quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Férias... malditas férias

As férias são minhas inimigas declaradas, até que a tese esteja escrita.
Limito-me a esperar que acabem, enquanto engordo e vou contando as semanas da gravidez...

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Baixa

A pior ciática da minha vida deixou-me de rastos, ou melhor, de cama. Hoje pedi a suspensão do prazo de entrega da tese (que era 4 de Abril de 2014), invocando a minha "incapacidade temporária para o trabalho", que durou um mês e meio.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ora bolas.


Hoje andei às voltas com o texto já escrito, mexendo e remexendo, e acabei a meio da página 23. O que equivale a dizer que não fiz praticamente nada senão "lamber" o quadro já pintado. E o mês de Junho aí à porta!... Estou, portanto, com um atraso de dois meses em relação ao prazo que tinha estipulado para entregar este capítulo ao meu orientador.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

E lá se vai mais uma sexta...


Hoje não foi um dia lá muito produtivo. Li na varanda, o que me desconcentrou bastante, e tive dores nas costas, o que me desconcentrou ainda mais. Quando me inspirei para escrever, já me restava pouco tempo útil. Mesmo depois de ir buscar as crianças, aproveitei enquanto brincavam para ligar o computador e aperfeiçoar o que tinha escrito, mas o raio da máquina resolveu recusar-se a gravar as alterações e depois, para cúmulo, fechou-me o Word e fez desaparecer o ficheiro. Estive, na última meia hora, a tentar fazer o que tinha feito no ficheiro que havia gravado noutro computador.
Resultado: continuo nas mesmas 22 páginas.
Santa paciência!


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Pouca-sexta

Definitivamente, este "diário" tornou-se semanário.
Em todo o caso, o trabalho continua. Hoje o dia rendeu bastante menos, entre uma ida ao hospital e uma reunião de trabalho, mas ainda assim valeu a pena ter feito questão de me sentar ao computador, como se tivesse longas horas pela frente. Já estou na página 22 e ainda não perdi a inspiração para continuar, o que é muito bom sinal, tendo em conta que estou, de certo modo, a escrever "a metro"!...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Enfim, sexta-feira!


É o meu dia sagrado, religiosamente reservado para a tese.
Por mais trabalho que tenha no emprego, por mais que me esmifrem e explorem, por mais tempo que lá passe (há dias em que vivo ali das 9.30 da manhã às 11 da noite), a sexta-feira em casa ninguém me tira. É pouquíssimo, mas já que é o que tenho, agarro-me a ela como náufrago a pedaço de madeira.
E isto hoje está a correr bem...por isso, é melhor voltar ao livro e aos ficheiros!


PS - o capítulo que foi partido em dois e ficou com dez páginas em vez de vinte já está com vinte outra vez!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

devagar se vai... atrás!

Às vezes dedico-me a isto de forma absorta e entusiasmada, mas esqueço-me de vir aqui deixar uma nota para a posteridade. Ou seja: o facto de eu não vir aqui deixar umas palavras não significa que não tenha feito nada.
É verdade que ando atrapalhadíssima com trabalho e que tenho tido muito pouco tempo para dedicar às leituras e à escrita da tese. Mas alguma coisa vou fazendo, nem que seja dar uns passos atrás, para avançar depois com mais pertinência e adequação. Refiro-me ao facto de, na passada sexta-feira, ter partido ao meio um suposto capítulo, para o transformar em dois pedaços de dois capítulos distintos. Se faz mais sentido assim, então é andar para a frente, sem lamentar o facto de as 20 páginas que já tinha para o primeiro a ter de acabar terem passado a 10...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Feito.


2 exemplares do relatório entregues, mais um CD, para ficarem numa qualquer gaveta de um qualquer gabinete do departamento. Viva a burocracia!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Boa!


O meu orientador acaba de me enviar um e-mail a felicitar-me pelo relatório, ao qual não tem sugestões de melhoramento a fazer. Diz que posso imprimir, que está «mais do que bem: apresenta o argumento, mostra que há um argumento, desenvolve-o o suficiente e expõe os meios de elaboração e conclusão da tese». Não gosta apenas de uma coisa: o uso da primeira pessoa do plural. E eu a pensar que era obrigatório! Ora, não seja por isso...
 Naturalmente, fiquei muito satisfeita. Não é a tese, mas para lá caminho.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Duas semanas depois...


Li mais uns capítulos da minha bíblia do momento, mas só consegui (hoje) avançar mais uma página: estou na 19. Devagar se vai ao longe.


quinta-feira, 7 de março de 2013

On the right track


Para passar da página 18 preciso de mais leitura. Bastante mais. Mas sei o caminho e lá chegarei! De preferência, antes do fim deste mês...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Hoje acredito.



12 páginas cada vez mais depuradas. É pouco, mas tem qualidade, é o que sinto.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Labor


10 páginas espremidas a custo são tudo o que tenho por agora, para um capítulo que deverá ter umas 30. É preciso ler muito mais, para lá conseguir chegar. E o tempo a passar...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O lado positivo


O lado positivo é que o desafio se torna cada vez mais estimulante, à medida que as leituras que vou fazendo parecem espartilhar as minhas possibilidades de ser original. Embora pareça uma atitude destrutiva, ler contra os outros (o que não invalida ler também a favor deles) ajuda a ir construindo uma argumentação diferente, que acrescenta qualquer coisa ao que já foi dito.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tranquilizante

Efectivamente, o meu orientador minimizou a questão: «chato seria encontrar uma tese igual depois de ter escrito a sua», foi mais ou menos o que ele disse. O que eu tenho a fazer é "simplesmente" escrever uma tese melhor. E esses tais "trunfos" que ela usou em linguagem escolástica nem se percebem. Aparentemente, não será assim tão difícil fazer melhor, se me mantiver fiel à minha ideia de fundo (na qual pelos vistos ele acredita e confia mais do que eu).

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Mixed emotions


Incrível. Uma colega estava a fazer "limpezas" no gabinete ao lado, livrando-se de livros (!) que não lhe interessavam e veio oferecer-me quatro ou cinco que talvez me interessassem a mim. Eis que entre eles, além do número de uma revista em que aparece um artigo meu (dá sempre jeito para oferecer), estava uma tese de doutoramento publicada no ano passado, sobre uma temática com mais pontos de contacto com a  minha do que seria desejável.
Folheei-a avidamente, detendo-me no índice. Quase gémeo do meu, no tema de fundo e na lógica do percurso. Não quis acreditar. Li-a durante todo o dia, sentindo-me agradecida pela minha sorte e ao mesmo tempo lastimosa pelo meu azar. Sublinhei furiosamente, escrevi comentários à margem, procurei desesperadamente encontrar pontos de fuga para uma argumentação diferente.
Cheguei ao fim da tarde aliviada por ter "dominado" o monstro e entristecida por saber da sua existência.
Claro que é sempre possível criar um monstro diferente, mas há ideias e expressões que eu tinha pensado que eram trunfos só meus e que a autora daquela tese já avançou. Isso é natural, acontece, dirá o meu orientador. Pois. Os acidentes também acontecem. Mas são sempre muito desagradáveis.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A bom ritmo



A bom ritmo, enquanto as aulas não recomeçam, pois esperam-me 14 horas letivas no 2.º semestre, mais 30 presidências de júris em defesas de relatórios de estágio.
A bom ritmo, vou lendo todos os dias, sem me dispersar demasiado, sem sair deste caminho que ainda tem tanto para eu trilhar.
Fiz o relatório, refiz o índice da tese, estabeleci momentos de entrega das várias partes, delineei uma rota e agora acho que sei por onde ir, qual o passo a dar em seguida.
Até ao próximo sobressalto por insegurança, ou à próxima interrupção por falta de tempo, sigo a bom ritmo. É aproveitar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Lost in bureaucracy


E eis que tenho de preparar um relatório "do progresso do trabalho da tese" que me obriga a suspender o progresso do trabalho da tese.
Ironias pós-Bolonha...


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Gabinete só para mim

A ler um relatório de estágio emprestado pelo meu orientador. A sensação inicial foi de irritação (mais uma que já vem dizer tudo o que eu queria dizer), mas tenho aprendido umas coisas. E não diz tudo o que eu posso vir a dizer, é claro.
Tranquila...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Subtítulo de cara nova


Troca de e-mails com o orientador sobre o subtítulo da tese. Ele acha bem a minha nova sugestão. Ainda temos muito tempo para isso, obviamente. Mas agrada-me ter substituído finalmente (e bem) uma pequenina parte do projecto que não tinha saído da minha cabeça, mas fora praticamente imposta pela minha ex-orientadora e com a qual eu não estava à vontade, até porque foi criticada pela Presidente do Júri na arguição do projecto.
Começo, aliás, a pensar que este subtítulo novo ainda há de tomar o lugar do título... a ver vamos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dia banal, ideia original



A sugestão do meu orientador ficou-me a tilintar discretamente ao ouvido e ontem, em pleno ambiente de trabalho no gabinete, surgiu-me uma ideia que talvez seja adequada para dar forma a essa sugestão. Pode não ser, mas pode ser... é experimentar e ver. Vai levar algum tempo até que a possa pôr em prática e avaliar o resultado. Em todo o caso, deixou-me entusiasmada. E isso é sempre muito bom!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Conversa de café


Encontro muito agradável com o orientador. Hora e meia de conversa amena e fácil, que me fez desejar a repetição regular. Está tudo certo, estou a desenvolver uma argumentação que ele confia que é original no nosso país e que só precisa de encontrar um reflexo na própria tese (no sentido de pôr em prática aquilo que advogo em teoria) para ficar excelente.
Tomei notas devidamente etiquetadas num ficheiro, para poder voltar mais tarde às palavras sábias do mestre.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Leitura e caco



Finalmente, o monstro A3ES deixou-me em paz (por enquanto)  e posso voltar a dedicar-me às leituras.
Ontem imprimi tudo o que escrevi até ao momento e que poderá ser aproveitável para a tese, caso haja um apagão definitivo no computador e, concomitantemente, a perda da minha pen-drive. Mais vale prevenir...
Agora é ler e pensar, pensar muito. Para que a tese tenha caco, como diz o meu orientador.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Cá estamos


Apesar do atrapalhamento das festas obrigatórias, continuo a fazer leituras. O ritmo é bastante lento, mas existe, ainda que os intervalos de inactividade sejam por vezes um pouco longos de mais.
Tenho dois livros em espera, na prateleira. Há um livro que não chega e que me está a deixar ligeiramente preocupada pelo dinheiro que paguei, talvez para nada. Contactei o vendedor, que me diz que ficou retido na alfândega, mas que deve chegar em breve. Foi há mais de um mês que o encomendei...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Iupiiii!

O meu artigo revisto e alterado por sugestão do avaliador foi aceite para publicação na revista de especialidade!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ler e transcrever... ou não

Quando a leitura é interrompida demasiadas vezes porque me ponho a transcrever parágrafos inteiros para as minhas fichas de citação, acho que estou a perder tempo. As fichas ficam óptimas, mas o tempo que levo a ler é três vezes superior ao que levaria se ficasse longe do computador. Pergunto-me se não seria melhor... acontece que, quando experimento, e mais tarde vou transcrever o que sublinhei, sinto que estou a perder ainda mais tempo, por voltar ao livro já lido quando podia ter outro entre mãos!... Se não transcrever nada, fico com a sensação de que nunca mais me vou lembrar do que li, nem vai ser possível reavivar a memória com a facilidade que as fichas permitem.
Decisions, decisions...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Good vibes

Um livro fresco dos EUA chegou há poucos dias. Outros dois estão a caminho. Estou entusiasmada e acredito que serei capaz de extrair destas leituras ideias importantes para fazer um trabalho "com caco". O sentimento é positivo. Só o tempo é que insiste em fugir-me a sete pés!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Manguel

Fantástica, inspiradora e comovente a sua História da Leitura - que tem a humildade de ser apenas Uma.
Aprendi já tanta coisa só de meia hora a passar os olhos por este livro! Por exemplo, que a expressão scripta manent, verba volant era usada para exprimir o sentido exactamente oposto daquele que lhe damos hoje.
Seja como for, estas palavras não são já tão estáticas como a escrita tradicional, porque voam pelo mundo fora, através da rede informática!...

O papão

O papão é às vezes o que eu escrevi antes e tenho medo de reler.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

nota

Não é que não tenha trabalhado nos últimos dias (tenho, mas pouco. Um poucochinho de cada vez, que no entanto é significativo, e portanto nada desprezável).
O que acontece e justifica a ausência de entradas neste suposto diário é que nem sempre me ocorrem pensamentos merecedores de nota.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Comunicação de leitura

Ontem comuniquei ao meu orientador uma leitura que estava a fazer. Não a leitura do gás ou da água, mas a leitura de uma obra teórica que ele não conhece e talvez goste de conhecer. Apreciou a referência e aconselha-me a continuar a dar-lhe notícias do que vou lendo. É um excelente método para me obrigar a resumir as ideias principais de cada livro. E dá-me mais entusiasmo saber que ele está à espera da próxima comunicação de leitura!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pensamentos cruzados


Com calma, um dia de cada vez, isto vai. É impressionante a capacidade do ser humano para, quase em simultâneo, acreditar e duvidar, imaginar-se a falhar ou a ser bem sucedido, misturando na mente emoções diversas e contraditórias a propósito de uma única situação ou experiência. À medida que leio e penso sobre a matéria que me ocupa, estou a visualizar-me a entregar a tese pronta ao orientador e, ao mesmo tempo, a dizer-lhe que vou pedir adiamento porque não consigo fazer nada!


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

(Re)começar


Quando não sei por onde (re)começar, o melhor é começar por qualquer lado.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Living in the twilight zone


Tenho conseguido ler todos os dias alguma coisa útil para a tese, por pouco que seja. E sabe bem sentir esta imersão permanente no tema, como se fosse agora finalmente capaz de viver em duas dimensões ao mesmo tempo: a da vida mundana, do trabalho, da família, das tarefas domésticas, dos amigos; e a dimensão do doutoramento, a da reflexão demorada e contínua sobre o tema, que às vezes é estimulada quando menos espero, por algo que se passa na primeira dimensão.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

a minha amiga e Pilar


Um dia memorável! Fui assistir à apresentação de um livro cuja autora se movimentou em linhas semelhantes àquelas em que tenho estado a reflectir. Ouvi uma intervenção interessante e inspiradora de Viriato Soromenho Marques e, momento supreendente e inesperado, conheci Pilar del Río, que recebeu com agrado uma modesta lembrança minha (que sorte ter ali à mão uma publicação oportuna para lhe dar).
Tudo graças à minha querida colega de doutoramento, que me levou pela sua mão amiga e atenta ao sítio certo, à hora certa. Que tarde agradável, perfeita, inesquecível: a começar pela casa de chá japonesa onde lanchámos (nunca comi um brioche tão delicioso!!), onde a minha amiga me diz, como se fosse coisa pouca, que decidira lá ir, em primeiro lugar, para me ver. No fim, ainda me pagou o livro que eu quis comprar, sem ter dinheiro.
Obrigada, querida amiga! ;)

PS - E afinal até tinha dinheiro, mas tão convencida estava de que não tinha, nem verifiquei. Typical...



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Memofante precisa-se


Há uma dificuldade que me atormenta sempre que leio e tomo nota de uma ideia que me "vai ser útil mais tarde":
e se, mais tarde, eu já não me lembrar dela?

Mesmo que a registe cuidadosamente nas fichas de leitura, como é que eu vou lembrar-me de que na ficha de leitura tal, um ano ou dois atrás, registei uma ideia que é importante introduzir agora na minha argumentação?


Stop, think and rephrase


Tenho de parar de dizer que «já passou um ano e ainda não fiz nada para a tese».
Não é verdade. Li pouco, pensei pouco, escrevi pouco.
Mas o que fiz é alguma coisa e pode ter valor.
E dar valor ao que fiz é fundamental.
Eis um "diapositivo" :-)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Noutros tempos


Não há muito, eu era capaz de ler, ler, ler devotamente e depois escrever artigos, ou ensaios, para os professores das disciplinas curriculares do doutoramento.

Agora, se tivesse de sujeitar-me ao mesmo esquema de trabalho, duvido que conseguisse. Não sei como fui capaz, agora sinto que as semanas me fogem a passo de corrida. E no entanto tenho as mesmas tarefas, as mesmas aulas, os mesmos filhos, a mesma casa... como é que tudo se complicou desta maneira?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Metacompreensão


Há dias em que sinto que o meu maior problema, quanto à investigação e à tese, nem é a falta de tempo, mas a minha incapacidade para me concentrar. Pior do que ter pouco tempo para ler é descobrir que o tempo que tenho se desperdiça em constantes releituras, porque a cada parágrafo tenho de voltar atrás uma e outra vez, porque não fui capaz de reter o conteúdo à primeira leitura. Isto acontece-me cada vez mais e faz-me levar o triplo do tempo, ou mais, a ler cada texto. Assim não vai dar!!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Preciso de paz e de tempo


É o trabalho que não me deixa dedicar-me à tese, ou é a forma como eu trabalho que não me permite fazê-lo?

As duas coisas, provavelmente.

Tenho lido, muito devagar, mas essencialmente tenho perdido os meus dias com assuntos prementes e passageiros, com distracções, com tarefas e mais tarefas que me aparecem continuamente à frente, como segundos a saltitar para fora de um relógio.
Preciso de paz e de um tempo que escorra silencioso e brando, como o leito de um rio desapressado.

Quero exilar-me numa casa no campo!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A little bit of chaos, please!



   There is an unquestioned human appetite for intensity, and though we can exist without them, intense emotions make us feel that we are living.
    Satisfaction of the human need to be bouleversé, carried “out of one’s mind”, seems to be provided for in most societies and can be traced, in theory at least, back to very early times.
Ellen Dissanayake, What Is Art For?

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Back to quiet reading :)


Humans are "something more" than animals because they do not take their world for granted on its own blind terms, but interpret it, fashion their experience of it in multitudinous and multifarious ways. Without human awareness, the world is a chip off a star, mechanically wheeling in a silent blankness.

Ellen Dissanayake, What is art for?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Fim das férias

Ao contrário do que muita gente sente, o fim das férias é para mim o desejado regresso às "minhas coisas", aos meus afazeres. As férias sabem bem, mas são uma espécie de ilusão, uma quase procrastinação que, quando se prolonga demasiado, começa a causar angústia pelo que se vai acumulando para fazer quando o período de descanso chega ao fim.
Se fossem para sempre, as férias seriam uma prisão de tédio insuportável. E como são temporárias, quanto mais durarem pior. O trabalho que se vai acumulando do outro lado das férias é como o labor das aranhas e o assentar do pó numa casa fechada: quanto mais tempo passar, mais trabalho teremos a limpar.
Cheguei hoje e sinto-me um pouco perdida, como a melga que se vê perante um campo de nudistas: sei o que tenho de fazer, mas nem sei por onde começar!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

The reflective dimension of reading literature




The greatest gift of aesthetic response is the desire to take new responsibility, to somehow live more artfully and meaningfully in the real world.

Wilhelm & Novak

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ruído



Gostava que as minhas colegas fossem de férias. Elas bem precisam, coitadas. E assim eu ficava sossegada com o gabinete só para mim! Tenho tanta dificuldade em concentrar-me quando há vozes por perto....

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quantos professores têm em conta que...

[...] teachers contribute much more to student learning by spending their time planning supportive instruction delivered before and during reading and writing than they do by responding to student work after it is done.

                                         Jeffrey Wilhelm and Bruce Novak, Teaching Literacy for Love and Wisdom

terça-feira, 10 de julho de 2012

Não ler livros é pior do que censurá-los...


«Joseph Brodsky said in his 1987 Nobel Prize acceptance speech, "Though we can condemn ... the persecution of writers, acts of censorship, the burning of books, we are powerless when it comes to [the worst crime against literature]: that of not reading the books. For that ... a person pays with his whole life; ... a nation ... pays with its history."»

                               From: Maura Kelly, "A Slow Book Manifesto" (The Atlantic)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Reading on...


A leitura é vagarosa, mas talvez por isso mais profícua. Os livros podem ser tratados como páginas na Internet com hiperligações: cada referência a outro texto, a um autor, a um local, a um povo, etc. pode ser explorada ou pelo menos "espreitada", como os trilhos que aqui e ali se estendem para dentro do bosque, a partir do caminho principal.
Faço isso e acabo com o livro cheio de notas à margem, de referências a coisas que descobri, até com textos literários apensos, que fui ler porque eram referidos pelos autores do livro. Assim, aprende-se muito mais. Ou um nadinha mais, considerando tudo o que falta!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Investigação & Companhia

Nunca imaginei que isto fosse possível, mas a minha filha é tão sossegada, que vem comigo para o trabalho e me deixa fazer leituras para a tese enquanto cá estamos as duas e as horas passam silenciosas e tolerantes, enquanto para lá da janela o sol desce sobre o horizonte.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Never ending book

Bolas, que este livro nunca mais acaba!!



Ou sou eu que leio extremamente devagar...?

terça-feira, 26 de junho de 2012

Recursos e mais recursos

A Internet é uma vertigem. O livro que estou a ler faz de vez em quando referência a portais úteis na Internet, pelo que vou alternando a leitura do papel com a leitura do ecrã.
Mas o ecrã é terrível, porque cada texto tem montes de sugestões de livros para ver, blogues e sites para espreitar, ligações para outras páginas, etc.
Neste momento, a minha pálpebra direita salta nervosamente e sinto-me ligeiramente perdida, confusa e assoberbada com tanta informação, e ao mesmo tempo entusiasmada, contente, satisfeita com tanta coisa que encontrei. São demasiadas emoções para mim!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pensamentos em três actos


1. Cá tenho estado, lendo e escrevendo (artigos, não a tese), embora sem dar notícias. Faço pouco, porque há muitas tarefas e distracções pelo meio, mas faço mais do que dou a entender por aqui... sobretudo, a cabeça não pára. E basta ver uma entrevista a alguém interessante na televisão (Eduardo Galeano, Suad Amiry, Karen Armstrong, António Coimbra de Matos...) para guardar uma boa ideia numa das gavetinhas do meu desarrumado cérebro.

2. Há dias, numa reunião, um senhor doutor que se parece considerar muito importante acusou-nos a todos (docentes da instituição onde trabalho) de publicar pouquíssimo ou nada, sobretudo em revistas internacionais. Pergunto-me o que terá ele publicado e, mais importante, como é que ele sabe se nós publicamos ou não.

3. Quando os meus orientadores respondem que não, nunca ouviram falar do livro ou da revista que eu menciono, parece-me sempre que, se eles não conhecem, é porque não é importante. Mas quando eles me perguntam a mim se conheço o autor tal ou a obra tal, sinto-me sempre ignorante, porque esse título é obviamente importantíssimo e eu devia conhecê-lo!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Segunda volta

   Afinal consegui! Reescrevi o artigo cuja avaliação tinha sido péssima e voltei a enviá-lo para a coordenação editorial. Imagino a cara antipática do avaliador quando o receber de novo. Fará um ar altivo e desconfiado, como quem diz «vamos lá ver o que é que sai daqui agora...».
   Independentemente de achar que esta versão é publicável, imagino que ficará satisfeito ao verificar que o texto está irreconhecível, porque eu me esforcei por seguir os seus doutos conselhos. Eliminei as citações, evitei os clichés, fiz as sugestões concretas e práticas que ele queria ver e dirigi-me ao público-alvo de forma mais adequada.
   Se mesmo assim ele não gostar, eu dou-me por satisfeita e agradeço-lhe pela excelente oportunidade de aprendizagem e aperfeiçoamento que me proporcionou.

quinta-feira, 31 de maio de 2012



We dance round in a ring and suppose,
While the Secret sits in the middle and knows.

                                          Robert Frost

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Reconhecendo finalmente o óbvio



Começo finalmente a reconhecer a relevância de uma verdade incómoda: a leitura atenta da bibliografia não é compatível com o uso do chat no Gmail...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Leituras em curso


É isso: leituras em curso. Muitas. Feitas com entusiasmo e com algum medo.
Porque os livros podem ser um bocadinho assustadores, quando olhamos para eles pela primeira vez e parece que nunca seremos capazes de apreender tudo o que iremos encontrar lá dentro.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pés na terra


Hoje foi ao contrário: recebi resposta da coordenação editorial de uma revista sobre o artigo que submeti a apreciação e o resultado, não tendo sido definitivamente negativo, é duro de roer: o avaliador assinala com uma cruz a opção de que o texto é «fraco, revelando grandes insuficiências» e explica essa escolha com argumentos vários: há muitas citações, estereótipos, nenhuma novidade, erros sintácticos e falta o que seria realmente interessante, na linha do assunto, e que se prende com a apresentação de propostas concretas e de uma argumentação mais consistente e menos presa a "clichés simplistas". Apesar de tudo, e em última análise, o artigo «tem potencial mas necessita de alterações significativas», assinala o avaliador.
As coordenadoras da revista escrevem-me o seguinte: «Queremos encorajá-la a fazer essa revisão e a apresentar uma nova versão no prazo de um mês».

O texto é, basicamente, um trabalho que fiz para avaliação num dos seminários do doutoramento. Por isso mesmo, percebo que o avaliador tenha considerado o texto desadequado para o público a que se destina - que é inteiramente outro do que foram os destinatários do trabalho.
Para já, tenho grandes dúvidas sobre a minha capacidade para fazer melhor. É evidente que preciso de fazer muito mais leituras e ter chegado muito mais longe na tese, para poder traduzi-la depois num artigo de qualidade...

domingo, 13 de maio de 2012

Pensar



Mais do que fazer alguma coisa todos os dias, o fundamental é pensar sobre o tema da tese todos os dias.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Livros

Chegaram dois livros novos, fresquinhos e diferentes. Iupii!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Thumbs up!




Dia bem positivo!

Recebo logo de manhã um e-mail a perguntar se estou interessada em apresentar uma comunicação num encontro a realizar. Era o que eu ambicionava há já algum tempo e já tenho a intervenção preparada com Powerpoint pronto e tudo! Só falta saber se aprovam o meu tema, mas estou aberta a outras sugestões, caso queiram que o altere.
À tarde tive um encontro muito agradável com o meu orientador.
Para ele, esta é a parte mais “gira” de fazer uma tese: a parte em que se aprende. Aconselha-me a não desprezar isso, a não desperdiçar esta fase, a dar-lhe a atenção que ela merece. Basicamente, não devo pensar que já devia ter avançado mais, porque não faria sentido ter escrito já um capítulo da tese. É preciso ler muito e ler leva tempo. Portanto, estar onde estou é normal e parece-lhe que tenho feito um bom trabalho.Gostou das referências bibliográficas que encontrei e de que me ocupo de momento e acha óptimo estar a publicar artigos, porque isso vai valorizar a tese.

Precisava mesmo deste voto de confiança por parte dele! Sinto-me bem.

segunda-feira, 30 de abril de 2012


Felicidade transbordante: recebo e-mail da equipa editorial de uma revista para a qual tinha enviado um artigo, propondo a sua publicação. Eis que «um elemento do Conselho de Leitura» procedeu à sua avaliação (positiva) e vai ser editado no próximo número!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Partilha


Ontem um colega perguntou-me qual era o tema do meu doutoramento. Disse-o de forma lacónica e genérica e ele, claro, quis saber mais. Como eu resisti, perguntou: «não consegues ser mais específica? Ou não queres revelar o teu tema?»
Era pura vergonha da minha parte. Receio de que ele e outra colega que estava ao nosso lado achassem o tema mau, desadequado, condenável. Quando ela se distraiu, acabei por lhe confessar a ele, que me pareceu ter uma mente mais aberta. Não só achou interessante, como passou de imediato a dar-me sugestões de aspectos que achava importante considerar. Fiquei contente, agradecida.
É bom poder partilhar com os outros aquilo que, tantas vezes, parece fazer sentido apenas dentro do nosso atormentado espírito.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Robert Probst, my newest friend

Descobri um livro interessante, a comprar e a reler com atenção. Made my day!

Diz o autor: «buying is easier than creating». Uma aparente verdade de La Palice, mas que no contexto introduz um tema abordado de forma muito clara, despretensiosa, objectiva. Uma lufada de ar fresco, considerando os textos densos de ideias mal explicadas, palavrosos e intelectualóides que tenho lido sobre o mesmo assunto.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Será que arrumar os livros (como eu sonhei com este dia!) numa estante nova também conta como trabalho para o doutoramento?!...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Todos os dias fazer alguma coisa. Já tinha escrito isto aqui, já o tinha pensado.
Mas não tenho cumprido, por isso é preciso voltar a dizer: é fundamental trabalhar um pouco na tese todos os dias, por mais insignificante que seja (ou pareça) esse "trabalho" (às vezes pode ser apenas encontrar mais uma referência bibliográfica, ter uma ideia, formular uma questão, tomar uma breve nota). O mais importante é que não se perca de vista o assunto, que a tese, por mais abstracta e vaga que seja ainda, não seja esquecida por completo durante dias a fio.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Poeminha de Homenagem à Preguiça Universal



Que nada é impossível
não é verdade;
todo o mundo faz nada
com facilidade

 

Millôr Fernandes, in "Pif-Paf"
(in Citador)

Descanso

Fui para a praia com os miúdos e fez-me bem. Passei o dia a brincar com eles, sem preocupações, sem horas, sem restrições. E foi tão bom!

Às vezes também é preciso coragem para baixar os braços.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Não-sim-talvez

Não estou a trabalhar para o doutoramento, mas estou a trabalhar para o doutoramento.
Percebe-se?
Não faz mal.
Hoje, de qualquer maneira, não é dia. Ou melhor, não é dia, mas pode ser dia. É dia de vir para o emprego e trabalhar para o doutoramento, se for possível, porque estou sozinha no gabinete. Percebe-se?
Não faz mal.
Em todo o caso, de certo modo, estou a trabalhar para o doutoramento, ainda que indirectamente. Estou a reflectir sobre uma questão-chave para a tese, mas resolvi escrever um artigo, para arrumar as ideias. Não serve para incluir na tese, mas serve para arrumar as ideias. Percebe-se?
Ainda bem!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Limbo

Férias da Páscoa: o desafio de ter as crianças por perto e não me enervar. Enquanto houver tempo, há tempo.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Papão

A bibliografia é decididamente o meu bicho-papão. Cresce desmesuradamente, ameaçadora e caótica, e faz-me sentir insignificante e impotente.

quarta-feira, 14 de março de 2012

( *%&#» )

Decidi trancar-me no gabinete onde trabalho, para que uma colega particularmente faladora não me viesse incomodar e eu pudesse fazer hoje alguma coisa para o doutoramento.
Quando ouvi os passos dela a subirem a escada e a baterem à porta, não fui capaz de ficar quieta. Levantei-me e fui abrir. Porquê?
Porque sou estúpida.
Disse-lhe que me tinha trancado por distracção e ouvi-a durante meia hora sem a ouvir. Senti-me estúpida, estúpida, estúpida.
Hoje odeio-me. Mesmo. Merda. Para não dizer pior.

terça-feira, 13 de março de 2012

Grão a grão...

Uma amiga igualmente desesperada por falta de tempo no dia-a-dia para o doutoramento sugere que escrevamos a tese ao ritmo de uma frase por dia.

Talvez resulte...

quarta-feira, 7 de março de 2012

semanário quando muito

Isto de diário tem muito pouco...

Hoje faço tudo menos concentrar-me no que é importante. Fujo da tese que ainda não é tese, por medo de ter de reconhecer que de tese não tem nada.
Não me consigo organizar, disperso-me, o método foi dar uma volta.
Sinto-me como o mosquito no campo de nudistas: sei o que fazer, mas não sei por onde começar.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lost in savings

Estou confusa e perdida entre ficheiros. Ora trabalho no emprego e uso a pen-drive para guardar os ficheiros, ora trabalho em casa e guardo os ficheiros no computador. Nesta alternância, já não sei qual é a última versão de cada ficheiro...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fantasmas

O dos orientadores substituídos.
O da minha incapacidade.
O da minha preguiça.
O do excesso de trabalho.
O da falta de tempo.

Ora vejamos:
o primeiro vai atormentar-me até ao fim dos meus dias, mesmo depois de ter a tese feita e defendida. Logo, não vale a pena preocupar-me demasiado com ele.
O segundo e o terceiro contradizem-se e anulam-se reciprocamente (se não sou capaz, não há esforço que valha a pena; se sou preguiçosa, é indiferente que seja capaz ou não), portanto, valem por um só.
O do "excesso de trabalho" é, também, incompatível com a preguiça. Se a assumo, não há trabalho que me preocupe. Se me ocupo do trabalho, venço a preguiça. Fica só este.
Falta de tempo é o que temos todos para viver. Até ao lavar dos cestos é vindima, pelo que só poderei dizer que não tive tempo suficiente se, em Janeiro de 2014, não tiver conseguido acabar a tese. Até lá, fico com o tempo que existe e com o trabalho todo que aparecer. Serve perfeitamente.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Upa!

O meu coração bate com mais força assim que as coisas começam a correr bem. O meu entusiasmo salta cá dentro, faz-me levantar da cadeira e andar pela casa aos pulinhos. Sinto-me como se fosse uma lebre no primeiro dia de Primavera. Só quero fazer isto e mais nada, quais férias de Carnaval, qual Algarve. O ideal era que fossem todos e que me deixassem aqui, no meu bosque, no meu pequeno mundo.

Isto só pode significar que tenho, pelo menos, o gosto e a dedicação necessários para andar com isto para a frente.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ora...ora

Acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; acredito / não acredito; ...

Deve acontecer a toda a gente.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A grande verdade

«Queres que eu te diga o que eu acho?», perguntaste-me. «O que eu acho é que se tiveres só um dia por semana para isso não vais fazer doutoramento nenhum.»

Nem mais.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Leituras com pó

Estou a ler artigos de 1999. Hesito, porque têm mais de 10 anos. Mas fazem-me reflectir e aprender. Não posso fingir que não são relevantes, porque são, apesar de datados.
Um dos dilemas do doutorando: ler ou não ler, eis a questão...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Para que se saiba:

estou completamente perdida neste círculo vicioso, em que ando há tempos às voltas sem sair do lugar. Não posso ser ajudada por ninguém, tenho de sair daqui sozinha. E não sei como.
O desespero é total.
Pode parecer parcial, mas é total.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Balanço do dia

Já são 19h.30m., tenho os filhos em casa, são quase horas de jantar, mas continuo agarrada à tese como se tivesse de acabar este capítulo antes da meia-noite. É bom, o balanço de hoje seria positivo, mas isto causa-me ao mesmo tempo uma grande frustração, porque o tempo não chega, nunca chega, para estar calmamente a trabalhar.
Claro que não posso queixar-me: fui jogar ténis de manhã, desperdicei mais de uma hora no almoço e perdi tempo várias vezes ao longo do dia. Mas agora apetecia-me continuar, agora é que me apetecia continuar. Rrrrrrr.

E por causa desta e de outras frustrações é que bati com a mão no roupeiro com toda a fúria e fiquei com um hematoma horroroso. Decididamente, sou um bicho muito complicado e às vezes detesto-me por isso. Como hoje.
Almoço fora com direito a vinho quyebrsaa um bcaddiinnnho o ritemo,...... massss sabe bem, pa desaanuviaaaer"!

(Hoje houvve troccca de dia das emana: em x de sexta, o dia da tese foi terçça). Hic!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dias assim

Dias assim valem o preço que custam!
Mergulhei nisto logo de manhã, não sem antes ir fazer uma caminhada, para acordar. Um pouco tropegamente, sem saber muito bem por onde começar, como sempre à sexta-feira, mas lá fui abrindo caminho neste mar desconhecido e traiçoeiro.
Parei para um agradável almoço e voltei assim que pude para colar o rabo à cadeira e para alternar os olhos entre o monitor e os livros. Fui buscar os miúdos à escola, mas deixei tudo ligado e aberto, talvez me apetecesse continuar mais tarde, quando eles fossem dormir.
Deitei-os e voltei, com uma vontade arrefecida, mas ainda existente. Reengrenei e, coisa espantosa, embrenhei-me de tal modo que verifiquei, com espanto, que a meia-noite chegou sem eu dar por isso!

Claro, fiz outras coisas pelo meio, nem sei trabalhar de outra maneira. Mas a esta hora, como tenho pouca esperança de que o tempo me renda, dou-me ao luxo de manter o FB ligado. Daí o meu espanto: mesmo assim, rendeu. Óptimo sinal!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Boa notícia

Alguém falou com ele e ouviu-o dizer que acha que eu vou fazer uma boa tese e que já encontrei o caminho. São mimos destes que me dão alento!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sexta-feira e... ?

Levo a semana a ansiar pela sexta-feira, que é o meu único dia de paz para me dedicar em exclusivo - ou quase - à tese. Mas quando ela chega sinto-me perdida e ansiosa, não sei bem como gerir o tempo, o que ler primeiro, por onde atacar o bicho.
Vou-me aproximando devagar, como quem não quer a coisa, só me falta assobiar para o lado.
Abro ficheiros, inteiro-me de como está a situação, desde a semana anterior. Está tudo na mesma, que pena... não tive nenhum acesso de sonambulismo inspirado.
Leio umas coisas quase ao acaso, lá me vou embrenhando no mato.  A certa altura, sem dar por isso, estou a caminhar num trilho que se vai abrindo cada vez mais.
Piso o chão com força, não vá ele sumir-se.
Começo a entusiasmar-me e...
... são horas de ir buscar os miúdos à escola!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Avanti!

Nova troca de e-mails ainda na sequência da apreciação do meu novo ponto de partida, confirma-se que estou a ir bem. A última palavra do orientador foi Avanti!
Toca encontrar tempo e espaço para trabalhar nisto de forma sistemática e metódica. Não há desculpas que sirvam para protelar o que tem de ser feito... e bem feito!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tentar a serenidade

as palavras que vão surgir sabem de nós o que nós não sabemos delas.

                                                          René Char (poeta)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mensagem recebida

Mensagem de e-mail do orientador, logo após mais uma "investida" minha, a propósito da publicação que li hoje. Está melhor (com este texto, diz ele, oriento-me num sentido mais adequado ao que pretendo), mas dá ainda outras achegas que me parecem interessantes embora dificilmente exequíveis. Ele deve acreditar que sou capaz, mas ainda estou tão longe...!

Ora bolas :(

Começo logo o dia com uma descoberta desarmante: recebo em casa uma revista que contém, entre outros artigos, o texto de uma conferência integrada num encontro a que eu assisti - mas que logo por azar era a última comunicação, à qual faltei. Descubro, agora, que o conteúdo é muito semelhante ao do meu novo projecto, ou seja, aquilo que eu pensava que era um bocadinho de pólvora que eu tinha descoberto não é, afinal, novidade nenhuma...


Comentei isto com o orientador. Ele respondeu sugerindo que qualquer pretensão de ser original no que respeita ao âmbito em que se insere a tese seria uma veleidade minha. Original é a proposta que vou fazer nesse âmbito, mais nada. Faz sentido. Depois reflecti: sempre que eu demonstrar que tenho a pretensão de estar a ser original, provavelmente estou antes a demonstrar que não investiguei o suficiente. Reformulando: quem julga que diz alguma coisa pela primeira vez mostra, na maior parte dos casos, que simplesmente não sabe, porque não leu, que outros já pensaram isso mesmo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011



Ce qu'on dit écrit das les âmes est d'abord écrit dans les livres.

                                  Emmanuel Lévinas

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Má época

Acabo de voltar atrás a ver o que andei a escrever por esta altura do ano em 2010. Verifiquei que sentia a mesma dúvida, o mesmo desespero. E mais: que fui ver o que havia escrito em 2009 e o sentimento era exactamente esse. Conclui-se, portanto, que esta é uma péssima altura do ano para trabalhar no doutoramento!

Com tempo, com sossego e sem ideias

Às vezes pergunto-me se realmente vou ser capaz de fazer isto.
Sinto-me fazia de ideias, e nem sequer posso dizer que é da falta de condições para trabalhar. Se não fosse o frio nas mãos, o ambiente aqui no meu emprego seria perfeito: estou completamente sozinha em absoluto sossego e tenho o dia todo. Mas o que é que faço com ele? Ler? O quê?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Natal é tão parvo... perdão, as pessoas em geral ficam tão parvas no Natal.

Desculpem o desabafo. É que não me deixam trabalhar!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Take 2

Nada a fazer: serei impulsiva até à morte.
Acabo de repente o texto que tenho andado a escrever, como espécie de introdução provisória à tese, em que procuro estabelecer a tal ideia de força ou de fundo, e envio-a ao meu orientador, para que diga de sua justiça.
Logo a seguir, reli o texto e achei que precisava de emendas, de mudanças. Alterei umas coisas e enviei-lhe a inevitável correcção: «por favor, considere antes este ficheiro, em vez do anterior.» Típico de quem  faz primeiro e pensa depois...
E agora, como a época é má, ele deve demorar a responder. Mais uma vez, tenho de ter calma e paciência.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Nicles

Pois é... não tenho conseguido fazer nadinha.
Para referência futura, devo registar que o mês de Dezembro não rende: são as classificações dos trabalhos dos alunos, os meus anos, os anos do meu sobrinho, o Natal, o fim do ano... uma loucura, é impossível arranjar tempo para me concentrar.
Que chatice!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Isto vai

Isto vai. Devagar. Vai indo. Se não vai, há-de ir.
Releio o meu novo projecto e parece-me que já lhe vejo as pernas com que há-de andar.

É preciso não entrar em inseguranças parvas que só servem para dar de mim uma imagem de menina mimada e caprichosa, que não sabe o que quer, senão que quer ser apaparicada, levada ao colo, com festas na cabeça. Este é um trabalho para gente grande, que se faz em sereno isolamento.
Sem medo, sem ataques, sem impulsividade. Com a segurança e a tranquilidade de quem, se não sabe, faz por aprender.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ufa!

Alívio! O meu orientador escreveu-me finalmente a dizer que as páginas que lhe enviei não são nada para deitar fora, que as deixe a hibernar, pois poderão servir (ou não), consoante o novo rumo que eu der à tese.
Optimismo e esperança, portanto! Excelente notícia para passar o feriado mais descansada...

sábado, 26 de novembro de 2011

Agradecimento

Agradeço ao Luís Alves de Fraga pelos bons conselhos que não se cansa de me dar.
Tem toda a razão, de facto eu corro o risco que aponta no seu comentário ao texto "Engolidela em seco". Ainda estou a tempo de entrar nos eixos! Vamos a isso...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

:(

Sinto-me desmoralizada. Não sei o que fazer. Apetece-me desistir. Só não desisto porque isso poria em risco a minha condição de empregada.
Não sei como sair deste buraco!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Mau sinal

Este meu novo orientador é a pessoa mais disponível que há. Ou era, até agora. Nunca demora mais do que dois ou três dias a responder e, quando diz "vou ler no fim-de-semana e depois digo alguma coisa" é porque vai dizer mesmo.
Assim sendo, e dado que foi na sexta-feira passada que lhe enviei 12 páginas para ler, só posso concluir que o que escrevi está tão mau, que ele não sabe como dizer-me. Este silêncio só pode ser mau sinal...

domingo, 20 de novembro de 2011

Engolidela em seco

Com receio, desconforto e ansiedade, enviei na sexta-feira passada algumas páginas ao meu novo orientador, perguntando-lhe se seriam aproveitáveis ou se deveria eliminá-las para sempre.

Eu sei que devia era estar a ler, a ler, a ler, e pouco ou nada preocupada em escrever. Mas não sou capaz de levar tempos infindáveis a assimilar apenas, sem digerir e... enfim, deitar alguma coisa cá para fora que seja o produto, ou o resultado, dessa assimilação. Sinto necessidade de arrumar ideias, de ir reflectindo e passando as conclusões para um texto já minimamente organizado, que me facilite mais tarde o trabalho. E confesso: tenho pressa de ver a tese a começar, a desenhar-se no branco do ecrã e não devia... impulsiva, ingénua, imatura. Sempre.

Por isso, talvez seja bom levar com um balde de água fria. O melhor será mesmo que ele me responda a dizer que estou a perder tempo precioso de leitura com escritas inconsequentes.
Há pessoas que só aprendem à força, ou seja, quando levam na cabeça. Eu sou uma delas...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sem tempo nem ânimo

É basicamente isto: sem tempo nem ânimo. Ou, corrigindo: com pouco tempo e pouco ânimo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

às voltas com as palavras

Gnóstico, gnósico, gnosiológico - às vezes as palavras confundem-se e baralham-me, com as suas subtis cambiantes de significado.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sufoco

Agora tenho de estar mais tempo no local de trabalho e preencher diariamente um "Registo de Ponto". Menos tempo, portanto, para a investigação para o doutoramento, que ainda assim, claro, tem de ser feita no mesmo prazo.
Portanto... o cinto que nos aperta a existência não é só financeiro!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

contemporaneidade

O contemporâneo fala-nos de nós hoje, mesmo quando foi escrito há décadas, séculos. É sempre uma agradável surpresa - seja ela mais inócua ou mais arrepiante - encontrar contemporaneidade certeira em textos que atravessaram o tempo.


«What I propose in the following is a reconsideration of the human condition from the vantage point of our newest experiences and our most recent fears. This, obviously, is a matter of thought, and thoughtlessness—the heedless recklessness or hopeless confusion or complacent repetition of "truths" which have become trivial and empty—seems to me among the outstanding characteristics of our time. What I propose, therefore, is very simple: it is nothing more than to think what we are doing.»

Hannah Arendt, The Human Condition (1958)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

pousio

O pousio é fundamental para que possamos olhar para o que fizemos com uma atitude crítica, distanciada, objectiva, se possível, até, fazendo de conta que o autor foi outra pessoa.

Ontem escrevi, escrevi, numa tentativa quase desesperada de arrumar ideias e reformular aquilo que pensei que tinha sido o meu projecto e que afinal não era, ainda, projecto nenhum.

Agora preciso de esquecer o que escrevi, por umas horas, uns dias. E depois reabrir o ficheiro e ler o texto com outros olhos. Ou melhor, com os mesmos olhos, mas como se o texto fosse outro.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Começar de novo, com confiança

Há qualquer coisa - ou muita coisa - neste homem que me transmite tranquilidade, segurança, confiança. Mesmo quando duvido da minha capacidade para conseguir levar a tese até ao fim (aliás, fazê-la formar-se, logo para começar), só o facto de o ter como orientador sossega-me, apazigua-me. Ele há-de me inspirar!
Voltei, graças a ele, à estaca zero. E agora, ao ler o meu projecto, tenho vontade de rir, pelas banalidades que escrevi. Com duas conversas e dois livros, ele abriu-me os olhos, fez-me perceber que aquilo era superficial, pobre, pouco. Por isso, por mais que me custe pensar que tenho de começar de novo, ao fim deste tempo todo, fico feliz, sinto-me bem. E ainda há tempo, claro.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

TAKE 3, 1.º encontro

Agora espero que seja de vez. Encontrei-me com o meu novo orientador para falarmos sobre o projecto. Não gosta dele, diz que não é um verdadeiro projecto, porque não existe nele uma tese propriamente dita.
Vai ser preciso ler mais e diferente, pensar mais a fundo, encontrar uma ideia verdadeiramente original, que sustente a proposta que quero apresentar. De outro modo, há apenas uma vontade, uma "fixação", mas a "tese" será apenas burocrática e... um suicídio, no que respeita à prova de defesa.
Para ter uma tese é preciso que haja "caco", uma boa ideia que seja defensável. Ele explicou isto melhor, claro, mas para registar aqui serve dizer apenas isto: o que fiz até agora é manifestamente insuficiente como ponto de partida.

Ora já valeu a pena a mudança de orientador, certo?

sábado, 22 de outubro de 2011

RESCALDO

De volta à faculdade, encontrei o co-orientador, a quem puxei eu mesma as orelhas, porque com esse não tenho obrigação nenhuma de ser meiga. Ainda estava, afinal, à espera de resposta a uma mensagem que lhe enviei pelo Facebook (aos mails não respondia) em Agosto e que tenho a certeza de que ele viu. Primeiro ainda tentou dissuadir-me: «veja lá... já é a segunda vez que muda de orientador...» mas depois ouviu-me calado, porque admitiu que eu tinha razão: muito sucintamente, a orientação dele era igual a zero.

Tive de pedir ao director do departamento que assumisse, então, aquilo que tinha dito. Estava realmente disposto a orientar-me? Então que me orientasse, por favor. Os meus orientadores não tinham tempo para mim e se ele concordava que quem não está satisfeito deve poder escolher outro, então que fosse o meu outro. Que sim, que queria ler o meu projecto para ter a certeza, mas em princípio sim.


Havia, na minha vontade de mudar de orientador, uma certa razão. Mas não se faz o que eu fiz, pelo menos a ela, que sempre demonstrou boa vontade e profissionalismo, sem considerar a falta de tempo. Não se faz, a menos que se queira fomentar inimizades. Nesse aspecto, eu dei um tiro no pé, ou, como disse depois um amigo, enterrei os pés até ao pescoço.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

BOMBA

Foi como se tivesse levado uma bomba para a faculdade, para a fazer explodir na cara da minha orientadora.
Lamentei-me junto do director do departamento, que conheço há 20 anos e por quem tenho uma grande estima, de que ela não tem tido tempo para me orientar e de que o co-orientador me ignora, como se eu não existisse. Sem ser completamente a sério, perguntei-lhe a certa altura se me orientaria, porque estava descontente e desorientada. E ele disse que sim.
Eis que se me faz clique dentro da cabeça. E se... ?
Ele nem me dá tempo para raciocinar: «ela vai ali!»
Saí a correr, para a apanhar. Esperei que ela acabasse de conversar com alguém e finalmente pude abordá-la.
«Nem tenho tido tempo para lhe dizer nada, mas não preciso de lhe dar explicações, não é verdade?» - começou ela, deixando-me boquiaberta. Ai não?, pensei. Por acaso acho que até devia...
Então, não pude evitar, saiu-me: disse-lhe que, se via que não tinha tempo para me orientar, eu podia mudar. Que o director do departamento estava disposto a assumir a tarefa, se ela não a quisesse.
Ela respondeu que eu estivesse à vontade para tomar essa decisão, que ficava ao meu critério. «Mas quer orientar-me?» - Perguntei. E ela respondeu que sim.
Então pedi-lhe que marcássemos uma reunião e que ela lesse o que tenho andado a escrever.
Só daqui a um mês, foi a condição dela... antes disso, (como sempre), não tinha tempo.
Depois de nos separarmos ela ficou a matutar naquilo. Chegou à conclusão de que tinha sido uma conversa muito desagradável e telefonou-me ao fim da tarde, para me dizer que estava muito incomodada e que sentia que não tinha condições, a partir dali, para me orientar.
Basicamente, fui uma besta. E chorei.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

IMPORTANTE

Beber vinho ao almoço não é recomendável quando se pretende trabalhar para a tese durante a tarde.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Levitação

Gosto da sensação de total imersão na leitura e na escrita, que faz de mim um ser etéreo, sem corpo nem noção do tempo, como se de repente tivesse passado a existir numa outra dimensão, onde só há espírito e o espírito pode concentrar-se exclusivamente na ideia que lhe interessa perseguir.

Do físico só tem de haver um computador e dedos ligados ao espírito, claro, para que fiquem registadas as brilhantes conclusões a que nesse estado se chega!

:-S

Faz hoje duas semanas e a orientadora ainda não me deu qualquer resposta.
Comecei a escrever-lhe um e-mail em que perguntava qualquer coisa como «já teve oportunidade de ler o meu e-mail anterior?». Mas desisti. Para quê?
1. Ela vai ficar aflita e pedir desculpa, justificando-se com os seus inúmeros afazeres. 2. Eu já sabia que ela não iria ter muito tempo para mim (foi por isso que começou por declinar a proposta de me orientar!). 3. O que é que eu quero, ou preciso, neste momento, que justifique o envio de um terceiro e-mail? Não posso continuar o trabalho sem ter a resposta ao que lhe perguntei? Posso.

Tudo o que eu queria, já percebi, era apenas alguma atenção. E não é para isso que serve um orientador.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Bolas :(

É um nadinha frustrante chegar ao fim do dia, quando se tinha a intenção de dedicar pelo menos o período da tarde ao trabalho para o doutoramento, e verificar que, afinal, o tempo não deu para lhe dedicar nem um minuto.
C'est la vie...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Devagar se vai... a algum lado.

Posso fazer muitos planos, ter grandes expectativas, e acabar por conseguir fazer muito pouco num dia que poderia (deveria!) ter rendido muito.
Mas se fiz alguma coisa dou-me por feliz. Se escrevi um parágrafo, mais ainda. E se ele me parece bem, tanto melhor!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Esperar sem desesperar

E-mail enviado.
À minha orientadora, só para lhe dar conta da situação em que estou. Eram apenas algumas linhas e não enviei nenhum anexo, mas ela respondeu uns dias depois a dizer que iria lê-las com atenção no fim-de-semana e depois me diria qualquer coisa.
Faz hoje uma semana.
Tranquila...
Há muito que fazer e não me perco sem bússola.
Acho.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ler e transcrever

Leio e transcrevo, leio e transcrevo. Parágrafos, páginas quase inteiras. Isto há-de servir para alguma coisa, espero. Leio e vou transcrevendo. Acumulo e colecciono citações. Pouco mais posso fazer, por enquanto. Calma.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Tempo e oportunidade

Mais do que ser precioso - e preciosamente escasso - o tempo é irrepetível, e cada oportunidade que nos oferece de sermos, acontecermos e fazermos nele é absolutamente ÚNICA.
Quer isto dizer que sinto o seguinte: se eu não tivesse aproveitado os momentos de hoje, que me serviram para ter determinadas ideias e chegar a determinadas conclusões, talvez elas me fossem vedadas para sempre.
Ou talvez não.
Mas nunca se sabe...

Decisions, decisions...

Entre ir à praia e ficar a ler e a trabalhar na tese, escolho .......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
ok, fico em casa :(

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Palavras a mais

Um autor palavroso parece estar permanentemente a querer erguer um muro entre os leitores e o significado do que diz. Desconfio sempre de alguma insegurança, que levará precisamente à protecção por trás de uma barreira de palavras.
Mas também se aprende com estas leituras mais difíceis e maçadoras. A não pecar pelo mesmo defeito, claro. E não só. Porque a erudição que sobressai, tirando os exageros da verborreia, é inspiradora.
Nada como ver o lado positivo das coisas!

domingo, 25 de setembro de 2011

Unindo o útil ao agradável

Fico feliz quando uma leitura que escolhi para as horas de lazer se me revela útil e inspiradora para o trabalho de investigação. É ouro sobre azul, como se costuma dizer. E esta foi. Aqui fica um excerto:


«os homens o que querem – o que queremos – é ser humanos, não instrumentos nem bichos. E queremos também ser tratados como seres humanos, porque a humanidade é algo que em boa medida depende do que fazemos uns com os outros. Explico-me melhor: o pêssego nasce pêssego, o leopardo chega ao mundo já como leopardo, mas o homem de maneira nenhuma nasce já homem e nunca chegará a sê-lo se os outros nisso o não ajudarem. Porquê? Porque o homem não é somente uma realidade biológica, natural (como os pêssegos ou os leopardos), mas também uma realidade cultural.»

Fernando Savater, Ética para um Jovem


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Gostar

Gostar do que se faz é absolutamente fundamental - para mim, claro.
Não concebo a ideia de fazer investigação, escrever uma tese, sem ter gosto genuíno pelo que se faz.
Só assim se consegue vencer todos os obstáculos, superar a insegurança, ignorar os medos e, claro, fazer leituras que de outro modo seriam absolutamente insuportáveis!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sem orientação, mas não sem rumo

No arranque do ano lectivo é particularmente difícil reengrenar na investigação. Todos os dias há 20 motivos prementes para deixar a tese em banho-maria. Mas hoje, finalmente, consegui desligar-me (quase a 100%) do resto e dedicar-me, de novo, à leitura e à escrita.
Fiquei satisfeita com o que consegui fazer nestas horas. Contente com o rumo que estou a seguir e entusiasmada com as perspectivas deste meu trabalho solitário. Às vezes pergunto-me se a minha orientadora se lembrará de mim. Mas não me preocupo. Pelo menos para já.

sábado, 10 de setembro de 2011

Impulse II

Estou com sorte, descobri outro livro inspirador. Acreditam que me apetece mais ler do que fazer qualquer outra coisa? Maldito fim-de-semana...!

sábado, 3 de setembro de 2011

Impulse


E se um livro que antes se lhe afigurava maçador de repente lhe parecesse interessantíssimo?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

«Para que é que foi comprar esse? Eu tenho e emprestava-lho!»


Já gastei bastante dinheiro em livros que não precisava de ter comprado. Em tempo de crise, isto é ainda mais revoltante do que em tempos de abundância.

É um erro que vou voltar a cometer, é quase certo. Mas tenciono ter mais cuidado quando encomendo seja o que for. Há livros caríssimos que mandei vir pela Amazon e que praticamente não me serviram para nada e, em princípio, nem vão servir. Claro que não devo dizer "este livro não lerei", nunca se sabe. Mas tenho de ser mais criteriosa na compra e explorar ao máximo as possibilidades que as bibliotecas públicas e os amigos me oferecem.

domingo, 28 de agosto de 2011

Férias


E não fiz praticamente mais nada, além de ler umas míseras 30 páginas de um livro imprescindível, que levei de férias para não ter problemas de consciência. Mas foi bom ter sido capaz de me abstrair de tudo e simplesmente descansar, como é suposto. Afinal, porque é que eu tenho tanta resistência às férias, tanta mania de estar sempre a produzir alguma coisa?!


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Vai-se fazendo qualquer coisa...

Encontro breves nichos no dia-a-dia, autênticas bolsas de ar silencioso onde me deixo envolver por leituras que me pegam na mão e me fazem segurar de novo o fio desta longa meada.

Seguro-o e sigo a linha de pensamentos alheios, que se misturam com os meus e me fazem ver novas possibilidades de reflexão e escrita, com um entusiasmo que começa por ser nulo, depois se torna tímido, logo mais forte, e finalmente, quando o tempo chega ao fim, quase arrebatador.

Deve ser para me dar vontade de continuar a inventar tempo para estudar, mesmo durante as férias!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Colegas que valem ouro

As minhas duas colegas preferidas (M&M) vieram cá ontem almoçar.
Trocámos bibliografia - uma delas requisitou um livro na biblioteca municipal para me trazer! -, conversámos pela tarde fora, rimos e demos força umas às outras. Não deixar que as outras desanimem é o nosso lema. Ou fazemos isto todas, ou não faz nenhuma - é o que gostamos de pensar.
As vidas são complicadas e todos os dias há problemas e prioridades que nos impedem de trabalhar como gostaríamos, há motivos vários para desesperar, ou pelo menos para duvidarmos de que vamos conseguir. Mas qualquer uma de nós sabe, acho eu, que basta um e-mail ou um telefonema para receber apoio imediato. Todas sentimos - pronto, é o que eu sinto que nós sentimos - que parte da compensação pelo esforço não tem nada que ver com a obtenção do grau, mas com a amizade que o percurso para chegar a ele nos permitiu descobrir. Porque, quando nos juntamos, não temos de falar só das leituras e das teses, dos orientadores e do júri que nos poderá calhar. Podemos falar de receitas e de receios, de filhos e de cadilhos, de férias e de lérias. De tudo o que quisermos e for preciso. É ou não é?

Ora, quem é que se pode gabar deste tipo de relação com colegas num curso de doutoramento?!
É quase milagre, eu diria...

Obrigada, amigas :)

Silêncio

Ainda dizem que quem não responde não quer comunicar...
Há silêncios que têm mais significado do que mil palavras!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Queda na real

Sou arrogante, impertinente e inconveniente. Tenho a mania de vir para aqui queixar-me de tudo e de todos e agora estou a ser castigada. Só pode.
O meu putativo co-orientador deve ter vindo aqui parar e leu as minhas queixas dele. Ficou zangado comigo e por isso não me responde nem faz tenção de me ajudar. Bem feito.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mudança de táctica

Dispensei o meu co-orientador, eu sei, por ter concluído que ele não estava interessado em ajudar-me.

Mas resolvi, agora de repente, mudar de atitude. Afinal, a principal orientadora está agora de férias e indisponível, durante um mês, para me acompanhar. Por isso, decidi enviar-lhe uma mensagem a perguntar directamente se está disposto a ler o que vou escrevendo, para me obrigar a trabalhar e a pensar durante as férias do emprego.
Vamos ver se ele responde... se a resposta for positiva, é de aproveitar!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uma nuvem maior

De súbito, esbarrei com a consciência de que tenho neste momento da minha vida preocupações muito mais sérias e absorventes do que a tese. A tese deixou de ser a nuvem escuramente invisível sobre a minha cabeça. Foi substituída pela ameaça do desemprego!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Pausa

Quem não faz quase nada, como eu, não merece uma pausa.
Mas fui à praia, quem quiser que me censure! Estava óptima e hei-de lá voltar em breve. E não vou deixar de fazer a tese por causa disso :)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Curto, mas bem aproveitado

Arranjei um bocadinho e estou a aproveitá-lo! :)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Hiato

«Última mensagem publicada a 14/07/2011»?!
Tanto tempo sem fazer nada...  :(

Vejamos o que aconteceu:
a) tive muito trabalho no emprego
b) tenho uma filha de férias em casa
c) não estou suficientemente entusiasmada para me pôr a ler de noite o que não tenho tempo para ler de dia.

É possível alterar a situação nos tempos mais próximos?
Não. Porquê?
a) continuo e continuarei com muito trabalho no emprego (enquanto este dura, é sempre a esfolar o pessoal)
b) em breve terei não um mas dois filhos de férias em casa
c) o entusiasmo não se encomenda na Amazon.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O ficheiro

Tenho um ficheiro onde vou escrevendo. O quê?
Coisas.
A tese?
Já acreditei mais que fosse a tese.
Então se não é a tese é o quê?
Frases, ideias, uma argumentação.
Definitiva?
Se o fosse, podia dizer que sim, que é a tese.
Mas a prudência, a humildade e a consciência do caminho por percorrer obrigam-me a dizer que não, que não é. É preciso sentir uma segurança que eu ainda não tenho para poder dizer que já se está a escrever a tese. Claro que me move a secreta esperança de que aquilo se converta, um dia, no próprio texto da tese, mas já não tenho a ilusão ingénua de que vá permanecer assim, tal como está. Vai ficar irreconhecível, com o tempo - e é bom que assim seja.
Em todo o caso, mesmo que assim aconteça, é bom que eu não o deite fora e que o vá modificando, à medida que me vou sentindo capaz de o fazer. Pena não ser um testemunho da evolução, porque cada vez que o altero perde a forma anterior, qual palimpsesto incansavelmente reescrito.
Mas que seja palimpsesto em vez de testemunho, desde que haja mão e cabeça para o renovar continuamente!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Quase-desespero

Vai haver muitos momentos assim: de ansiedade e medo de não ser capaz, um sentimento avassalador de impotência perante a enormidade da tarefa.
Há aspectos práticos e físicos que me provocam este quase desespero que me trouxe de lágrimas até aqui, onde estou agora a escrever: a falta de sossego, a inexistência de um lugar onde haja a garantia de que fico sozinha e imperturbada durante o tempo que eu determinar. Outros são psíquicos: a consciência de que o que li não é nada, comparado com o que me falta ler, a ideia de que não percebi nem metade do que li, a sensação de não ser capaz de escrever nada que interesse, etc.
Em todos os casos, a resolução não é fácil, mas começa por ter calma e contentar-me com o pouco que conseguir fazer, porque pouco é sempre melhor do que nada. Parece simples. Respirar fundo. Mergulhar.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Encontro 1

Correu bem, mas foi curto.
Do que a orientadora me disse, guardo sobretudo isto: não vale a pena tentar cumprir a meta do cronograma (escrever o primeiro capítulo até Setembro), pois é mais importante, para já, fazer e digerir leituras, pensar em termos globais no caminho a seguir, ir construindo hipóteses de trabalho e reflectindo sobre formas de explorar o tema.

sábado, 9 de julho de 2011

Sentimentos contraditórios

Entusiasmo, vontade de mergulhar nisto, frustração por não poder.
Desejo de paz, para trabalhar, raiva, por não a ter.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ainda às voltas com Roman Ingarden...

«São as frases provenientes de operações subjectivas intersubjectivamente idênticas? Existem mesmo quando não são de modo algum pensadas? Qual é o seu modo de ser e o seu fundamento ôntico do seu ser quando elas existem?»


...Mal posso esperar pela resposta em... :


«§66. A identidade intersubjectiva da frase e o fundamento ôntico do seu ser»

(bocejo)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Há que saber aproveitar o tempo

Hoje, se não fossem os dois exames que tive de vigiar, não teria feito nada para o doutoramento. Graças a eles, pude mergulhar num livro, tomar-lhe o gosto, tirar umas notas, ter umas ideias, enfim... comecei a entusiasmar-me de tal maneira que só desejava que o exame acabasse para poder pegar no ficheiro em que estou a escrevinhar e continuá-lo. Regressou a inspiração que andava fugida e até passei a gostar um bocadinho do Roman Ingarden e a sentir que o percebo um nadinha melhor, apesar de tudo!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Encontro adiado

Não pôde ser hoje, afinal...
Ficou o encontro adiado para dia 11. Até lá, mais tempo para me organizar, arrumar ideias, apresentar trabalho feito, tecer algumas linhas para o rumo a seguir, enfim. Há que ver o lado positivo e aproveitar a maré e o vento de feição.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Literatura e valor intrínseco

Dizem muitos teóricos que a (boa) literatura não tem propriedades que permitem defini-la enquanto tal, que os textos podem passar a ser considerados excelentes ou deixarem de ser excelentes, de acordo com convenções, normas e crenças historicamente determinadas. Sustentam, portanto, que os textos que constituem o cânone literário - as "grandes obras" - não têm qualidades intrínsecas, mas apenas o favor de comentários que as vão continuamente valorizando, que lhes vão dando atenção.
De facto, qualquer tentativa de explicar quais são as marcas distintivas de um bom texto literário é tarefa difícil (impossível?), inglória e desnecessária. Mas uma coisa tenho como certa: a preocupação estética do autor em relação à forma como diz o que tem a dizer, que conduz, nos casos felizes, à boa qualidade dos textos nada tem que ver com o consenso da "comunidade interpretativa", quase 100% orientado pela crítica (jornalística, ensaística e académica, segundo a divisão de van Rees em "How a Literary Work Becomes a Masterpiece").
Acontece com a literatura (socialmente aceite enquanto tal) o mesmo que com qualquer outra forma de arte: um artista pode pôr os seus excrementos dentro de uma lata com o rótulo "merda d'artista" e vendê-la por quantias exorbitantes. Porque a crítica, e depois a sociedade, entendeu valorizar essa"afronta". Mas qualquer indivíduo tem o direito de se negar a considerar esse objecto como uma obra de arte - do mesmo modo que pode considerar que é arte um produto "caseiro" que ninguém mais no mundo viu ou verá, muito menos apreciará enquanto arte (se a "merda" posta dentro de uma lata for minha, ninguém a quer nem oferecida, claro).
Do mesmo modo, a (boa) literatura, a que merece ser lida, relida e transmitida de geração em geração, para que não caia no esquecimento, é um conceito que tem duas vertentes: a social, que diz respeito ao tal  consenso, àquilo que a instituição literária determina que é literatura; e a individual, que só respeita a cada um de nós, na sua forma particular - privada, mesmo - de ler e de apreciar o que lê (ou seja, de construir o seu cânone pessoal).
E não me venham dizer que qualquer texto (mesmo o mais merdoso) pode ser considerado excelente, se a comunidade de académicos e críticos assim o entender. Há génio, há originalidade, há sabedoria, há elegância, há força, há subtileza, há profundidade num bom texto (estou a ler o Dom Casmurro de Machado de Assis e apetece-me recomendá-lo a toda a gente). Se não há num texto nenhuma dessas qualidades, e mesmo assim o texto é considerado notável e se torna um best-seller, é porque alguém anda a querer fazer dos outros parvos. Ou porque muitos de nós o somos mesmo.

Agenda incerta

Orientadora finalmente pode ser que tenha tempo para me ver. Pode ser... talvez na sexta-feira. Não sei se acredito.
Orientador não dá sinais de vida, a não ser no Facebook, claro, mas aí não me interessa. Ah, e recebo uns e-mails dele (que não são enviados por ele, mas vêm como se fossem) a convidar-me para fazer umas compras não sei onde. Era o que me faltava!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O melhor professor de sempre

É o que me ensinar, que me inspira, que me revolta, que está disposto a aprender com os alunos. Que se vê que tem gosto em estar ali, a fazer o que faz, como faz, mesmo quando tem um ar desconsolado.
É o que ironiza, que brinca, que diz grandes verdades, que põe em causa, que desconstrói.
É o que ouvi ontem, de novo, e talvez pela última vez, a dar uma aula.
É o que eu gostava de poder ouvir sempre, porque nunca me cansaria. Nunca.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ele há com cada uma...

Vou percorrendo as páginas de um dos três livros a despachar estas semana, sem grande entusiasmo, e eis que leio: «O erotismo anal serve de pretexto referencial ao romance»... Segue-se a citação da epígrafe do referido romance, que simplesmente faz uma referência ao «realíssimo traseiro» de alguém «a quem os pseudo-submissos vêem verdadeiramente o cu». O autor da citação conclui: «Este texto já contém matéria suficiente para um discurso freudiano». A mim parece-me que tudo pode ser objecto de um discurso freudiano, se tivermos tempo e paciência para isso.

E eu tenho? Para que é que isto me interessa?
Pois.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Reengrenar rapidamente

Desengrenei, por causa das aulas, ou melhor, dos trabalhos dos mais de 70 alunos e das classificações. Estava num ritmo tão bom, a fazer qualquer coisa todos os dias, sem falhar, quando dou por mim e... já tinha falhado. Para que é que eu fui dizer que estava tudo a correr bem? Estava-se mesmo a ver...
E agora, após um fim-de-semana que nunca mais acabava, sinto dificuldade em engrenar novamente. Mas tem de ser! As férias grandes das crianças aproximam-se a passos largos e assustadores. SOCORRROOOOOO!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Citação do dia

A linguagem perdeu a sua aptidão própria para a verdade e para a honestidade política ou pessoal. Vendeu, e vendeu ao desbarato, os seus mistérios de intuição profética e as suas capacidades de resposta à lembrança exacta. [...] Agora sabemos que se a palavra «era no princípio», também pode ser no fim: que existe um vocabulário e uma gramática dos campos da morte, que as detonações termo-nucleares podem ser designadas como «Operation sunshine». Seria como se a quinta-essência, o atributo que identifica o homem – o Logos, o órgão da linguagem – se tivesse quebrado dentro das nossas bocas. [...] Em questões decisivas, a nossa civilização, hoje, é uma civilização «depois da palavra».

George Steiner,  "Presenças Reais" (1985)

Fazer alguma coisa todos os dias


No dia 10 de Outubro de 2009 escrevi isto:

Tinha pensado em seguir o lema "fazer alguma coisa para o doutoramento, nem que seja muito pouco, todos os dias", mas é óbvio que não vou conseguir. Em quatro anos, isso seria uma loucura. Pior, levar-me-ia certamente à loucura.

Engraçado... há mais de duas semanas que este lema reecoou na minha cabeça e resolvi segui-lo, sem me lembrar de que já o havia tentado antes, sem sucesso nem vontade.
Ao fim deste tempo, em que tenho vindo a conseguir, realmente, fazer todos os dias alguma coisa para o doutoramento (seja ler, seja escrever, seja assistir a uma palestra, etc.), concluo que este lema é o que me tem salvado, qual tábua a boiar num mar revolto, quando me sinto perdida, incapaz, assoberbada pela titânica tarefa.
Todos os dias faço, sim, alguma coisa para o doutoramento. E vou continuar a fazer.
Curiosamente, é isso que me impede de desesperar... talvez até de enlouquecer.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Literatura e biografismo

A Metamorfose soube-me a pouco. Não esperava que fosse uma leitura tão rápida e que o enredo fosse tão simples. Não imagino como é que pode ter sido convertido num filme - só se o realizador desenvolveu muito a história e a tornou em algo bastante diferente.
Pareceu-me, de certo modo, uma obra quase juvenil, inocente, ainda que perturbadora. Como se tivesse sido escrita por um adolescente sensível, impressionado com o absurdo de um mundo despótico, frio e cruel.
Foi certamente pelo conjunto da sua obra - e talvez mais por outras do que por esta em particular - e sobretudo em virtude de uma análise biografista que Kafka acabou por ser tão influente na literatura ocidental. O que toca, comove e perturba não é o texto desligado do autor e do contexto, mas a sua leitura tendo em consideração o homem que o escreveu e a experiência de vida que o marcou. E isto continua a ser verdadeiro, nos casos em que os escritores se destacam por um percurso distinto da multidão.
Por mais que se queira abolir o biografismo dos estudos literários, em favor de leituras "científicas" do  "texto-em-si" a relação entre "o homem e a obra" continua a ser irresistível, fecunda e muitas vezes comovente, ao ponto de fazer toda a diferença no entendimento que se faz da literatura.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Insólito kafkiano

Hoje deparei com a Metamorfose numa livraria e não resisti.
Afinal, é uma leitura que já devia ter feito e que me vai, decerto, dar uma luzes fantásticas...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Citação do dia

Hoje há várias citações memoráveis. Mas escolho esta, porque me diverti a ler o que Umberto Eco escreveu sobre a surpresa de ter verificado, depois de ter reescrito uma das suas obras numa língua que dominava mal (inglês), que essa versão era melhor que a original, redigida na sua língua materna:

«Sabe-se que a Art poétique de Verlaine diz “prends l’éloquence et tords lui son cou”, e conhecemos o apelo de Flaubert para que o génio se realize através de uma certa bêtise. Escrever em outra língua significa conquistar a “estupidez”, que é o propósito a que o estudioso deve visar.»

U. Eco, Conceito de Texto