guardo sobretudo isto: não vale a pena tentar cumprir a meta do cronograma (escrever o primeiro capítulo até Setembro), pois é mais importante, para já, fazer e digerir leituras, pensar em termos globais no caminho a seguir, ir construindo hipóteses de trabalho e reflectindo sobre formas de explorar o tema.
sábado, 9 de julho de 2011
Sentimentos contraditórios
Entusiasmo, vontade de mergulhar nisto, frustração por não poder.
Desejo de paz, para trabalhar, raiva, por não a ter.
Desejo de paz, para trabalhar, raiva, por não a ter.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Ainda às voltas com Roman Ingarden...
«São as frases provenientes de operações subjectivas intersubjectivamente idênticas? Existem mesmo quando não são de modo algum pensadas? Qual é o seu modo de ser e o seu fundamento ôntico do seu ser quando elas existem?»
...Mal posso esperar pela resposta em... :
«§66. A identidade intersubjectiva da frase e o fundamento ôntico do seu ser»
(bocejo)
...Mal posso esperar pela resposta em... :
«§66. A identidade intersubjectiva da frase e o fundamento ôntico do seu ser»
(bocejo)
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Há que saber aproveitar o tempo
Hoje, se não fossem os dois exames que tive de vigiar, não teria feito nada para o doutoramento. Graças a eles, pude mergulhar num livro, tomar-lhe o gosto, tirar umas notas, ter umas ideias, enfim... comecei a entusiasmar-me de tal maneira que só desejava que o exame acabasse para poder pegar no ficheiro em que estou a escrevinhar e continuá-lo. Regressou a inspiração que andava fugida e até passei a gostar um bocadinho do Roman Ingarden e a sentir que o percebo um nadinha melhor, apesar de tudo!
segunda-feira, 4 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Encontro adiado
Não pôde ser hoje, afinal...
Ficou o encontro adiado para dia 11. Até lá, mais tempo para me organizar, arrumar ideias, apresentar trabalho feito, tecer algumas linhas para o rumo a seguir, enfim. Há que ver o lado positivo e aproveitar a maré e o vento de feição.
Ficou o encontro adiado para dia 11. Até lá, mais tempo para me organizar, arrumar ideias, apresentar trabalho feito, tecer algumas linhas para o rumo a seguir, enfim. Há que ver o lado positivo e aproveitar a maré e o vento de feição.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Literatura e valor intrínseco
Dizem muitos teóricos que a (boa) literatura não tem propriedades que permitem defini-la enquanto tal, que os textos podem passar a ser considerados excelentes ou deixarem de ser excelentes, de acordo com convenções, normas e crenças historicamente determinadas. Sustentam, portanto, que os textos que constituem o cânone literário - as "grandes obras" - não têm qualidades intrínsecas, mas apenas o favor de comentários que as vão continuamente valorizando, que lhes vão dando atenção.
De facto, qualquer tentativa de explicar quais são as marcas distintivas de um bom texto literário é tarefa difícil (impossível?), inglória e desnecessária. Mas uma coisa tenho como certa: a preocupação estética do autor em relação à forma como diz o que tem a dizer, que conduz, nos casos felizes, à boa qualidade dos textos nada tem que ver com o consenso da "comunidade interpretativa", quase 100% orientado pela crítica (jornalística, ensaística e académica, segundo a divisão de van Rees em "How a Literary Work Becomes a Masterpiece").
Acontece com a literatura (socialmente aceite enquanto tal) o mesmo que com qualquer outra forma de arte: um artista pode pôr os seus excrementos dentro de uma lata com o rótulo "merda d'artista" e vendê-la por quantias exorbitantes. Porque a crítica, e depois a sociedade, entendeu valorizar essa"afronta". Mas qualquer indivíduo tem o direito de se negar a considerar esse objecto como uma obra de arte - do mesmo modo que pode considerar que é arte um produto "caseiro" que ninguém mais no mundo viu ou verá, muito menos apreciará enquanto arte (se a "merda" posta dentro de uma lata for minha, ninguém a quer nem oferecida, claro).
Do mesmo modo, a (boa) literatura, a que merece ser lida, relida e transmitida de geração em geração, para que não caia no esquecimento, é um conceito que tem duas vertentes: a social, que diz respeito ao tal consenso, àquilo que a instituição literária determina que é literatura; e a individual, que só respeita a cada um de nós, na sua forma particular - privada, mesmo - de ler e de apreciar o que lê (ou seja, de construir o seu cânone pessoal).
E não me venham dizer que qualquer texto (mesmo o mais merdoso) pode ser considerado excelente, se a comunidade de académicos e críticos assim o entender. Há génio, há originalidade, há sabedoria, há elegância, há força, há subtileza, há profundidade num bom texto (estou a ler o Dom Casmurro de Machado de Assis e apetece-me recomendá-lo a toda a gente). Se não há num texto nenhuma dessas qualidades, e mesmo assim o texto é considerado notável e se torna um best-seller, é porque alguém anda a querer fazer dos outros parvos. Ou porque muitos de nós o somos mesmo.
De facto, qualquer tentativa de explicar quais são as marcas distintivas de um bom texto literário é tarefa difícil (impossível?), inglória e desnecessária. Mas uma coisa tenho como certa: a preocupação estética do autor em relação à forma como diz o que tem a dizer, que conduz, nos casos felizes, à boa qualidade dos textos nada tem que ver com o consenso da "comunidade interpretativa", quase 100% orientado pela crítica (jornalística, ensaística e académica, segundo a divisão de van Rees em "How a Literary Work Becomes a Masterpiece").
Acontece com a literatura (socialmente aceite enquanto tal) o mesmo que com qualquer outra forma de arte: um artista pode pôr os seus excrementos dentro de uma lata com o rótulo "merda d'artista" e vendê-la por quantias exorbitantes. Porque a crítica, e depois a sociedade, entendeu valorizar essa"afronta". Mas qualquer indivíduo tem o direito de se negar a considerar esse objecto como uma obra de arte - do mesmo modo que pode considerar que é arte um produto "caseiro" que ninguém mais no mundo viu ou verá, muito menos apreciará enquanto arte (se a "merda" posta dentro de uma lata for minha, ninguém a quer nem oferecida, claro).
Do mesmo modo, a (boa) literatura, a que merece ser lida, relida e transmitida de geração em geração, para que não caia no esquecimento, é um conceito que tem duas vertentes: a social, que diz respeito ao tal consenso, àquilo que a instituição literária determina que é literatura; e a individual, que só respeita a cada um de nós, na sua forma particular - privada, mesmo - de ler e de apreciar o que lê (ou seja, de construir o seu cânone pessoal).
E não me venham dizer que qualquer texto (mesmo o mais merdoso) pode ser considerado excelente, se a comunidade de académicos e críticos assim o entender. Há génio, há originalidade, há sabedoria, há elegância, há força, há subtileza, há profundidade num bom texto (estou a ler o Dom Casmurro de Machado de Assis e apetece-me recomendá-lo a toda a gente). Se não há num texto nenhuma dessas qualidades, e mesmo assim o texto é considerado notável e se torna um best-seller, é porque alguém anda a querer fazer dos outros parvos. Ou porque muitos de nós o somos mesmo.
Agenda incerta
Orientadora finalmente pode ser que tenha tempo para me ver. Pode ser... talvez na sexta-feira. Não sei se acredito.
Orientador não dá sinais de vida, a não ser no Facebook, claro, mas aí não me interessa. Ah, e recebo uns e-mails dele (que não são enviados por ele, mas vêm como se fossem) a convidar-me para fazer umas compras não sei onde. Era o que me faltava!
Orientador não dá sinais de vida, a não ser no Facebook, claro, mas aí não me interessa. Ah, e recebo uns e-mails dele (que não são enviados por ele, mas vêm como se fossem) a convidar-me para fazer umas compras não sei onde. Era o que me faltava!
segunda-feira, 27 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
O melhor professor de sempre
É o que me ensinar, que me inspira, que me revolta, que está disposto a aprender com os alunos. Que se vê que tem gosto em estar ali, a fazer o que faz, como faz, mesmo quando tem um ar desconsolado.
É o que ironiza, que brinca, que diz grandes verdades, que põe em causa, que desconstrói.
É o que ouvi ontem, de novo, e talvez pela última vez, a dar uma aula.
É o que eu gostava de poder ouvir sempre, porque nunca me cansaria. Nunca.
É o que ironiza, que brinca, que diz grandes verdades, que põe em causa, que desconstrói.
É o que ouvi ontem, de novo, e talvez pela última vez, a dar uma aula.
É o que eu gostava de poder ouvir sempre, porque nunca me cansaria. Nunca.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Ele há com cada uma...
Vou percorrendo as páginas de um dos três livros a despachar estas semana, sem grande entusiasmo, e eis que leio: «O erotismo anal serve de pretexto referencial ao romance»... Segue-se a citação da epígrafe do referido romance, que simplesmente faz uma referência ao «realíssimo traseiro» de alguém «a quem os pseudo-submissos vêem verdadeiramente o cu». O autor da citação conclui: «Este texto já contém matéria suficiente para um discurso freudiano». A mim parece-me que tudo pode ser objecto de um discurso freudiano, se tivermos tempo e paciência para isso.
E eu tenho? Para que é que isto me interessa?
Pois.
E eu tenho? Para que é que isto me interessa?
Pois.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Reengrenar rapidamente
Desengrenei, por causa das aulas, ou melhor, dos trabalhos dos mais de 70 alunos e das classificações. Estava num ritmo tão bom, a fazer qualquer coisa todos os dias, sem falhar, quando dou por mim e... já tinha falhado. Para que é que eu fui dizer que estava tudo a correr bem? Estava-se mesmo a ver...
E agora, após um fim-de-semana que nunca mais acabava, sinto dificuldade em engrenar novamente. Mas tem de ser! As férias grandes das crianças aproximam-se a passos largos e assustadores. SOCORRROOOOOO!!
E agora, após um fim-de-semana que nunca mais acabava, sinto dificuldade em engrenar novamente. Mas tem de ser! As férias grandes das crianças aproximam-se a passos largos e assustadores. SOCORRROOOOOO!!
terça-feira, 7 de junho de 2011
Citação do dia
A linguagem perdeu a sua aptidão própria para a verdade e para a honestidade política ou pessoal. Vendeu, e vendeu ao desbarato, os seus mistérios de intuição profética e as suas capacidades de resposta à lembrança exacta. [...] Agora sabemos que se a palavra «era no princípio», também pode ser no fim: que existe um vocabulário e uma gramática dos campos da morte, que as detonações termo-nucleares podem ser designadas como «Operation sunshine». Seria como se a quinta-essência, o atributo que identifica o homem – o Logos, o órgão da linguagem – se tivesse quebrado dentro das nossas bocas. [...] Em questões decisivas, a nossa civilização, hoje, é uma civilização «depois da palavra».
George Steiner, "Presenças Reais" (1985)
Fazer alguma coisa todos os dias
No dia 10 de Outubro de 2009 escrevi isto:
Tinha pensado em seguir o lema "fazer alguma coisa para o doutoramento, nem que seja muito pouco, todos os dias", mas é óbvio que não vou conseguir. Em quatro anos, isso seria uma loucura. Pior, levar-me-ia certamente à loucura.
Engraçado... há mais de duas semanas que este lema reecoou na minha cabeça e resolvi segui-lo, sem me lembrar de que já o havia tentado antes, sem sucesso nem vontade.
Ao fim deste tempo, em que tenho vindo a conseguir, realmente, fazer todos os dias alguma coisa para o doutoramento (seja ler, seja escrever, seja assistir a uma palestra, etc.), concluo que este lema é o que me tem salvado, qual tábua a boiar num mar revolto, quando me sinto perdida, incapaz, assoberbada pela titânica tarefa.
Todos os dias faço, sim, alguma coisa para o doutoramento. E vou continuar a fazer.
Curiosamente, é isso que me impede de desesperar... talvez até de enlouquecer.
Ao fim deste tempo, em que tenho vindo a conseguir, realmente, fazer todos os dias alguma coisa para o doutoramento (seja ler, seja escrever, seja assistir a uma palestra, etc.), concluo que este lema é o que me tem salvado, qual tábua a boiar num mar revolto, quando me sinto perdida, incapaz, assoberbada pela titânica tarefa.
Todos os dias faço, sim, alguma coisa para o doutoramento. E vou continuar a fazer.
Curiosamente, é isso que me impede de desesperar... talvez até de enlouquecer.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Literatura e biografismo
A Metamorfose soube-me a pouco. Não esperava que fosse uma leitura tão rápida e que o enredo fosse tão simples. Não imagino como é que pode ter sido convertido num filme - só se o realizador desenvolveu muito a história e a tornou em algo bastante diferente.
Pareceu-me, de certo modo, uma obra quase juvenil, inocente, ainda que perturbadora. Como se tivesse sido escrita por um adolescente sensível, impressionado com o absurdo de um mundo despótico, frio e cruel.
Foi certamente pelo conjunto da sua obra - e talvez mais por outras do que por esta em particular - e sobretudo em virtude de uma análise biografista que Kafka acabou por ser tão influente na literatura ocidental. O que toca, comove e perturba não é o texto desligado do autor e do contexto, mas a sua leitura tendo em consideração o homem que o escreveu e a experiência de vida que o marcou. E isto continua a ser verdadeiro, nos casos em que os escritores se destacam por um percurso distinto da multidão.
Por mais que se queira abolir o biografismo dos estudos literários, em favor de leituras "científicas" do "texto-em-si" a relação entre "o homem e a obra" continua a ser irresistível, fecunda e muitas vezes comovente, ao ponto de fazer toda a diferença no entendimento que se faz da literatura.
Pareceu-me, de certo modo, uma obra quase juvenil, inocente, ainda que perturbadora. Como se tivesse sido escrita por um adolescente sensível, impressionado com o absurdo de um mundo despótico, frio e cruel.
Foi certamente pelo conjunto da sua obra - e talvez mais por outras do que por esta em particular - e sobretudo em virtude de uma análise biografista que Kafka acabou por ser tão influente na literatura ocidental. O que toca, comove e perturba não é o texto desligado do autor e do contexto, mas a sua leitura tendo em consideração o homem que o escreveu e a experiência de vida que o marcou. E isto continua a ser verdadeiro, nos casos em que os escritores se destacam por um percurso distinto da multidão.
Por mais que se queira abolir o biografismo dos estudos literários, em favor de leituras "científicas" do "texto-em-si" a relação entre "o homem e a obra" continua a ser irresistível, fecunda e muitas vezes comovente, ao ponto de fazer toda a diferença no entendimento que se faz da literatura.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Insólito kafkiano
Hoje deparei com a Metamorfose numa livraria e não resisti.
Afinal, é uma leitura que já devia ter feito e que me vai, decerto, dar uma luzes fantásticas...
Afinal, é uma leitura que já devia ter feito e que me vai, decerto, dar uma luzes fantásticas...
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Citação do dia
Hoje há várias citações memoráveis. Mas escolho esta, porque me diverti a ler o que Umberto Eco escreveu sobre a surpresa de ter verificado, depois de ter reescrito uma das suas obras numa língua que dominava mal (inglês), que essa versão era melhor que a original, redigida na sua língua materna:
«Sabe-se que a Art poétique de Verlaine diz “prends l’éloquence et tords lui son cou”, e conhecemos o apelo de Flaubert para que o génio se realize através de uma certa bêtise. Escrever em outra língua significa conquistar a “estupidez”, que é o propósito a que o estudioso deve visar.»
«Sabe-se que a Art poétique de Verlaine diz “prends l’éloquence et tords lui son cou”, e conhecemos o apelo de Flaubert para que o génio se realize através de uma certa bêtise. Escrever em outra língua significa conquistar a “estupidez”, que é o propósito a que o estudioso deve visar.»
U. Eco, Conceito de Texto
1983 vs 2009
Uma das minhas dificuldades permanentes: decidir se o que estou a ler é relevante, apesar das décadas que já tem (tantos são os autores incontornáveis...) ou está ultrapassado e deve ser substituído por um ponto de vista mais actual.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Não ver, para não descrer
Tenho medo de abrir o ficheiro em que comecei a escrever o primeiro capítulo. O mais provável é ler aquelas palavras como quem acaba de acordar de um sonho em que tudo parecia maravilhoso, mas não tem nadinha que ver com a realidade.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
I&E
Investigar e ensinar é o binómio que se impõe a qualquer docente do ensino superior. Difícil mas necessária ginástica que implica publicar x artigos por ano e ao mesmo tempo ter uma carga lectiva que justifique o ordenado. Claro que a melhor solução de compromisso é encontrar formas de investigação que se apoiem na prática lectiva, para que o tempo dedicado a cada actividade seja simultaneamente despendido em proveito da outra. E quais são os professores que podem conciliar de forma tão prática e eficaz as faces da sua vida profissional? Muito poucos, eu diria. Mas tenho colegas que conseguem fazê-lo - ensinam e investigam, por exemplo, na área da metodologia do ensino das ciências.
Invejo-os por isso.
Mas continuo a gostar da minha vida, do meu trabalho, da minha investigação. Não se pode ter tudo e o que eu tenho já é imenso!
Invejo-os por isso.
Mas continuo a gostar da minha vida, do meu trabalho, da minha investigação. Não se pode ter tudo e o que eu tenho já é imenso!
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Citação do dia
«A literatura é, e deve ser, um veneno ministrado sabiamente; uma arte de prestidigitador, capaz de, com elegância ou com violência, levantar um sujeito acima do chão, ou tirar-lhe, como quem tira um tapete, o chão de debaixo dos seus pés; e a literatura não tem obrigação alguma de conservar o sujeito no ar, em qualquer dos casos: a intencionalidade da literatura consiste mesmo em suspender a acção mágica e em deixá-lo cair, perplexo e perdido, de quanto mais alto melhor.»
Estás perdoado, Sena!
Jorge de Sena, "Amor da Literatura" (in O Reino da Estupidez: I)
Estás perdoado, Sena!
Kundera, Eco, Sena, tudo à mistura
Espera aí, Eco, que eu já te atendo. Sei que tens andado da mesa-de-cabeceira para o escritório e do escritório para a mesa-de-cabeceira, mas és boa companhia - animado e alegre, vivo e irónico - e é por isso que ainda não te despachei por completo. Ou queres voltar para a prateleira?
Olá, Kundera, há muito que andava para pegar em ti. Gostei do teu estilo simples, reiterado, quase oral. Gosto da tua vertigem, do teu mergulho constante nas insondáveis (afinal não tanto quanto isso) profundezas do ser(-se) humano. E é tão bom poder ler um romance que também é leitura académica! Mas o romance é ideal para ler à noite, na cama (melhor do que as tuas conferências, Eco, não desfazendo, se é possível). Por isso, Kundera, deixo-te por agora, na página 89, e volto a ouvir-te mais logo, se não te importas.
Como estás, Sena? Confesso que não tinha muita vontade de dialogar contigo, embora alguma curiosidade, porque detestei ler o Físico Prodigioso (a culpa não devia ser tua, mas da idade em que o li). Tinha curiosidade, sobretudo, porque o livro em que agora pego tem por título O Reino da Estupidez. Só me interessa, em princípio, um dos ensaios, mas detenho-me, para já, no prefácio. Parece-me relevante, começo a transcrever passagens... e alto. Eis que me vejo a descompreender progressivamente a tua prosa, como se de repente começasse a ficar cada vez mais pitosga, até deixar completamente de ver.
Interrompo para marcar uma consulta de oftalmologia, porque isto me recorda que preciso realmente dela. E pode ser que me ajude a perceber-te melhor, sabe-se lá. A ti e aos outros, já agora. Só o Kundera, no meio disto tudo, se pode ler quase às cegas. Abençoado seja!
Olá, Kundera, há muito que andava para pegar em ti. Gostei do teu estilo simples, reiterado, quase oral. Gosto da tua vertigem, do teu mergulho constante nas insondáveis (afinal não tanto quanto isso) profundezas do ser(-se) humano. E é tão bom poder ler um romance que também é leitura académica! Mas o romance é ideal para ler à noite, na cama (melhor do que as tuas conferências, Eco, não desfazendo, se é possível). Por isso, Kundera, deixo-te por agora, na página 89, e volto a ouvir-te mais logo, se não te importas.
Como estás, Sena? Confesso que não tinha muita vontade de dialogar contigo, embora alguma curiosidade, porque detestei ler o Físico Prodigioso (a culpa não devia ser tua, mas da idade em que o li). Tinha curiosidade, sobretudo, porque o livro em que agora pego tem por título O Reino da Estupidez. Só me interessa, em princípio, um dos ensaios, mas detenho-me, para já, no prefácio. Parece-me relevante, começo a transcrever passagens... e alto. Eis que me vejo a descompreender progressivamente a tua prosa, como se de repente começasse a ficar cada vez mais pitosga, até deixar completamente de ver.
Interrompo para marcar uma consulta de oftalmologia, porque isto me recorda que preciso realmente dela. E pode ser que me ajude a perceber-te melhor, sabe-se lá. A ti e aos outros, já agora. Só o Kundera, no meio disto tudo, se pode ler quase às cegas. Abençoado seja!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Desisto
Desisto, abdico de um dos meus orientadores.
Tenho dois, posso-me dar a esse luxo.
Não me liga, não me dirige palavra quando me vê, não quer saber de mim nem do meu trabalho, é como se eu não existisse. Não merece o nome de orientador, nem mesmo de co-orientador.
A partir de hoje, faço eu também de conta que ele não existe. Se não tem servido para nada mesmo!...
Entre ter dois cães de guarda, um que adormece em serviço e outro que passa todo o tempo a pavonear-se para as cadelas verem e os outros machos o invejarem, mais vale ficar só com o primeiro. Sempre guarda melhor a casa, quando está acordado, e é menos um a comer.
Tenho dois, posso-me dar a esse luxo.
Não me liga, não me dirige palavra quando me vê, não quer saber de mim nem do meu trabalho, é como se eu não existisse. Não merece o nome de orientador, nem mesmo de co-orientador.
A partir de hoje, faço eu também de conta que ele não existe. Se não tem servido para nada mesmo!...
Entre ter dois cães de guarda, um que adormece em serviço e outro que passa todo o tempo a pavonear-se para as cadelas verem e os outros machos o invejarem, mais vale ficar só com o primeiro. Sempre guarda melhor a casa, quando está acordado, e é menos um a comer.
Lado bom
Lá fui gravar o filme promocional do curso de doutoramento da faculdade. Tinha uma maquilhadora à minha espera e tudo! Gravei três vezes, para garantir que alguma coisa se aproveita. Falei dos aspectos positivos do curso, omiti os negativos. Muito diplomático e lisonjeiro da minha parte, sem dúvida. Teatro? Não, apenas um dos lados da experiência. Mentira? Nada disso, simples omissão. Vira-casaquismo? Talvez. Tinha dito que não o faria, porque não tinha nada de bom a dizer. E disse.
Vá, batam-me!
Vá, batam-me!
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Olá e adeus
Fui à faculdade para mais uma aula do curso de estudos avançados.
No pátio, à minha frente, vejo caminhar a minha orientadora, que não me vê. Salto para o pé dela, a cumprimentá-la. Prazer em vê-la, blá-blá-blá. De imediato me ocorre: ela vai perguntar como está o trabalho e é preciso responder! Mas ela desfaz-se em desculpas por não ter combinado ainda comigo uma reunião. Explico-lhe que ando a fazer leituras e que ainda me falta escalar uma montanha de livros. Então ela sorri, totalmente compreensiva, e parece aliviada: então ficamos para Junho!
Despedimo-nos. Ficamos para Junho.
Por um lado é um alívio também para mim, mas por outro nem tanto. Gosto de espaço e de tempo, mas preciso de exigência, de vigilância constante.
Um orientador deve ser como uma espécie de cão de guarda, sempre alerta e em cima do acontecimento. Se adormece em vez de fazer rondas constantes à casa, não podemos confiar inteiramente nele...
No pátio, à minha frente, vejo caminhar a minha orientadora, que não me vê. Salto para o pé dela, a cumprimentá-la. Prazer em vê-la, blá-blá-blá. De imediato me ocorre: ela vai perguntar como está o trabalho e é preciso responder! Mas ela desfaz-se em desculpas por não ter combinado ainda comigo uma reunião. Explico-lhe que ando a fazer leituras e que ainda me falta escalar uma montanha de livros. Então ela sorri, totalmente compreensiva, e parece aliviada: então ficamos para Junho!
Despedimo-nos. Ficamos para Junho.
Por um lado é um alívio também para mim, mas por outro nem tanto. Gosto de espaço e de tempo, mas preciso de exigência, de vigilância constante.
Um orientador deve ser como uma espécie de cão de guarda, sempre alerta e em cima do acontecimento. Se adormece em vez de fazer rondas constantes à casa, não podemos confiar inteiramente nele...
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Mudar de livro
Mudar de livro é sempre bom. É sinal de que estamos a avançar, a progredir. Mas há livros que deixam pena quando os fechamos, mais ainda quando os devolvemos à biblioteca que no-los emprestou. São livros velhos a quem poucos dão valor. Estão desactualizados, claro. Por isso, lá vão eles calar-se humildemente, ficar de novo quietos, num longo sono de subaproveitamento.
Despeço-me deles quase como de alguém. Momentos antes de os entregar, folheio-os ainda mais uma vez, passo os olhos por linhas ao acaso, à procura de mais uma frase sonante, como aquelas pessoas que lançam um último grito em direcção ao vale, do alto da montanha, antes de lhe virarem costas, para que o eco se faça ouvir enquanto descem.
Adeus, tem de ser, são horas - é como o acabar de uma conversa.
Ponho um ponto final no meu diálogo silencioso com o Jacinto (do Prado Coelho) e inicio outro com o Eduardo (Lourenço). Como está, passou bem?
Despeço-me deles quase como de alguém. Momentos antes de os entregar, folheio-os ainda mais uma vez, passo os olhos por linhas ao acaso, à procura de mais uma frase sonante, como aquelas pessoas que lançam um último grito em direcção ao vale, do alto da montanha, antes de lhe virarem costas, para que o eco se faça ouvir enquanto descem.
Adeus, tem de ser, são horas - é como o acabar de uma conversa.
Ponho um ponto final no meu diálogo silencioso com o Jacinto (do Prado Coelho) e inicio outro com o Eduardo (Lourenço). Como está, passou bem?
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Cedi
Estas leituras enervam-me. - A causa, o motivo, ou uma desculpa?
O principal é que fui vencida pela minha fortíssima fraqueza e cedi.
Fui às batatas fritas.
O principal é que fui vencida pela minha fortíssima fraqueza e cedi.
Fui às batatas fritas.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Página 4
Pode ser para deitar fora, pode ser para manter. Não faço ideia. Mas vou escrevendo, à medida que as ideias surgem. Com medo que desapareçam para nunca mais voltarem.
Ingarden e eu
Decididamente, Roman Ingarden e eu não nos entendemos.
Ele não responde às minhas perguntas e eu não percebo nadinha do que ele diz.
Serei só eu?
Façam-me o favor de ler isto:
Segundo Ingarden, a obra literária é constituída por vários estratos heterogéneos, nomeadamente os seguintes:
a) o estrato das formas significativas verbais e das produções fónicas de grau superior erguidas sobre elas;
b) o estrato da unidades de significação de diverso grau;
c) o estrato de múltiplos aspectos esquematizados, das continuidades e séries de aspectos;
d) o estrato das objectividades apresentadas e seus destinos; este último estrato, duplo, divide-se em correlatos das frases intencionais apresentativas e objectividades neles apresentadas e seus destinos.
Ora, é impressão minha ou isto é incrivelmente vago, absurdamente ambíguo, estranhamente abstracto?
Sinto-me completamente estúpida. Ou então escandalosamente gozada.
Desculpem o desabafo!
Ele não responde às minhas perguntas e eu não percebo nadinha do que ele diz.
Serei só eu?
Façam-me o favor de ler isto:
Segundo Ingarden, a obra literária é constituída por vários estratos heterogéneos, nomeadamente os seguintes:
a) o estrato das formas significativas verbais e das produções fónicas de grau superior erguidas sobre elas;
b) o estrato da unidades de significação de diverso grau;
c) o estrato de múltiplos aspectos esquematizados, das continuidades e séries de aspectos;
d) o estrato das objectividades apresentadas e seus destinos; este último estrato, duplo, divide-se em correlatos das frases intencionais apresentativas e objectividades neles apresentadas e seus destinos.
Ora, é impressão minha ou isto é incrivelmente vago, absurdamente ambíguo, estranhamente abstracto?
Sinto-me completamente estúpida. Ou então escandalosamente gozada.
Desculpem o desabafo!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Incredulidade
Será possível que eu já esteja na página três de um texto minimamente aproveitável enquanto esboço do que virá a ser uma... tese?
Sentimentos ambivalentes
O coordenador do departamento pede-me que preste um depoimento, a gravar em vídeo, para promover os cursos de doutoramento num filme promocional da faculdade. Logo a mim! Tive vontade de lhe enviar o link deste blogue. Em vez disso, fui sincera ao ponto de responder assim ao seu e-mail: «Resta saber se a faculdade está interessada em divulgar o meu depoimento... essa é que é a grande questão.» E ele foi igual a si próprio, arguto e superior a provocações: queria crer que a faculdade estaria interessada em conhecer a minha opinião, qualquer que ela fosse, mas num vídeo promocional naturalmente não seria muito sensato divulgar as que fossem menos agradáveis; que não queria que eu me esquivasse de dizer o que realmente penso, por isso obrigada na mesma e até uma próxima.
Mais tarde, em amena conversa pessoal, dei-lhe uma ideia do que pensava e ele compreendeu e está de acordo. Sabe muito bem que as coisas têm de melhorar. Mas não encontra ninguém disponível para fazer o tal depoimento... Acabei por ficar com vontade de ajudar. Combinámos que eu direi o que entender, mas já não sobre o curso específico, antes sobre a importância de fazer um doutoramento na área. Simples e eficaz. Porém, como é evidente, muito afastado do objectivo inicial. Seja.
Mais tarde, em amena conversa pessoal, dei-lhe uma ideia do que pensava e ele compreendeu e está de acordo. Sabe muito bem que as coisas têm de melhorar. Mas não encontra ninguém disponível para fazer o tal depoimento... Acabei por ficar com vontade de ajudar. Combinámos que eu direi o que entender, mas já não sobre o curso específico, antes sobre a importância de fazer um doutoramento na área. Simples e eficaz. Porém, como é evidente, muito afastado do objectivo inicial. Seja.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Tentação e medo
Tentação de saltar já para a conclusão.
Medo de, se o fizer, não ler mais nada do que fica para trás.
Medo de, se o fizer, não ler mais nada do que fica para trás.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Citação do dia
«o paradigma filológico dirá inevitavelmente: estuda-se uma obra em tudo o que nela é estudável, e o resto é beleza, e da beleza nada há a dizer; basta fruir. Mas a beleza é o sexo: origem sexual da beleza, como Freud pretende. E o sexo perverte a serenidade do estudo.»
Eduardo Prado Coelho, Os Universos da Crítica
Sem comentários...
terça-feira, 3 de maio de 2011
Citação do dia
«A formação do gosto faz-se através da família e da escola – embora não exclusivamente. Mas, para que essa formação seja eficaz, é necessário que ela surja no interior do sujeito como o produto da sua capacidade de «sentir, pensar e julgar pela sua cabeça». Trata-se de naturalizar o arbitrário. E para isso é imperioso que, como diz Bourdieu, a inculcação do arbitrário se faça pela ocultação do arbitrário da inculcação.»
Eduardo Prado Coelho, Os Universos da Crítica
Mar imenso
O livro que tenho pela frente é um mar imenso que não consigo, nem conseguirei, abarcar na totalidade. Resigno-me a viajar nele e a tentar colher, nas várias viagens que vou fazendo, o melhor que ele me pode oferecer e que eu sei aproveitar. Mergulho às vezes, quando me sinto capaz de adaptar o corpo à temperatura da água. Abro os olhos e vislumbro o fundo, lá longe. Nessas ocasiões, sinto-me feliz e realizada, ainda que por escassos momentos. A maior parte das vezes, olho-o da superfície e contemplo as suas maravilhas. Vou absorvendo os tons, captando as ondulações, tentando em vão decorar linhas, texturas que apanho com mais facilidade, porque a luz e o meu estado de espírito assim mo permitem. Tiro fotografias incessantemente, procurando registar todos os aspectos que sei que me escapariam por completo, se não o fizesse. Cada gota representa algo diferente e único.
Este mar imenso assusta, intimida, mas encanta e seduz. E a solidão em que me vejo nele ajuda a percebê-lo melhor. Ou talvez apenas a sentir-me mais próxima dele. Mas mais perdida, nos dias piores.
Este mar imenso assusta, intimida, mas encanta e seduz. E a solidão em que me vejo nele ajuda a percebê-lo melhor. Ou talvez apenas a sentir-me mais próxima dele. Mas mais perdida, nos dias piores.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
Regresso às aulas
Eis que me inscrevo num curso de formação «ao longo da vida» organizado pela unidade de investigação a que estou agora associada. Pensei, na minha ingenuidade, que o título "Filósofos explicam a literatura" prometia pelo menos alguma elucidação.
A lição de abertura foi, para mim, uma tremenda desilusão. O professor convidado leu páginas intermináveis do que me pareceu ser uma colagem de ensaios que escrevera antes, a propósito de poemas e contos que ninguém ali tinha na frente, em prosa densa e erudita cheia de palavrões sonantes, tudo lido com uma rapidez vertiginosa (que no entanto se estendeu por uma hora) e pouco ou nada relacionado com o tema da lição.
Dei como desperdiçado o dinheiro que gastei para ali estar e resignei-me a sair em silêncio, em vez de barafustar, como se calhar devia, contra a péssima qualidade pedagógica do evento. Talvez as sumidades académicas se definam por isso mesmo: pela falta de jeito para ensinar e pela dificuldade que têm em traduzir a sua verborreia por miúdos que se percebam.
A lição de abertura foi, para mim, uma tremenda desilusão. O professor convidado leu páginas intermináveis do que me pareceu ser uma colagem de ensaios que escrevera antes, a propósito de poemas e contos que ninguém ali tinha na frente, em prosa densa e erudita cheia de palavrões sonantes, tudo lido com uma rapidez vertiginosa (que no entanto se estendeu por uma hora) e pouco ou nada relacionado com o tema da lição.
Dei como desperdiçado o dinheiro que gastei para ali estar e resignei-me a sair em silêncio, em vez de barafustar, como se calhar devia, contra a péssima qualidade pedagógica do evento. Talvez as sumidades académicas se definam por isso mesmo: pela falta de jeito para ensinar e pela dificuldade que têm em traduzir a sua verborreia por miúdos que se percebam.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
De volta ao cut & paste...
Corta daqui e cola antes ali. É o que estou a fazer com aquilo que se aproveita do meu trabalho, à luz dos meus olhos de agora - que vêem um nadinha melhor do que viam no ano passado (os da mente, claro). Há muita coisa que, infelizmente, não se aproveita.
Confesso que estou desiludida com o que fiz e na altura me pareceu muito bem. Não por o ter feito, mas por ter achado que estava muito bem. Faz parte do processo, dir-me-ão. Estás a "crescer", é bom sinal! Pois, pois. Mas dói um bocadinho. Porque é como se, mais uma vez, voltasse à estaca zero. Muito bem, está tudo mal. Mas como é que eu faço melhor?
E isto enquanto tento reciclar o trabalho para o enviar como proposta de artigo para publicar na revista. Cada vez com menos esperança de que seja aceite, como é evidente.
Confesso que estou desiludida com o que fiz e na altura me pareceu muito bem. Não por o ter feito, mas por ter achado que estava muito bem. Faz parte do processo, dir-me-ão. Estás a "crescer", é bom sinal! Pois, pois. Mas dói um bocadinho. Porque é como se, mais uma vez, voltasse à estaca zero. Muito bem, está tudo mal. Mas como é que eu faço melhor?
E isto enquanto tento reciclar o trabalho para o enviar como proposta de artigo para publicar na revista. Cada vez com menos esperança de que seja aceite, como é evidente.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Publicação?
Atrevi-me a enviar um resumo do trabalho que fiz no ano passado para uma revista da especialidade que estava a convidar investigadores a submeterem artigos para apreciação e posterior publicação. Recebi resposta a dizer que ainda estou a tempo (apesar de ter terminado o prazo de entrega de resumos), que ficam à espera do meu artigo.
Fiquei histérica de felicidade, embora, claro, o artigo possa vir a ser recusado.
Agora toca a reler o trabalho e a fazer as alterações necessárias. Será uma boa preparação para o primeiro desafio da tese, que é redigir o capítulo inicial, cujo conteúdo será semelhante.
Fiquei histérica de felicidade, embora, claro, o artigo possa vir a ser recusado.
Agora toca a reler o trabalho e a fazer as alterações necessárias. Será uma boa preparação para o primeiro desafio da tese, que é redigir o capítulo inicial, cujo conteúdo será semelhante.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
A frase mais gira das leituras de hoje
«Mesmo no campo das ideias, nem sempre a monogamia é necessariamente sinal de uma falta de líbido.»
Sabem quem a disse? Foi num convénio sobre o símbolo que teve lugar em Siena em 1994.
Sabem quem a disse? Foi num convénio sobre o símbolo que teve lugar em Siena em 1994.
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